Com o grande prêmio de Cingapura acontecendo neste último final de semana e o resultado recente do julgamento, o caso referente à colisão proposital de Nelsinho Piquet neste mesmo circuito, em 2008, ainda continuou sendo assunto recorrente. E nos deixou com a expectativa de que ganharia um novo capítulo no domingo, quando fosse ao ar, durante o Fantástico, a aguardada entrevista de Nelson Piquet (o pai) para o comentarista da Rede Globo, Reginaldo Leme.
O que vi naqueles poucos minutos foi um homem que, apesar de famoso por falar o que pensa, mediu criteriosamente as palavras (termos como “não verdade” apareceram, por exemplo). Opinava sobre o que era perguntando, mas não se aprofundava muito. Contou – em linhas gerais – o que aconteceu após saber o que o filho fez (recriminou mas não deixou de falar com ele, desmentindo o que se ouviu “por aí”), como levaram ao conhecimento da FIA, como deve ser o recomeço de Nelsinho (a partir do zero, seja na F1 ou não, mas já com propostas de equipes menores) e, principalmente, enfatizou o quanto Piquet Jr é “talentoso e sofrido”.
Na internet, a Globo disponibilizou uma versão maior desse encontro, com pouco mais de 20 minutos. Ali também não há nada de muito revelador. Apenas vê-se melhor a decoração da casa, com os troféus, fotos e uma Williams presa à parede (que eu achei o máximo!
), e nas entrelinhas precebe-se o quanto Nelsão tenta direcionar o ocorrido para a questão de que a denúncia “vai ajudar o esporte a motor a ser uma coisa mais digna”, como se tudo pudesse ser resumido com um belo ato de altruísmo.
O tricampeão comenta brevemente sobre alguns de seus salários, chama de crime a questão de o resultado da corrida ter sido manipulado e afirma que jogos da equipe não são corretos em qualquer circunstância (“o resultado da corrida tem que ser o resultado da corrida”).
Mas o que me chamou atenção foi que algumas peças não se encaixaram muito bem. Veja:
1) O ex-piloto disse que o que houve foi um crime e abomina a prática veementemente, em qualquer ocasião, mesmo se um piloto da equipe estiver disputando o campeonato e o companheiro não tiver chance;
2) Afirma que hesitou em denunciar porque a carreira do filho poderia ser prejudicada;
3) Disse que tinha medo que algum movimento político pudesse abafar o caso, mas que tudo acabou bem (o resultado do julgamento);
4) Insinua que era impossível Alonso não saber do que iria acontecer (amarrando à experiência e capacidade de dedução do espanhol, devido à tática adotada para aquela prova);
5) Destaca o quanto denúncias fazem com que a FIA melhore o regulamento e coíba práticas menos desportivas, por assim dizer;
6) Informou que se distanciou da imprensa desde outubro de 2008 até a entrevista para Reginaldo Leme;
7) Amarra os pontos (mal amarrado, a meu ver) com o que fez após a notícia da demissão: “se você tem uma quebra – de contrato – e vai penalizar o Nelsinho agora, então chegou a hora de denunciar tudo que aconteceu” e com o que pensou sobre a situação de seu filho: “não tinha muito mais a perder“.
Essa história toda me parece uma música de Paulinho da Viola, que Marisa Monte canta: “Quem sabe de tudo, não fale. Quem não sabe nada, se cale”, principalmente porque os pontos mais importantes não foram discutidos a fundo (até onde foi a ética, até onde foi o interesse próprio?): “Não diga nada sobre meus defeitos, não me lembro mais quem me deixou assim”.
E já que não consegui montar o quebra-cabeça, me calo, pois.
Escrito por Pit 















































