“Em defesa de Barrichello”

19/10/2009

Não tenho tido muito tempo para acompanhar as notícias sobre a F1 ultimamente, mas, com o campeonato decidido, resolvi ver o que a imprensa especializada anda dizendo por aí.
Encontrei esse ótimo texto do Flavio Gomes que sai em defesa do Barrichello, porque aquela campanha “vamos secar o Button” foi uma das piores coisas que já vi na cobertura esportiva da Globo nos últimos anos…


Button é o campeão da F1 em 2009

18/10/2009

Não deu para Rubens Barrichello. Apesar da reação empolgante na segunda metade do campeonato e de ter largado hoje na pole position enquanto Button era apenas o 14º, Rubinho viu o sonho de se tornar campeão da Fórmula 1 ser adiado novamente. Hoje, como em quase todas as outras 15 corridas do ano até agora, tudo deu certo para Jenson Button e ele se consagrou o 10º piloto britânico a conquistar o título da mais famosa categoria do automobilismo mundial.

Na largada, Barrichello manteve a liderança e Button passou incólume pelos vários acidentes como aquele que envolveu Trulli e Sutil (que fizeram “desaparecer” a segunda fila e quase saem no braço pela “brabeza” do italiano) e Fernando Alonso. Eles foram os primeiros a abandonar a prova em Interlagos.

Muitas ultrapassagens também marcaram o movimentado início do Grande Prêmio, , que ainda contou com o (mais um e por que não dizer já tradicional?) incidente com uma mangueira de reabastecimento. Desta vez, foi Kovalainen quem viveu seu dia de Albers. O erro da McLaren acabou envolvendo outras duas equipes: a Brawn GP, que ajudou a retirar a mangueira do carro da concorrente parado à frente de seus boxes, e a Ferrari, que se assustou o bólido de Kimi Raikkonen ser atingido pelo combustível esguinchado e pegar fogo rapidamente, mas sem consequências graves.

Tudo isto acabou beneficiando Button, que viu novas posições caírem em seu colo. Aliás, que se registre aqui, no entanto, a garra de Button. Hoje, ele mostrou a vontade que manteve escondida atrás da administração dos pontos. Destemido, partiu para cima dos adversários. Correu riscos calculados mas não se acovardou lá atrás.

O primeiro título de sua carreira ficou cada vez mais perto a partir da 21ª volta, quando Barrichello fez o primeiro pit stop, perdeu posições e o rendimento do carro caiu consideravelmente. Dali em diante restava torcer pelo milagre da chuva, por uma batida ou abandono de Button. Nada disso aconteceu.

Webber venceu, Kubica subiu ao pódio em 2º e Hamilton foi o 3º. Vettel, que ultrapassou a soma de pontos de Rubinho, foi o 4º. Atrás dele, o novo campeão do mundo recebeu a bandeira quadriculada agitada por Felipe Massa. Rubinho cruzou a linha de chegada em 8º e aplaudiu o título do inglês.

De novo, Interlagos viu um britânico comemorar mais que um brasileiro. Um britânico que há menos de um mês do início da temporada estava desempregado e a equipe de ambos sequer existia. Um ano histórico, sem dúvidas.


Horário e pitacos pro GP Brasil

17/10/2009

Apenas lembrando aos navegantes que, com o início do horário de verão, a transmissão do GP Brasil será a partir do meio-dia para os estados do norte e nordeste.

Pros estados que adotam o horário de verão e devem adiantar seus relógios, a partir das 13h.

Pro pódio, chuto: Barrichello, Raikkonen (de presente de aniversário) e Sutil. E vocês?


2h42 depois…

17/10/2009

Chuva, chuvinha, muita chuva, chuva, mais chuva, chuvona, sol, chuvinha. Assim foi o treino classificatório, que teve tempo total de 2h42.

Pela manhã, o reduzido tempo da terceira sessão de treinos livres, com menos de 20 minutos, devido à chuva, já demonstrava o mau humor do clima paulistano. Escapadas, rodadas… Emocionantes tanto quanto perigosas. E no qualifying não mudou.

A etapa do Q1 foi interrompida após poucos pilotos irem para a pista. Um deles, Fisichella, que acabou abandonando devido às condições ruins no asfalto naquele momento. Sem poder retornar, restaria-lhe rezar para que dez carros não melhorassem seu tempo (haja reza!), mas no reinício da sessão, ainda sob chuva, ele ficou na última colocação. No seu grupo de excluídos para a próxima etapa, Hamilton e Vettel.

