24 de março de 1991. Interlagos. 19º GP Brasil de Fórmula 1. Segunda corrida da temporada. Senna larga em 1º, Mansell é o 2º e Patrese, o 3º no grid. Autódromo lotado. Na cabeça da imensa torcida, o desejo de ver não só uma prova emocionante mas a vitória de um brasileiro. Para os fãs de Ayrton, mais precisamente, o primeiro triunfo dele em solo verde e amarelo. Uma ótima forma de comemorar o bicampeonato do ano anterior na primeira corrida no país depois do segundo título do piloto da McLaren.
20 anos de um GP Brasil inesquecível
24/03/2011Fim da abstinência
22/03/2011A temporada 2011 de F1 vai finalmente receber a luz verde neste final de semana – coincidentemente, a semana em que comemoramos o aniversário de 51 anos de Ayrton Senna. Depois de um adiamento (que parece mais um cancelamento, embora a FIA não admita isso) causado pela revolta popular no Bahrein, a categoria abre os trabalhos na Austrália – e como não deve haver risco de um protesto em Melbourne, a não ser dos sempre inofensivos ambientalistas que não se conformam com a invasão do Albert Park por uma pista de automobilismo, podemos acertar os despertadores para as três horas da manhã de sábado e domingo.
2011 começa, como não poderia deixar de ser, com mudanças e polêmicas – não estaríamos falando de F1 se tudo corresse às mil maravilhas, não é? A semana já abriu com confusão: David Hunt, o proprietário do nome Team Lotus, que vendeu os direitos de uso a Tony Fernandes, vai processar o malaio, que aparentemente não pagou um centavo a Hunt até agora. Já imaginaram se a Lotus é forçada a mudar de nome no meio da temporada? E agora, Rubens Barrichello botou a boca no mundo (novidade…), como presidente da Associação de Pilotos, alertando para os perigos do excesso de botões nos volantes dos carros. O atual campeão, Sebastian Vettel, apoiou o brasileiro, assim como os dois pilotos da Ferrari, Fernando Alonso e Felipe Massa. Todos argumentam que tantos controles distraem a atenção do piloto durante a prova, e que isso representa um risco de segurança. As principais alterações no volante se referem ao manejo das asas móveis traseiras e do KERS (que volta a ser usado este ano, depois da proibição no ano passado). Vettel chegou a falar em greve dos pilotos, mas depois do prejuízo que a categoria sofreu com a não-corrida no Bahrein, é pouco provável que isso aconteça.
Outra grande mudança para este ano é a chegada dos pneus Pirelli, substituindo a Bridgestone, o que deve trazer mais competitividade à temporada. Aliás, a Pirelli traz uma inovação que deve gerar momentos divertidos durante as transmissões: cada tipo de composto será identificado por uma cor diferente, na lateral dos pneus.
Quanto aos pilotos, não vimos muitas modificações nas quatro principais equipes – McLaren, Ferrari, e Red Bull mantiveram suas duplas, e a Williams substituiu a sensação do GP Brasil, Nico Hulkenberg, pelo venezuelano Pastor Maldonado. O escocês Paul DiResta faz sua estreia pela Force India, o mexicano Sergio Perez assume o volante do carro 17 da Sauber, e o belga Jerome D’Ambrosio completa o time de rookies pela Virgin. Bruno Senna e Lucas DiGrassi continuam esperando suas chances… A grande incógnita ainda atende pelo nome de Michael Schumacher, que ainda não justificou o salário que a Mercedes lhe paga. Quem sabe ele acorda esse ano e resolve dar algum trabalho a Nico Rosberg?
E os carros? Temos os 17 dias de testes pré-temporada para nos dar uma ideia de como estão os novos modelos, mas sabemos que testes, na verdade, podem não dizer absolutamente nada, mesmo depois de quase 14 mil voltas percorridas por 33 pilotos… A Red Bull deve vir com força, com o novo projeto de Adrian Newey. Como torcedora xiita da McLaren, esta F1 girl espera que o carro de 2011 não seja apenas lindo de morrer – mas também rápido e confiável, como sua dupla de pilotos. A Ferrari foi a equipe que treinou mais, e colocou pelo menos um dos dois pilotos no top 3 em 10 dos 17 dias, o que sugere confiabilidade. A Williams traz os 18 anos de experiência de Barrichello, que, justiça seja feita, é um grande acertador de carros. As três médias – STR, Lotus e Mercedes – vão, como de costume, se estapear pelo meio do grid; mas com todas essas mudanças, quem sabe não temos uma surpresa?
