Diretamente do fronte

18/04/2009

A estas alturas o veredicto do caso USA vs Helio Castro Neves et al já é notícia velha, jornal amassado, página virada. Inocentado em todas as acusações de sonegação ele deve estar se preparando para a corrida de Long Beach amanhã a tarde, mas venho mesmo escrever é para contar sobre a experiência de estar no tribunal esta semana que passou. Aqui qualquer um disposto a dar o equivalente do R.G local para o guarda scannear, deixar os celulares no carro, morrer congelado de tão frio que é o ar condicionado, ah e é claro passar pelo detector de metais, tirar o sapato, e ser questionado pelos brutamontes com cara de poucos amigos,pode sentar dentro de uma sala de julgamento.

Estive lá para o primeiro e segundo dia de deliberações e ontem quando o veredicto foi anunciado. No primeiro dia de deliberações Helio estava literalmente em frangalhos. Me dava a impressão que ele revia cada dia dos últimos dez anos para tentar entender como que ele estava naquele tribunal. Enquanto a acusação não parava de dizer que era tudo uma conspiração, que eles (Helio, a irmã, e o advogado) queriam era defraudar o governo americano, Helio rascunhava num bloco de papel, e eu me perguntava se eles estavam realmente entendendo todos os jargões e acusações, afinal não é todo mundo que tem conhecimento suficiente de um idioma estrangeiro para compreender um julgamento (eu me viro em francês, o suficiente para não morrer de fome, ver filme, mas entender um julgamento pas de tout!!). Um repórter me disse que um dia eles tinham um dicionário na mesa. Nesse dia, Kati tentava se distrair e conversava muito com os amigos e familiares, mas Helio passou o dia cabisbaixo, com um terço na mão, amparado por todos, pelos pais, amigos e a namorada. Quando os jurados anunciaram que iam continuar com os trabalhos na segunda, voltei para casa e pesquisei um pouco mais sobre os termos que estavam sendo usados pela acusação. Foi ai que tive certeza que ia depender de como os jurados entendessem os termos, é muito técnico e infelizmente algo que um cidadão comum não tem acesso ou conhecimento sobre o assunto.

No segundo dia de deliberações, Helio estava mais calmo, até comentou sobre o fato de ter chorado na tarde de sexta-feira. Disse que como era difícil esconder a emoção. conversamos sobre as últimas semanas e se ele estava se preparando para correr. Afinal ele pode aprender a dançar em 13 semanas, mas pilotar fora de forma é outra conversa. Me disse que sim estava fazendo ginástica e tal, mas quando foi entrar em detalhes, o advogado acabou interrompendo que não era para ele falar sobre as corridas (acho q foi a namorada que traduziu para ele sobre o que estávamos falando). A segunda-feira terminou tal qual a sexta, sem novidades e com o juri sem chegar a um veredicto. “Não desejo isso a ninguém, sabe, nem ao pior dos inimigos. é horrível ficar lá dentro sem poder fazer nada, sem poder entender bem” desabafou quando o dia acabou.

Ontem, foi o sexto dia de deliberações, e desde quinta o juiz já estava alertando os jurados que deveriam pensar melhor e para que todos aqueles que estivessem em dúvida que reconsiderassem suas opiniões. E foi assim que pouco depois do almoço saiu o veredicto de inocente. Na corte os presentes comemoravam, os irmãos abraçados choravam, a promotoria fechou a cara (tanto que se recusou a falar com os canais de televisão que estavam de plantão na porta do tribunal). Por mais de uma hora ele falou com repórters em três idiomas, recebeu ligações de amigos, parentes, outros chegavam correndo para festejar. Consegui conversar com ele mais um pouco quando ele já ia para o carro. Contou que o Penkse estava com o carro n3 pronto, que não via a hora de chegar lá (o jatinho da equipe estava vindo para levá-lo à California), e que agora era bola pra frente. O melhor foi quando tentaram convencê-lo de escalar uma grade para comemorar, ele bem que estava cogitando ir, mas o advogado (sim o mesmo!) mais uma vez disse que não. Naquele burburinho tocou o telefone e era a revista People ligando (afinal o sucesso dele no Dancing with the Stars foi impressionante, lembro de centenas de pessoas no autódromo com camisetas “I voted for Helio” – eu votei no Helio), no outro era a Radio Bandeirantes, e todos apressando para que ele entrasse no carro.  E assim um pouco depois das 3 da tarde no final da sétima semana de julgamento ele deixou o District Court de Miami pela última vez. Existe um burburinho que talvez eles processem o governo civilmente, pelo menos foi o que deixou a entender a declaração do advogado que quando estava saindo disse: Bye for now!