O chove-não-molha (na decisão, não na pista) foi se estendendo e, diante do aguaceiro em Interlagos, o Q2 foi interrompido por mais de uma hora. Na volta, o destaque ficou para Button, que não conseguiu melhorar seu tempo e ficou na 14ª posição.

Depois de um solzinho tímido sobre o autódromo, o Q3 começou. Ainda houve algumas saídas de pista, mas os minutos finais, novamente regado por São Pedro, foram bem disputados, alternando a primeira colocação entre Trulli, Rosberg e Barrichello. No último minuto, Webber provisioriamente ficou na pole, mas acabou perdendo o primeiro lugar para o brasileiro da Brawn GP.

O encerramento da sessão foi bastante festejado. Nos boxes, pela família Barrichello. Nas arquibancadas, pela torcida.

Se o grid não mudar muito até o final da corrida, a decisão fica para Abu Dhabi, pois Rubinho conseguiria descontar 10 pontos de Button, ficando distante apenas 4.

Grid de largada

1 R.Barrichello
2 Mark Webber
3 Adrian Sutil
4 Jarno Trulli
5 Kimi Räikkönen
6 Sébastien Buemi
7 Nico Rosberg
8 Robert Kubica
9 Kazuki Nakajima
10 Fernando Alonso
11 Kamui Kobayashi
12 J.Alguersuari
13 Romain Grosjean
14 Jenson Button
15 Vitantonio Liuzzi
16 Sebastian Vettel
17 H.Kovalainen
18 Lewis Hamilton
19 Nick Heidfeld
20 G.Fisichella


Enquanto isso, lá em Interlagos

17/10/2009

Ontem fui acompanhar a sessão de treinos livres em Interlagos. Abaixo, o que vi, vivi e ouvi.

A ida

Optei pelo transporte público. Vale lembrar que trem é devagar e não passa um atrás do outro, como metrô, mas ainda assim vai mais rápido que a Marginal Pinheiros em vários momentos do dia. A estação Autódromo fica a 600m do portão G e lá dentro é a única vez em que se vê uma sinalização (o nome do autódromo, a setinha para a saída e pronto). No caminho, guie-se por mapas, GPS, bússola, assistência divina, informações dos policiais ou, se for um horário de maior movimento, siga a multidão. Na sexta, não foi possível essa última alternativa, pois tinha pouca gente por ali).

Na frente do portão G, tem um mapa desexplicativo. Justifico: tinha um desenho do circuito (algo como este abaixo), com a indicação dos portões. Mas o que desnorteava o usuário é que havia várias indicações de “Você está aqui”. Imagino que role um momento de dúvida na pessoa: “Sou onipresente? Sou Deus? Estou no portão A e no G ao mesmo tempo? Como fiz isso?”, que só passa (para os mais atentos) ao notar que existe um “Você está aqui” maior que os outros. Numa lógica de mundo animal, o quadrado grandão vence os menores, e acaba por convencer a localização do indivíduo. Para quem sofre de síndrome de múltiplas personalidades, talvez signifique que a
personalidade dominante esteja no portão G e as outras, fracotes, espalhadas pelo A, F, V etc.

F1 Girls

Bom, aceitei que estava no G, mas não consegui entender se o S (meu destino) era para a direita ou para a esquerda. O mapa era muito alto, confuso e não estava na mesma orientação que eu. Perguntei para um policial, que gentilmente me explicou. Quando estava chegando próximo a ele, ouvi uma conversa de seus colegas, dizendo que faltava sinalização ali e que eles passaram boa parte do dia prestando informações (já dizia a música: “Polícia para quem precisa”).

Depois de andar um bocado, passando por ruas, subindo e descendo calçada (sim, porque meus conterrâneos paulistas fazem rampas para entrar nas suas garagens e não estão nem aí para os pedestres. Então, caminhar em São Paulo é como uma corrida de obstáculos a cada meio metro), eis que cheguei ao portão. Finalmente, lá dentro, vi sinalização. Agora que já estava lá dentro? Que seja. Objetivo cumprido, queria logo ver os carrinhos queridos. :)

Segurança

Vi uma boa quantidade de policiais que, imagino, deva aumentar bastante no sábado e no domingo, mas não me senti segura andando pelas redondezas do autódromo. Imagino que para um turista, principalmente estrangeiro, deva causar bastante medo. Muitos vendedores ambulantes, cambistas, pessoas de condições econômicas bem limitadas que olhavam incansavelmente, residências carecendo urgente de reforma… um cenário bem intimidador, lamento.