E para terminar este primeiro post da F1 2011 com uma notícia boa: os médicos responsáveis pelo tratamento do polonês Robert Kubica estimam que o piloto deve voltar a andar dentro de três semanas. Ele continua em recuperação depois do acidente que sofreu em uma prova de rally na Itália, e sofreu mais uma intervenção cirúrgica no cotovelo há duas semanas. Kubica era sem dúvida uma grande promessa para este ano, mas torcemos muito para vê-lo no grid de largada da abertura da temporada 2012!
Senhores, liguem seus motores. Estávamos com saudades!
Horários de treinos e corridas da F1 em 2011
21/03/2011Finalmente!
Depois de quatro longos meses, a Fórmula 1 está de volta para nos alegrar (espero) a partir desta semana. Eu tenho costume de anotar tudo na minha agenda para já ir me programando e não marcar nada nas datas e/ou horas. Você também?
Por exemplo, o GP da Austrália e o da Malásia vão ser bem em finais de semana de shows bastante aguardados por mim. No primeiro, tem Air Supply aqui em Recife (é, eu gosto, por quê? Vai encarar?) e no segundo, a apresentação do U2 em São Paulo.
Felizmente, já vi que dá para curtir I can wait forever, Making love out of nothing at all, Here I am e muitos outros sucessos da dupla australiana sem me preocupar com a hora, já que a corrida em Albert Park só começa às 3h. Rever o U2 no Morumbi desta vez com o meu maridão do lado também não deverá atrapalhar conferir o GP da Malásia.
Por falar em maridão, parte do Dia dos Namorados, já sabemos onde vamos passar: em frente à TV, acompanhando o GP do Canadá. E no feriadão do Corpus Christi e São João, a pedida é GP da Europa com muito milho, canjica e pamonha.
Corrida no Dia das Mães de novo? Teremos, sim. E no dia que o mundo relembrará os 10 anos do atentado terrorista do 11 de setembro, também.
Confira aí e se programe:
GP DA AUSTRÁLIA
24 de março (quinta-feira) – 1º treino livre: 22h30 à 0h
25 de março (sexta-feira) – 2º treino livre: 2h30 às 4h
26 de março (sábado) – 3º treino livre: 0h à 1h
Treino oficial: 3h às 4h
27 de março (domingo) – Corrida: a partir das 3h
GP DA MALÁSIA
07 de abril (quinta-feira) – 1º treino livre: 23h às 0h30
08 de abril (sexta-feira) – 2º treino livre: 3h às 4h30
09 de abril (sábado) – 3º treino livre: 2h às 3h
Treino oficial: 5h às 6h
10 de abril (domingo) – Corrida: a partir das 5h
GP DA CHINA
14 de abril (quinta-feira) – 1º treino livre: 23h à 0h30
15 de abril (sexta-feira) – 2º treino livre: 3h às 4h30
16 de abril (sábado) – 3º treino livre: 0h à 1h
Treino oficial: 3h às 4h
17 de abril (domingo) – Corrida: a partir de 4h
GP DA TURQUIA
06 de maio (sexta-feira) – 1º treino livre: 4h às 5h30
2º treino livre: 8h às 9h30
07 de maio (sábado) – 3º treino livre: 5h às 6h
Treino oficial: 8h às 9h
08 de maio (domingo) – Corrida: a partir das 9h
GP DA ESPANHA
20 de maio (sexta-feira) – 1º treino livre: 5h às 6h30
2º treino livre: 9h às 10h30
21 de maio (sábado) – 3º treino livre: 6h às 7h
Treino oficial: 9h às 10h
22 de maio (domingo) – Corrida: a partir das 9h
GP DE MÔNACO
26 de maio (quinta-feira) – 1º treino livre: 5h às 06h30
2º treino livre: 9h às 10h30
28 de maio (sábado) – 3º treino livre: 6h às 7h
Treino oficial: 9h às 10h
29 de maio (domingo) – Corrida: a partir das 9h
GP DO CANADÁ
10 de junho (sexta-feira) – 1º treino livre: 11h às 12h30
2º treino livre: 15h às 16h30
11 de junho (sábado) – 3º treino livre: 11h às 12h
Treino oficial: 14h às 15h