Confesso que fui daquelas que disse que infelizmente com certeza ele ia ser preso, afinal aqui teoricamente o governo não falha e quando te processam por sonegação de impostos estás perdido. Mas também confesso que nesses dias que estive no tribunal vi de perto a sinceridade de Helio e a vontade que ele tem de voltar a correr, e vi também o quanto ele não tinha idéia o que estava acontecendo e como ele tinha ido parar lá. Vão dizer que era tudo fingimento, mas eu o vi cumprimentar guarda por guarda, sim os brutamontes interrogadores, falar com todos que se aproximavam, e mesmo no auge da intranquilidade quando os advogados pediam que ele não falasse com os repórteres, ele ia lá e dava uma declaração por mais sucinta que fosse. Eu já tinha tido contato com ele no autódromo aqui em Miami e posso dizer que ele é alguém que me tratou igual quando estava lá cima e agora quando estava lá embaixo.

O governo não pode voltar a processá-los pela sonegação de impostos (Double Jeopardy é o termo, você não pode ser julgado duas vezes pelo mesmo crime, lembram do filme da Ashley Judd?) mas a acusação de conspiração se mantém até que o governo decida se vale ou não a pena recomeçar um julgamento só por isso, ainda mais agora que o alicerce da acusação foi desacreditado.

Minhas visitas à corte renderam três colaborações para a Folha de São Paulo. Se não tiverem lido ainda me avisem que eu mando para vocês (eloisa@f1girls.com.br). E em outubro quando tiver corrida por aqui conto se ele continua igual!


Hamilton e Vettel concorrem a melhores do ano

17/04/2009

Com a McLaren ainda tentando  arrumar uma forma de sair do atoleiro, Hamilton parece só ter forças para buscar bons resultados fora das pistas da Fórmula 1. O pupilo de Ron Dennis está concorrendo ao Laureus Award como Esportista do Ano. São seus rivais o tenista Rafael Nadal (número 1 do tênis mundial), o velocista Usain Bolt (recordista mundial no atletismo), Michael Phelps (sensação nos Jogos Olímpicos em Pequim), o jogador de futebol Cristiano Ronaldo e o piloto da MotoGP Valentino Rossi.

Sebastian Vettel concorre na categoria de Surpresa do Ano por ter se tornado o mais jovem piloto a vencer um GP de Fórmula 1. São adversários do nosso xodó, a tenista Ana Ivanovic (vencedora de Roland Garros e número 1 do mundo por nove semanas em 2008), Rebecca Adlington (que começou o ano como desconhecida e conquistou a medalha de ouro nos 400 e nos 800 metros livres na Olimpíada), o tenista Novak Djokovic (vencedor do Aberto da Austrália ano passado), Anthony Kim (vencedor de torneios de golfe nos EUA) e Zou Kai (debutante na ginástica olímpica com três medalhas de ouro). Hamilton foi o vencedor desta categoria na edição anterior.

A organização do evento informou que a cerimônia de entrega dos prêmios será individual em Maio e Junho de forma simples por conta da crise econômica.

Assim, sem querer ser chata e já sendo, eu acho que nenhum dos dois ganha. Eu votaria no Bolt e no Zou.


“Holy shit!”

09/04/2009

Créditos: Fabio Seixas que creditou Nelson Marchesin, de Americana.

Mohammed Bin Sulayem, fazendo uma demonstração de “como não guiar um F-1″, hoje, no autódromo de Dubai.

Em plena reta ele conseguiu essa proeza… imagina um trecho complicado? Capote na certa! Prêmio Masters of Disaster especial pra ele!!


FIAsco!!

06/04/2009

A manchete: Bernie Ecclestone garante: ‘Corridas no fim da tarde continuarão’

A declaração: – Não vejo nada de errado com o horário da largada, nós só não sabíamos sobre a chuva.

A Campanha:
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Eu apoio, e você?


Como é o negócio??!

20/03/2009

A notícia já é “velha”, mas pelo corre-corre só li com mais cuidado hoje. O que é essa novidade da FIA em o campeão ser quem tem mais vitórias?

Concordo com o Briatore quando ele diz que isso vai estimular os pilotos, porém, como é que faz sentido ser campeão com menos pontos que outro?