Eu e meu acompanhante não passamos por qualquer ponto de revista. Estávamos com mochilas grandes. Na minha tinha um guarda-chuva, uma necessaire (que, na correria, me esqueci de tirar) com lixa de unha de metal, grampos para cabelo, perfume, maquiagem, até um alfinete, desodorante em spray… Tinha também uma garrafa de 600ml de refrigerante, maçã, suco de caixinha com canudo, canetas, fone de ouvido, agenda… Enfim, eu poderia agredir/matar alguém lá na arquibancada das mais variadas formas. Por spray nos olhos, enforcamento, corte na jugular e ainda poderia passar meu batonzinho e sair de lá produzida para a night tranquilamente. Errei em levar tantas coisas, claro, mas foi realmente por distração e muita pressa. Ganhei o ingresso já na sexta-feira e tive que atravessar a cidade para buscá-lo.

Visual

A arquibancada S oferece uma boa visão do autódromo, apesar de oposta (e por isso não mostrar) a reta dos boxes, que é onde geralmente as coisas mais acontecem. Fica bem em frente a uma curva, o que é bem interessante na hora de filmar ou tirar fotos. O espectador vê o carro bem de pertinho, no final da reta oposta, até longe, no alto, na subida dos boxes. É bem interessante ver a variação de velocidade e ouvir a sinfonia (uia!) de sons dos motores acelerando e reduzindo.

Fiquei surpresa com a pintura da Renault. Sempre a achei feia, mas de longe é a mais reluzente. Bom, o vermelho-Ferrari e a flecha de prata (McLaren) são clássicos. Não contam. ;)

O público

Algo que me impressionou bastante foi o comportamento das pessoas. Segunda sessão de treinos rolando, uma senhora à minha frente entretidíssima com suas palavras-cruzadas, um senhor no notebook navegando no site de um banco, muitos saindo da arquibancada e voltando com copos de cerveja, uma mulher (que não deve saber nem que Ferrari é vermelha) que não olhou uma vez sequer pra pista e ficou andando pra lá e pra cá atrás de um menino pequeno que insistia em correr (seria a mãe ou a babá? agora penso), uma moça dormindo no colo do namorado e uns que ficavam em pé, atrapalhando a visão de quem estava comportadamente sentado, observando os carros e os monitores (alguns exibiam a transmissão para a TV e outros a tabela do live timing). Penso que, se lá estava tão pouco interessante, deviam ter ficado em casa, não? Quanta gente, que gosta de verdade de automobilismo, gostaria de estar lá e apreciaria devidamente o evento! A filosofar.

A sessão de treinos, que é o que interessa mesmo! :)

Dominio da STR e RBR em 90% ou mais do tempo. Buemi figurou o tempo da lista por vários e vários minutos. Os carros ficaram bastante na pista, dando mais de 30 voltas (uns quase chegaram em 50), e aquele que menos andou, Alonso, com 27, fez o melhor tempo. Treino de sexta geralmente não quer dizer muito, mas coincidentemente fez com que, nos meus resultados (meus, olha!), toda vez que vou a um autódromo, o espanhol fica na primeira colocação. Aconteceu isso em dois treinos livres, em um oficial, em uma corrida e em um campeonato. Seria eu um amuleto? rs :P

Faltando uns 30 minutos, pouco menos, começou a garoar, bem fininho mesmo, os carros voltaram aos boxes, ficaram um pouco por lá, mas ainda retornaram para o final da sessão. Algumas derrapadas breves, mas no ponto em que estava, ninguém saiu da pista. Teve até umas ultrapassagens, mas porque uns estavam no aquecimento e outros na volta rápida. De qualquer forma, legal de ver, pois sempre é preciso atenção diferenciada dos pilotos nesse momento.

Reparei, então, que Fisichella constava como fora dos boxes no live timing, mas não passou à minha frente. Pouco depois, a TV mostrou que seu carro estava parado do outro lado do circuito. Meia hora depois do término do treino, passou o caminhão-guincho com a Ferrari. Velocidade baixinha, bom pra ver aquela belezura :) nos detalhes. Regalo para a torcida.

Áudio e vídeo

A locução no autódromo é feita pela Band News/Rádio Bandeirantes. As participações da Bárbara Gancia são sensacionais! Ela tirando sarro do Grosjean foi hilário (você pode segui-la no Twitter. Ela é ótima, muito engraçada e inteligente).

Os monitores são bons e a distribuição é satisfatória. Além disso, uns exibem o live timing e outros o que passa na TV. O porém é que eles ficam em estruturas muito sensíveis e quando as pessoas andam próximas a eles, eles tremem bastante.