12 de junho (domingo) – Corrida: a partir das 14h
GP DA EUROPA
24 de junho (sexta-feira) – 1º treino livre: 5h às 6h30
2º treino livre: 9h às 10h30
25 de junho (sábado) – 3º treino livre: 6h às 7h
Treino oficial: 9h às 10h
26 de junho (domingo) – Corrida: a partir das 9h
GP DA INGLATERRA
08 de julho (sexta-feira) – 1º treino livre: 6h às 7h30
2º treino livre: 10h às 11h30
09 de julho (sábado) – 3º treino livre: 6h às 7h
Treino oficial: 9h às 10h
10 de julho (domingo) – Corrida: a partir das 9h
GP DA ALEMANHA
22 de julho (sexta-feira) – 1º treino livre: 5h às 6h30
2º treino livre: 9h às 10h30
23 de julho (sábado) – 3º treino livre: 6h às 7h
Treino oficial: 9h às 10h
24 de julho (domingo) – Corrida: a partir das 9h
GP DA HUNGRIA
29 de julho (sexta-feira) – 1º treino livre: 5h às 6h30
2º treino livre: 9h às 10h30
30 de julho (sábado) – 3º treino livre: 6h às 7h
Treino oficial: 9h às 10h
31 de agosto (domingo) – Corrida: a partir das 9h
GP DA BÉLGICA
26 de agosto (sexta-feira) – 1º treino livre: 5h às 6h30
2º treino livre: 9h às 10h30
27 de agosto (sábado) – 3º treino livre: 6h às 7h
Treino oficial: 9h às 10h
28 de agosto (domingo) – Corrida: a partir das 9h
GP DA ITÁLIA
09 de setembro (sexta-feira) – 1º treino livre: 5h às 6h30
2º treino livre: 9h às 10h30
10 de setembro (sábado) – 3º treino livre: 6h às 7h
Treino oficial: 9h às 10h
11 de setembro (domingo) – Corrida: a partir das 9h
GP DE CINGAPURA
23 de setembro (sexta-feira) – 1º treino livre: 7h às 8h30
2º treino livre: 10h30 às 12h
24 de setembro (sábado) – 3º treino livre: 8h às 9h
Treino oficial: 11h
25 de setembro (domingo) – Corrida: a partir das 9h
GP DO JAPÃO
06 de outubro (quinta-feira) – 1º treino livre: 22h às 23h30
07 de outubro (sexta-feira) – 2º treino livre: 2h às 3h30
3º treino livre: 23h à 0h
08 de outubro (sábado) Treino oficial: 2h às 3h
09 de outubro (domingo) – Corrida: a partir de 3h
GP DA COREIA*
13 de outubro (quinta-feira) – 1º treino livre: 23h à 0h30
14 de outubro (sexta-feira) – 2º treino livre: 3h às 4h30
3º treino livre: 0h à 1h
15 de outubro (sábado) Treino oficial: 3h às 4h
16 de outubro (domingo) – Corrida: a partir de 4h
GP DA ÍNDIA*
28 de outubro (sexta-feira) – 1º treino livre: a confirmar
2º treino livre: a confirmar
29 de outubro (sábado) – 3º treino livre: a confirmar
Treino oficial: a confirmar
30 de outubro (domingo) – Corrida: a confirmar
GP DE ABU DHABI*
11 de novembro (sexta-feira) – 1º treino livre: 7h às 8h30
2º treino livre: 11h às 12h30
12 de novembro (sábado) – 3º treino livre: 8h às 9h
Treino oficial: 11h às 12h
13 de novembro (domingo) – Corrida: a partir de 11h
GP DO BRASIL*
25de novembro (sexta-feira) – 1º treino livre: 10h às 11h30
2º treino livre: 14h às 15h30
26 de novembro (sábado) – 3º treino livre: 11h às 12h
Treino oficial: 14h às 15h
27 de novembro (domingo) – Corrida: a partir de 14h
*Provavelmente já pelo horário de verão
Todos os horários estão sujeitos a alteração*
Fonte: Formula1.com
O final de semana que não existiu
13/03/2011Estava conferindo minha agenda para amanhã (por questões de organização eu tenho uma) e me deparei com a marcação no trecho da data de hoje destinada a assuntos importantes: GP do Bahrein (é, eu costumo anotar as datas de treinos e corridas assim como de outras competições esportivas de que gosto na minha agenda). E aí me bateu aquele sentimento que a gente tem de que por mais que algo não seja como esperamos a gente sente falta quando não o tem.