Se algo deveria ser alterado, isso seria o sistema de pontuação atual para o antigo 10-6-4-3-2-1. Teríamos uma vitória valorizada, estimularia os pilotos, sem essa coisa esdrúxula de que pode haver um campeão que tenha pontuado menos.

E ainda não estou acreditando que para definir o campeão vão contar o número de vitórias, mas do 2º ao último lugar o que vai continuar valendo é sistema de pontuação. Dois pesos, duas medidas?

Fico imaginando como esse pessoal consegue essas ideias fantásticas… ¬¬


Eu não acredito em Papai Noel

12/03/2009

Estava lendo o noticiário dos últimos treinos da Fórmula 1 por estes dias e lembrei na hora de uma música do John Lennnon. Chama-se God e lá ele elenca um monte de coisas e pessoas nas quais ele não acredita.

Há várias coisas nas quais eu não acredito.

Uma delas é este desempenho fantástico que a Brawn GP anda tendo.

Está parecendo bom demais para ser verdade.

E você, o que tem achado disso tudo?


Reviravolta: Bruno sai, Barrichello volta

03/03/2009

A novela continua.

Esqueçam o blá blá blá sobre crise financeira rondando as equipes e patrocinadores da Fórmula 1. O tititi de maior audiência (ao menos aqui no Brasil) tem sido aquele envolvendo Honda e o que sobrou dela x Bruno Senna x Barrichello.

O martelo parecia estar batido, mas o “autor” da história resolveu lançar mão de um elemento novo e o final da história parece que não será aquele divulgado e esperado por parte do público.

Aqueles que parecem os novos mandatários da antiga (ou será nova?) Honda resolveram mexer os pauzinhos e deram uma vassourada na cúpula da equipe.

Resultado 1: Bruno Senna está a ver navios depois que uma reunião com a escuderia foi cancelada e os rumores mais fortes são de que Barrichello voltou ao páreo.

Resultado 2: O sobrinho de Ayrton aparentemente não tem onde correr este ano (apesar de alguns cogitarem a DTM para ele), uma vez que ele fechou as portas para a GP2 apostando na Fórmula 1 e Barrichello deve adiar a decisão de correr pela Stock brasileira.

Mas enquanto nada é divulgado oficialmente a gente segue na contagem regressiva para o início da temporada, na torcida para que os blá blá blás acabem logo para a gente poder ver mesmo o que interessa.


Fim da novela Bruno Senna? Acho que não

16/02/2009

A Folha de São Paulo e a revista Autosprint informam que Bruno Senna fechou acordo com a Honda (ou o que restou dela) para disputar a temporada 2009 de Fórmula 1. Fim da novela? Sinceramente, acho que – em se confirmando o que já parece ser um fato consumado – aí é que o folhetim estará só começando. Personagens de todos os tipos, destes que povoam as ficções mais famosas não faltarão. E, claro, sobrará drama, fofoca, gotas de maldade e muitos outros elementos. O primeiro delas é a emoção.

A emoção de rever o sobrenome Senna nas pistas. Emoção diferente daquela experimentada pelos fãs que se deleitaram com um novo Piquet. O fato de Bruno tornar-se um piloto da categoria mais famosa do automobilismo mundial no ano no qual se completam 15 anos do trágico acidente que vitimou o tio e fez com que o próprio Bruno interrompesse a carreira já garante à notícia um espaço a mais nas manchetes de sites, jornais, revistas e chamadas de rádio sejam eles veículos especializados em automobilismo ou não.

A pouca experiência de Bruno, o sobrenome famoso e a condição aparentemente precária da equipe para a qual ele irá correr ajudarão a, na minha opinião, transformar a novela em um drama sem paralelo na história da Fórmula 1. A curiosidade em torno do seu desempenho talvez atraia torcedores afastados da categoria e é provável que “decepção” seja uma palavra tão corriqueira quanto os possíveis problemas nos GPs disputados por sua escuderia.

Não me surpreenderá se os “entendidos de plantão” cismarem em ressuscitar o racha Piquet x Senna entre os torcedores e injetarem um elemento totalmente desnecessário na luta pela sobrevivência e por bons resultados dos herdeiros dos tricampeões, como se ambos duelassem pelo coração de uma bela jovem e apenas um pudesse ficar com ela. Levando-se em conta que a “bela jovem” em questão não é nada mais nada menos que a própria torcida brasileira e que em muitos momentos de bela ela não tem nada (vide o tratamento dado a Barrichello, agora aposentado pela contratação de Bruno), os dois precisarão estar bem concentrados para tentar não cair nessa armadilha.

