E não é que deu Vettel de novo? Quem apostava que as curvas estreitas das ruas de Monte Carlo poderiam acabar com o reinado do piloto alemão na temporada 2011 se deu bem mal. Vettel cravou a pole, fez uma boa largada, manteve a posição e dela praticamente não saiu. A briga foi boa entre os três primeiros colocados – Vettel, Button e Alonso – durante a maior parte da prova, até que uma lambança a seis voltas do final transformou o que seria um pega daqueles em uma chatice. Mas estou dando uma de Hamilton, e atropelando as coisas. Voltemos pro começo.
Alonso fez outra largada excelente e mandou Webber passear logo de saída. Vettel não se sentiu ameaçado logo de cara por Button, que parecia brigar com sua McLaren, mas deve ter ficado de orelha em pé quando lhe informaram que Alonso vinha atrás do inglês como um touro enfurecido. Mas tudo estava meio sonolento, até a quinta volta.
Porque foi então que Hamilton colocou as garrinhas de fora pela primeira vez na prova, e partiu pra cima de Schumacher. O ex-campeão mundial não aguentou muito a pressão (quem te viu, quem te vê…) e logo foi ultrapassado também por ninguém menos que… Rubens Barrichello! Que, a propósito, só fez isso mesmo na corrida. Talvez seja hora de tio Frank rever sua estratégia de contratação.
Mas digresso novamente. Dali em diante, começaram os pitstops. Button entrou primeiro, e em seguida foi a vez de Vettel e Webber… e a Red Bull teve seu dia de azar. A parada de Vettel durou quase sete segundos, a de Webber passou de doze. Aí, Button viu sua chance e pisou fundo. Na vigésima sexta volta, já eram mais de 25 segundos de vantagem para Vettel. Só que lá pela trigésima, o alemão começou a reagir, e quando Button fez o segundo pit, a McLaren previu uma nova troca e colocou os supermacios de novo. Voltou em segundo, mas estava na alça de mira de Fernando Alonso.
A corrida, que já estava boa, ficou melhor ainda quando Hamilton se engalfinhou com Felipe Massa no hairpin. Hamilton vinha como um alucinado, e Massa resolveu dar uma de difícil justamente ali, onde mal passa um carro. Os dois se tocaram (e foi uma manobra de corrida, não importa o que os narradores da TV achem), mas Massa se segurou. Só que Hamilton é Hamilton, e forçou de novo a ultrapassagem no túnel. Massa não se segurou dessa vez e foi com tudo no muro. Fim de prova pra ele.
E o safety car entrou na pista.
Alonso armou o bote ali. Foi pros boxes, colocou os pneus macios e sabia que eles durariam até o fim da prova. Como os de Button não iriam longe, era um pódio garantido. Vettel seguia feliz na liderança, mas sabia que tinha chumbo grosso vindo pelas suas costas.
E a briga entre os três foi bonita de assistir. Já seria em condições normais, porque eles são, junto a Hamilton, os melhores pilotos da F1 – o restante do grid nem chega perto. Mas estávamos em Mônaco. Guard-rail pra todo lado, pouquíssimos trechos retos, e naquela altura, borracha e pedaço de carro sujando a pista inteira. Tinha até gente apostando num engavetamento, que colocaria o troféu nas mãos de Kamui Kobayashi.
Só que a lambança aconteceu mesmo entre os retardatários. Quem se deu pior foi Vitaly Petrov, abalroado por… Hamilton, que tinha sido tocado por Alguersuari. O russo foi parar no hospital, com a perna machucada. Nada grave, mas ele precisou ser retirado da pista de ambulância e o safety car voltou.
Na volta 72, a surpresa: bandeira vermelha, por causa da entrada da ambulância na pista. Pneu novo pra todo mundo, o que causou uma celeuma enorme (pode? Não pode? Pode. Consta do regulamento, e apesar de parecer injusto, pode). Hamilton aproveitou e trocou o bico do carro, o que causou uma cena engraçada: dois mecânicos da McLaren atravessando o pitlane correndo, carregando a asa. Hamilton ainda teve a chance de aprontar mais uma e tirar Pastor Maldonado da prova. O pobre do venezuelano ia marcar suados pontinhos pra Williams, e… bem. Isso é a F1. E Mônaco. Quem não se lembra de Sutil em 2008?
Com a troca dos pneus, foi-se a chance de vermos um embate daqueles na pista. Mas como a corrida antes da volta 72 tinha sido sensacional, ficamos no lucro. No final das contas, Lewis levou uma punição de 20 segundos por conta do empurrão em Massa, o que não lhe prejudicou na classificação final. Vettel ganhou mais uma, e ainda deu um banho de champagne num pobre Guarda Real de Mônaco, que, vamos aplaudir, se manteve impassível.
Conclusões? Vettel está pilotando cada vez melhor, e é só olhar pra Webber para saber que um carro vencedor faz a diferença, mas o braço do piloto ainda é decisivo (e eu não ia falar sobre Alonso e Massa, mas…). Schumacher deveria ir brincar de kart com os filhos na Alemanha e dar lugar a algum piloto jovem e talentoso (assim como Barrichello). E quanto a Mônaco, quem ainda insiste em dizer que é uma corrida chata, assista ao VT e reveja seus conceitos.
Daqui a duas semanas tem motor roncando no circuito Gilles Villeneuve. Um dos meus favoritos. Mal posso esperar =)
Classificação Oficial do GP de Mônaco 2011
1. Sebastian Vettel (ALE) – Red Bull – 2h09min38s373 (78 voltas)
2. Fernando Alonso (ESP) – Ferrari – +1s1
3. Jenson Button (ING) – McLaren – +2s3
4. Mark Webber (AUS) – Red Bull – +23s1
5. Kamui Kobayashi (JAP) – Sauber – +26s9
6. Lewis Hamilton (ING) – McLaren – +27s2
7. Adrian Sutil (ALE) – Force India – a 1 volta
8. Nick Heidfeld (ALE) – Renault – a 1 volta
9. Rubens Barrichello (BRA) – Williams – a 1 volta
10. Sebastien Buemi (SUI) – Toro Rosso – a 1 volta
11. Nico Rosberg (ALE) – Mercedes – a 2 voltas
12. Paul di Resta (ESC) – Force India – a 2 voltas
13. Jarno Trulli (ITA) – Lotus – a 2 voltas
14. Heikki Kovalainen (FIN) – Lotus – a 2 voltas
15. Jerome D’Ambrosio (BEL) – Virgin – a 3 voltas
16. Vitantonio Liuzzi (ITA) – Hispania – a 3 voltas
17. Narain Karthikeyan (IND) – Hispania – a 4 voltas