O GP do Bahrein não é uma daquelas corridas pelas quais a gente para tudo que tá fazendo pra ver por puro prazer, mas é Fórmula 1 e a gente não consegue resistir a um Grande Prêmio por mais chato que ele possa ser, não é?
A gente quer ver.
E 2011 que poderia ter 20 corridas, “só” vai ter 19 (a menos que eles consigam encaixar o Bahrein naquela folga grande do mês de agosto).
A esta hora a gente ainda podia estar discutindo em blogs, twitters, facebooks, MSNs e afins da vida a largada, lambanças, pontos positivos e negativos da prova.
Mas não.
Seguimos na chata contagem regressiva.
Faltam 11 dias.
E minha agenda ganhou uma observação na data de hoje.
Tchau, bla bla bla
09/03/2011O grid 2011 da Fórmula 1 foi completado hoje. Aí sim estava na hora de voltarmos com nossa programação normal. Não gostamos dessa fase entre temporadas. Não somos de ficar reproduzindo notícias que você pode encontrar em portais, sites e outros blogs.
Cair no falatório da imprensa enquanto os carros não estão na pista também não é o nosso forte. Podíamos ter aparecido quando do acidente do Kubica, mas também não somos levianas de fazer prognósticos numa área tão importante e desconhecida por nós quanto essa da saúde.
Também não fomos levadas pelo ufanismo em torno da possibilidade (?) do Bruno Senna pilotar no lugar do polonês. Era óbvio que a vaga ia ser de um piloto mais experiente e com mais patrocinadores. Lamentamos a suspensão do GP do Bahrein, muito mais porque isso significou que a estreia da temporada foi adiada do que pela corrida em si. Para nós, é na Austrália que a Fórmula 1 sempre deveria começar.
Então, cá estamos de volta.
Sem tempo, como sempre, mas com a mesma vontade de ver os “carrinhos” na pista e curtir essa nossa paixão como a gente mais gosta: sem obrigações e com muita alegria.
Esperamos que tudo tenha corrido bem a todos os nossos leitores nesses últimos meses e que outros ainda melhores estejam por vir.
Boa temporada 2011 a todos nós!
Senna, o filme e a emoção
28/11/2010Filmes sobre ou envolvendo o automobilismo não são novidades – nós até já falamos sobre isso aqui, mas havia um que se não era tão aguardado já fora bastante especulado. Seu nome é simples, diretor e por si só (quase) autoexplicativo: Senna, o filme. Entretanto, ao contrário do que se divulgou ao longo destes 16 anos, não houve atores fazendo o papel do tricampeão ou de qualquer outra pessoa importante na vida e na carreira dele.
Criado no formato de documentário, Senna, o filme tem cerca de 90 minutos de duração e começa e termina com imagens da época pré-Fórmula 1 dele. Talvez por isso mesmo tenha criado a expectativa na cabeça de algumas pessoas de que o que elas encontrariam diante de si fosse um revival total dos grandes momentos da carreira de Ayrton nas pistas do mundo. E não é.
Fiquei com a impressão de que o diretor Asif Kapadia e o autor Manish Pandey se concentraram em três temas maiores para fazer o documentário sobre Senna: a religiosidade do piloto, o duelo contra Prost e sua notória obsessiva busca para atingir suas metas. Para abordar cada um deles, depoimentos foram incluídos: da irmão, Viviane Senna; de Ron Dennis, do Dr. Sid Watkins, de comentaristas da TV inglesa e de Reginaldo Leme. Mas somente nos comentários de Prost você via quem estava falando. Em imagens de 88 a 94, Prost aparece na tela quase tantas vezes quanto o próprio Senna.