Que a idade “avançada” e a crescente necessidade de Bruno de entrar na Fórmula 1 pesaram para ele encarar a categoria tendo a Honda como parte de seu cartão de visitas, eu não tenho dúvidas, mas temo por ele ter dado um tiro no próprio pé.

Vejamos então o que acontecerá nos próximos capítulos!


Pára tudo

27/01/2009

Não sei quanto a vocês, mas sempre achei que quem tem o poder de mudar aquilo que a gente conhece e gosta há tanto tempo devia nos pedir licença antes de promover alterações bruscas e significativas. Já não bastava transformarem a Turma da Mônica numa espécie de Barrados no Baile em quadrinhos, onde até o Cascão toma banho, vem o povo da McLaren Mercedes e anuncia que o Ron Dennis está fora??!?!?!??!

Ok, ele não é piloto e se envolveu naquele escândalo lá da espionagem, isso sem falar no quiprocó com o Alonso, mas eu levo um certo tempo para me acostumar/aceitar o fim de certas referências na minha vida.

Como se não bastassem as ausências de gente que tem história na Fórmula 1, o que não falta é notícia de montadora em crise com chance de fechar sua equipe (os rumores mais recentes envolvem a Renault). Aliás, sua só não. Nossa também, que estamos ali sempre de olho nelas, quase que como uma mãe zelosa de olho para ver se o filho está andando nos trilhos.

Está parecendo aquele jogo do Resta Um.

Se duvidar, eles estão mais ansiosos do que nós para que comece logo a temporada – desta forma, eles podem ocupar a mente com outra coisa que não seja “apenas” crise financeira.


Voltamos com a programação normal

15/01/2009

Passadas as compras e as festas de final de ano…

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(James!)

… onde a gente acaba entrando no clima de confraternização…

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(Dea, V e eu no aniversário dos meus sobrinhos)

… cá estamos de volta!

Perdão a todos que acabaram entrando no site e não se depararam com a costumeira atualização, mas não faltou coisa pra nos ocupar por estes dias. Elo, por exemplo, foi parar em Dubai e Miss Pitlane está em terras inglesas neste momento.

Muita coisa aconteceu enquanto estivemos ausentes, então, vamos a um balanço rápido e geral do que rolou na Fórmula 1.

Comecemos, pois, pelo noticiário econômico.

Depois da criatividade e dos resultados, foi a vez do dinheiro sumir da Honda e a equipe viu seu mundo desmoronar. Apesar de ainda haver negociação para ver quem vai lançar um pacote de ajuda financeira à escuderia, a pouco mais de dois meses do início da temporada o pátio da montadora continua lotado mas os pilotos Jenson Button e Rubens Barrichello estão a pé.

Bruno Senna, que tinha esperanças de firmar parceria com a empresa que investiu em seu tio nos anos 80 e início dos 90, e Lucas Di Grassi – que chegaram a disputar uma vaga para trabalhar na firma dos japoneses, ainda buscam vaga no conturbado e restrito mercado de trabalho.

Para quem viu grids de largada com muito mais de 22 carros, a notícia foi mais do que lamentável.

Enquanto isso, a Toyota acabou de divulgar a renovação de seu contrato de patrocínio com a Panasonic até 2012 e lançar o carro novo pelo site dela.

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(foto do site oficial da Toyota)

Até a Ferrari apelou para a rede mundial de computadores para apresentar a F60 sem toda aquela pompa de outrora!

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(Divulgação)

É, amigos, parece que alguém puxou o freio de mão dos tempos de fartura desenfreada na Fórmula 1.

Ou não?

Bom, enquanto isso, segue de vento em popa, a venda dos ingressos pro GP Brasil. É, este ano a organização resolveu adotar algumas políticas, que são comuns lá fora, para a comercialização das entradas do maior evento esportivo do Brasil. Além da antecipação do início das vendas, também haverá diferença de preço (pagará mais caro quem deixar para comprar na segunda leva – a partir de maio).

Apesar do aperto no bolso, o fã da categoria que vai pros setores A (na subida para a reta dos boxes), B (em frente à largada), D (S do Senna) e M (em frente aos boxes) já esgotou os ingressos para estas áreas. Se o dólar sobe ou desce conforme as notícias vão saindo no mercado financeiro, o fator Felipe Massa fez disparar o índice de interesse pela Fórmula 1.

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(site oficial do GP Brasil)

Sinal de casa cheia em outubro lá em Interlagos.

Como diria aquele final clássico de desenhos animados, “that’s all, folks”.

Por enquanto.


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