Pois é, não se pode ganhar sempre (a não ser que você seja Vettel e a RBR). Depois dos divertidíssimos GPs de Monte Carlo e Montreal, a corrida de hoje em Valencia foi chata. Mas muito chata. Chata demais. Não consigo imaginar outra corrida tão modorrenta até o final da temporada, ainda que Vettel assegure o título, sei lá, em Monza. A chatice foi tão grande que, se descontarmos Michael Schumacher que, como disse a Gil, “bateu em sei lá quem e perdeu o bico do carro”, ninguém fez nada que merecesse que levantássemos a cabeça do travesseiro (a vítima do Dick Vigarista foi o pobre Petrov).
Espero sinceramente que tirem esse GP de mentirinha do calendário do ano que vem. Valencia me parece uma tentativa pra lá de frustrada de criar uma nova Monte Carlo, com sua paisagem deslumbrante e o azul do Mediterrâneo. Só que a corrida em Mônaco tem charme, estilo, tradição – fora que tem sempre um ou outro que entra com tudo no túnel e ou não sai, ou sai com o carro espatifado – e a de Valencia é entediante, artificial, cansativa. Ninguém abandonou a prova hoje; como assim? Hamilton não conseguiu jogar ninguém no muro? Liuzzi e Trulli não arrancaram aerofólios alheios? Só mesmo em Valencia.
A coisa foi tão séria que as F1 Girls tiveram dificuldades em dar seus votos para os melhores e os piores da prova. Para mim, houve apenas um destaque: Fernando Alonso, que perdeu momentaneamente a posição de largada para Felipe Massa mas deu o troco rapidamente e não se intimidou com o ritmo das RBRs, que lideravam. Na volta 21, ele finalmente ultrapassou (lindamente, a propósito) o australiano, e apesar de ter caído novamente para terceiro depois de trocar pneus, recuperou a posição a dez voltas do final e levou a Ferrari para o pódio, para delírio da torcida espanhola. Só de ter colocado a Ferrari entre as duas RBRs, (mapeamento de motor? que mapeamento de motor), o asturiano já merece os parabéns, mas fez uma corrida agressiva, e abriu uma vantagem de mais do dobro de pontos para Massa no campeonato.
Massa foi o Massa habitual: não fez nada digno de nota (ok, ele largou bem, mas foi logo neutralizado por Alonso). Os teóricos da conspiração podem espernear e dizer que a Ferrari sempre erra nos pitstops do pobre brasileirinho, bla bla bla, mas o fato é que ele tem a sina de Mark Webber: nasceu pra ser segundo piloto, e não tem como competir com Alonso. A situação na McLaren é diferente: Button e Hamilton são dois grandes pilotos de estilos distintos. Mas Webber e Massa não chegam nem perto do talento de Vettel e Alonso, por mais que certos comentaristas de TV afirmem o contrário (e nessas horas sinto uma saudade absurda da transmissão da BBC inglesa…). Barrichello continua perdido pelo meio do grid, coitado. A situação do Brasil na F1 é de dar pena. Não é de admirar que a F-Indy esteja atraindo mais atenção, com os já consagrados Helio Castro Neves e Tony Kanaan e a atração da presença de Bia Figueiredo.
Mas digresso. A próxima prova é em Silverstone, que sempre é interessante (tomei um dos maiores banhos de chuva da minha vida lá em 2008 e vivi um dos meus dias mais felizes), e a pergunta agora parece ser com quem vai ficar o vice-campeonato, porque baby Vettel tem nada menos que 77 pontos de vantagem para Jenson Button e parece tarde demais para Alonso reagir.
E só pra dar uma cutucada nos admiradores de Schumacher: Rosberg terminou em sétimo, e o Dick Vigarista dez posições atrás. Não está na hora dele largar o osso e ir cuidar dos filhos na Alemanha?
Classificação oficial:
1. Sebastian Vettel (ALE) – Red Bull – 1h39min36s169 (57 voltas)
2. Fernando Alonso (ESP) – Ferrari – +10s8
3. Mark Webber (AUS) – Red Bull – +27s2
4. Lewis Hamilton (ING) – McLaren – +46s1
5. Felipe Massa (BRA) – Ferrari – +51s7
6. Jenson Button (ING) – McLaren – +60s0
7. Nico Rosberg (ALE) – Mercedes – +98s0
8. Jaime Alguersuari (ESP) – Toro Rosso – a 1 volta
9. Adrian Sutil (ALE) – Force India – a 1 volta
10. Nick Heidfeld (ALE) – Renault – a 1 volta
11. Sergio Perez (MEX) – Sauber – a 1 volta
12. Rubens Barrichello (BRA) – Williams – a 1 volta
13. Sebastien Buemi (SUI) – Toro Rosso – a 1 volta
14. Paul di Resta (ESC) – Force India – a 1 volta
15. Vitaly Petrov (RUS) – Renault – a 1 volta
16. Kamui Kobayashi (JAP) – Sauber – a 1 volta
17. Michael Schumacher (ALE) – Mercedes – a 1 volta
18. Pastor Maldonado (VEN) – Williams – a 1 volta
19. Heikki Kovalainen (FIN) – Lotus – a 1 volta
20. Jarno Trulli (ITA) – Lotus – a 2 voltas
21. Timo Glock (ALE) – Virgin – a 2 voltas
22. Jerome D’Ambrosio (BEL) – Virgin – a 2 voltas
23. Vitantonio Liuzzi (ITA) – Hispania – a 3 voltas
24. Narain Karthikeyan (IND) – Hispania – a 3 voltas
Escrito por Viviane 