Do famoso episódio no GP de Mônaco de 1984, no qual dividiram o pódio pela primeira vez, até aquela última prova da temporada de 1993 na Austrália, quando ambos fizeram a derradeira dobradinha, a coexistência recheada de pegas, declarações e momentos inesquecíveis entre eles sem dúvida alguma é a parte que mais agrada do mais ardoroso fã do Senna ao simples apaixonado por corridas de Fórmula 1.
Aliás, fazer aflorar um velho e conhecido sentimento no espectador, dando a ele a possibilidade de reviver um passado longínquo há pelo menos 17 anos, é um dos méritos do documentário. E, de repente, é como se a poltrona da sala de cinema fosse um assento em uma arquibancada qualquer em Interlagos, Suzuka ou naquele sofá da sua casa de onde você viu algumas daquelas corridas mostradas ali na tela grande.
Nos vemos torcendo novamente. Nos vemos nos divertindo novamente. Como se já não soubéssemos qual seria o final daquelas provas.
Particularmente, sempre que revejo as cenas do GP Brasil de 1991 e do GP do Japão de 1988 eu simplesmente não consigo evitar a emoção. Na telona, com carros e pistas ocupando todo o espaço e o sistema de som ampliando a potência dos motores, as vitórias de Senna naqueles dias me pareceram ainda maiores e mais magníficas.
Pena não haver, então, mais cenas das corridas memoráveis como em Donington Park 1993 dirão muitos. E é verdade! Mas acredito que o foco do filme não era a carreira de Senna como piloto e talvez a proposta da produção acabasse se desvirtuando e talvez caísse na repetição de compactos de Grandes Prêmios que já vimos em DVDs como Os Anos do Tri, lançado pela Editora Abril há alguns anos.
Além disso, a mim me parecia meio óbvio apelar para muitas corridas pelo fato de ele ter sido um piloto. Recentemente, por exemplo, vi na ESPN um documentário sobre o ex-jogador de basquete Vlade Divac. Lá pouco se mostrou de partidas importantes de sua carreira (e ele foi campeão mundial, europeu e vice-olímpico porque não conseguiu bater um tal de Dream Team). Grande parte da biografia de Divac abordou o lado humano, especialmente o que aconteceu com ele a partir de um gesto impensado que teve ao conquistar o título mundial dias antes de estouro da guerra na Iugoslávia.
Assim como no mini filme sobre Divac, em Senna não se deixou de falar sobre o homem, o profissional e a modalidade esportiva.
Nas duas sessões que acompanhei (no primeiro e no último dia de exibição em Recife), vi um público composto mais de fãs do tricampeão. Ao final da primeira, a platéia demorou a sair da sala. As cenas do (sempre direito maldito) acidente em Ímola e do funeral nos prendia às cadeiras como que para nos recompor. E houve aquele silêncio pesado entre os presentes que me deixou a impressão de que, passe o tempo que for, aquele final de semana trágico ainda seguirá comovendo as pessoas como se tivesse acabado de acontecer.
E olha que não houve Tema da Vitória ou Canção da América, músicas usadas ao extremo naquele maio de 1994 – o que, aliás, cá para nós, já pode ser considerado um ponto positivo também, não é?
Talvez a inversão dos acontecimentos no documentário tivesse sido melhor. Dessa forma, quem sabe?, terminar com as maravilhosas imagens da câmera on board do carro de Senna nas ruas estreitas de Mônaco evitasse que aquela senhora de seus quase 70 anos não soluçasse tanto e deixasse a sessão aos prantos antes mesmo dos créditos finais aparecerem enquanto sua filha a chamava insistentemente.
O fato é que Senna, o filme se transformou para mim numa experiência muito gostosa ao me possibilitar rever algumas imagens da minha época favorita da Fórmula 1.
Ri e chorei de saudade daqueles tempos.
E como uma boa F1 Girl saí de lá me perguntando: por que não lançam no cinema filmes sobre cada temporada da categoria? Se existem filmes oficiais sobre as Copas do Mundo, por que não de Fórmula 1?
A entrevista com Vettel
14/11/2010Transcrevemos abaixo a entrevista de Sebastian Vettel ao Formula1.com:
Como você se sente?
Ainda é difícil de acreditar. Não caiu a ficha e tantos pensamentos passam por minha mente. Quando eu estava na última volta – eu nunca estive tão lento antes nessa hora – tantas imagens passaram na minha cabeça. Desde os primeiros dias com o meu pai no kart e, finalmente, a Fórmula 1. Que aventura! Estou muito orgulhoso por estar aqui – e de ter conquistado o título!
Você é o mais jovem campeão de Fórmula 1. Você estava ciente de que?
Não muito. No momento, eu ainda estou feliz por estar aqui. Por estar em um esporte que é visto em todo o mundo – e estou certo que mais pessoas estavam diante da televisão hoje – é tão excitante e eu realmente não me acostumei com isso.
Como você ficou tão tranquilo?
Não havia uma receita especial. Eu tento me concentrar em mim mesmo e não deixar que os outros me distraissem. Quando funciona eu fico feliz e quando não, eu só tenho a argumentar comigo mesmo. Mas não me interpretem mal, não era uma situação fácil. Há um certo nível de stress lá. Você fica nervoso e você passa por determinadas situações, mas no final você tenta manter a cabeça centrada e se concentra apenas nas condições imediatas. Isso foi o que eu fiz durante toda a corrida. Claro que eu estava na liderança e eu acreditava piamente que iria ganhar a corrida, mas o que eu não sabia era se esta vitória seria a passagem para o campeonato.
Vitaly Petrov, Robert Kubica e Nico Rosberg irão receber um extra de Red Bull esta noite?
Ah, eu tenho certeza de que somos capazes de arrumar algumas bebidas para eles! É engraçado, porque no caminho para Abu Dhabi, eu estava em um avião com alguns caras da Mercedes GP e nós brincamos dizendo que eles deviam ocupar o quarto e quinto lugares. Nico chegou em quarto lugar então obviamente funcionou!
Na próxima temporada, seu carro terá com o número 1. Como se sente?
Eu nem sequer pensei nisso. Há tantas impressões e pensamentos tomando conta da minha cabeça, e acreditem, o número do meu carro no próximo ano não está entre eles. Estou muito orgulhoso de estar com esta equipe – uma equipe com um espírito fantástico e pessoas fantásticas. Ser parte dela e juntos conquistar uma vitória tão grande – na verdade duas grandes vitórias com o campeonato de construtores no Brasil – é tão especial, e eu me sinto muito grato.
As imagens do domingo
14/11/2010Coisas que um campeão não pode fazer:
Alonso reclamando com Petrov e o russo perguntando o que ele queria que o russo fizesse
E o que um campeão faz e emociona todo mundo:
Vettel é o mais novo campeão da Fórmula 1
14/11/2010Cinco vitórias, 10 pole positions, 10 pódios, 382 voltas lideradas e 256 pontos conquistados. Com esta campanha, Sebastian Vettel tornou-se hoje o campeão da temporada 2010 da Fórmula 1. De forma indiscutível, praticamente de ponta a ponta, dominou a prova em Abu Dhabi, não cometeu um erro sequer e mostrou o que é preciso fazer para ter o título nas mãos quando a decisão é realizada em um circuito tão anticlímax quanto mais este feito pelo Tilke.
Ao contrário do que muitos devem ter imaginado, nenhum dos quatro pilotos que podiam ser campeão neste domingo se envolveu em acidentes na largada. O único existente em toda prova, aliás, envolveu Nico Rosberg, Michael Schumacher e Vitantonio Liuzzi. O primeiro deu um toque de leve no segundo, que rodou e foi acertado em cheio pelo terceiro.
Apesar de terem saído ilesos da primeira curva, o campeonato foi decidido, sim, na largada. O favorito Fernando Alonso foi ultrapassado por Jenson Button e começou a dar adeus ao título, mesmo com Webber conseguindo ser ainda pior que ele.
O australiano manteve-se na quinta colocação obtida no treino do sábado e parece ter jogado a toalha ao não ter tido sucesso algum na largada. Apático, preso pelos adversários à sua frente, parou nos boxes na 14ª volta, voltou em 16º e terminou em um melancólico 8º lugar. Quase como se quisesse andar de ré para ter que encontrar e felicitar Vettel pelo título inédito.
E se para Webber faltou …. vamos chamar de gana (para não mencionar determinada parte da anatomia masculina) para conquistar o que ele achava ser seu de direito especialmente na largada, a Fernando Alonso faltou educação, nobreza e esportividade.
O espanhol culpou Vitaly Petrov por não ter ganho o tricampeonato. O número 1 da Ferrari passou mais de 30 voltas atrás da Renault do russo e quando emparelhou os carros ao término do Grande Prêmio fez o típico gesto italiano de inconformismo, dando mostras de que não sabe realmente perder. Em tempo aos defensores do príncipe das Astúrias: Petrov não precisava de forma alguma deixar Alonso passar porque os dois simplesmente estavam brigando pela posição.
É compreensível sua irritação, mas a culpa é de quem criou o traçado do circuito e de quem deu autorização para a construção dele. Porque, na verdade, o que se viu no GP de Abu Dhabi foi uma procissão irritante e enfadonha de carros de Fórmula 1. Se esta não fosse a prova decisiva do campeonato provavelmente muita gente teria trocado de canal.
O importante é que a temporada teve seu resultado definido na pista, como sempre deve ser. Webber nunca esquecerá que não houve jogo de equipe a seu favor, mas a Red Bull mostrou que há esperanças para a Fórmula 1 e os fãs da categoria mais famosa do automobilismo internacional só têm a agradecer.

Campeões de 2008 e 2009 dão as boas-vindas ao clube a Vettel, vencedor de 2010. Crédito da foto: UOL
Parabéns a Vettel pela determinação, pelo título e por ter o nenhum outro jovem de 23 anos, 04 meses e 11 dias tem: o troféu de campeão da Fórmula 1.
Vettel é pole, Hamilton 2º, Alonso 3º, Webber 5º
13/11/2010- Enquanto a Eloisa não nos mostra com suas ótimas fotos como foi o treino de classificação, entre outros cliques deste sábado em Abu Dhabi, deixem-me falar rapidinho do cenário que se formou após a sessão que definiu o grid para a corrida de amanhã. Três dos quatro pilotos que disputam o título de campeão da Fórmula 1 deste ano vão largar nas três primeiras posições do grid: Vettel é o 1º (esta foi a 15ª pole de sua carreira e a 10ª em 2010), Hamilton em 2º e Alonso em 3º.
Se é verdade que o Q3 é a parte que mais atrai atenção dos fãs da Fórmula 1 e que as corridas de alguns anos pra cá têm sido quase todas decididas na largada, hoje e amanhã isso é mais verdadeiro que nunca.
Webber conquistou apenas a 5ª colocação. Se foi o maior prejudicado ou não da sessão de classificação só saberemos amanhã quando as luzes verdes se apagarem. Se houver uma batida nas duas primeiras filas que gere abandonos, ele poderá comemorar o título sem se preocupar com o que ocorrerá no restante da prova. Do contrário, viverá uma corrida das mais tensas. Tendo que fazer a sua parte, torcer contra os adversários e negociar com a equipe por uma ajuda de Vettel.
Conseguirá o alemão da Red Bull manter os nervos no lugar, fazer uma largada limpa e se livrar dos adversários disparando na liderança? Será que o pupilo da equipe beneficiará o companheiro de escuderia caso sua chance de ser campeão acabe?
Hamilton, ao seu lado, é o que tem o caminho mais difícil a trilhar para conquistar o título novamente e talvez seja por isso mesmo o fator determinante da prova e de para as mãos de quem o troféu irá. É o tudo ou nada para o inglês a quem só a vitória interessa. Como quando sempre disputou o campeonato nas últimas corridas cometeu erros, a história se repetirá em Abu Dhabi?
Fernando Alonso, um pouco atrás e de lado dele, deve estar pensando bastante nisso. Na minha opinião, será o mais cauteloso na largada amanhã. Se o espanhol for muito ousado pode levar a pior em uma eventual batida desnecessária, mas a consciência de que se Webber conseguir lhe ultrapassar e Vettel estiver em 1º no fim da corrida, isso poderá significar o fim do seu almejado tricampeonato.
O fato é que em um circuito lindo, porém sem praticamente um ponto de ultrapassagem, com um grid como o que foi formado hoje e com as características de cada piloto postulante ao título ainda mais latentes, quem vacilar (seja na pista seja na frente da TV) pode perder a decisão do campeonato em um piscar de olhos.
Particularmente, vou torcer por Webber, mas acho que dá Alonso.
E você?

Escrito por Gil 