A volta

Saí do autódromo de carro (carona com meu amigo) e estava péssimo o trânsito! Para chegar até a Marginal Pinheiros, que fica bem perto dali, foi mais de meia hora. Lição: nunca, nem na sexta, vá de carro para lá.

Fotos

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Sinalização na entrada do portão Z

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Sinalização no chão para o caminho até as arquibancadas S e V

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Entrada da arquibancada S

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Eu, minha Melissinha (calçado bom para dias chuvosos e para longas caminhadas - fica a dica), e a arquibancada

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Visão da arquibancada S, detalhe da curva

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Visão da arquibancada S. Lá no alto, a reta dos boxes

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Visão da arquibancada S e as curvas de baixa, na parte superior

E foi isso. Pode ter um detalhezinho chato aqui ou ali, mas acompanhar a F1 in loco é sempre especial. Gosto muito! :)


15 down, 2 to go

15/10/2009

Eis que chegamos à penúltima prova da temporada. Uma temporada que se esperou muito, talvez devido às mudanças (aerofólios, difusores…) e que, pra mim, acabou decepcionando…

Enfim, estamos na semana pré-GP Brasil e a pergunta é: será que dá Button? Ou Barrichello e Vettel conseguem adiar para Abu-Dhabi?


GP Brasil: agora só com R$1.440

25/03/2009

É isso! Amanhã, os motores voltam a roncar na Fórmula 1 (e se você tiver acesso ao Sportv, lembre-se que o canal vai transmitir os dois primeiros teinos livres). A gente já respira com mais intensidade tudo o que envolve o mundo da F1 e aí fui dar uma espiadinha no site do GP Brasil para ver se o setor que andava namorando ainda tinha ingresso, já que o setores mais populares e o meu amado Setor B estavam com lotação esgotada.

O local em questão era o Setor F, com vista para a descida do S do Senna, da saída dos boxes e reta oposta. Como o danado custava R$ 994 reais pelo acesso aos treinos de sábado e à corrida no domingo e não tinha se esgotado rapidamente como os que citei aí em cima, tinha esperança de que poderia comprá-lo. Pois é. Eu tinha.

GP Brasil in loco agora só pra quem puder pagar, pelo menos, R$1.440,00 por dois dias no Setor V (final da reta oposta) ou R$2.120,00 pelo Setor E (final do S do Senna). A menos, claro, que você tenha outras formas de entrar, o negócio vai ser ver pela TV novamente. Buaaaaaaaaaaa


A síndrome da última volta

03/11/2008

Lá pelos idos de 1986, quando o Ayrton ainda estava no comecinho da carreira e eu, então com 14 anos, já roía as unhas em frente à televisão nos domingos, encontrei uma menina paulistana na quadra do colégio. Ambas recém-chegadas a Recife (eu vinha de Campo Grande), ambas ainda tentando se adaptar na cidade/escola nova, eu e a Marcia descobrimos algo mais em comum: a paixão pela Fórmula 1 – e por um certo Senna, que, em plena época Piquet, ainda era apenas uma promessa. Entre vários amigos “Piquetistas”, nós dávamos a nota do contrário – batíamos o pé e sustentávamos: “o Ayrton é muito melhor!” E estávamos certas.

Não me lembro qual foi o GP, nem qual foi a situação. Mas um dia, conversando sobre uma corrida, a Marcia comentou que a última volta era sempre a pior da prova. Não importava se o piloto para quem você estava torcendo estava na frente, no meio do pelotão ou lá atrás: tudo pode acontecer naquele minuto e meio. Tudo. Motores estouram, a gasolina acaba, o pneu arrebenta, o piloto erra, algum maluco vem de trás e causa um acidente. Quando você torce, a última volta é a mais cruel. E nós passamos por isso tantas vezes. Naquele GP do Brasil, por exemplo, em que o Ayrton só tinha a primeira e a sexta marchas, e quase não aguenta chegar à bandeira quadriculada. É um tremendo test-drive para o coração. É a “síndrome da última volta”.

Ontem, ao ser perguntada pelo repórter da Globo, durante a transmissão do GP, se eu estava nervosa, respondi com uma pequena explicação sobre a “síndrome da última volta” e, olhando de relance para a TV para ver quantas voltas faltavam, completei “agora, é a síndrome das 23 voltas”. Como a Gil bem disse, não era um caso de torcer contra o Massa. Eu torcia pelo Hamilton. Pela minha equipe do coração, a McLaren (a equipe do Ayrton, sempre). Sob os olhares espantados dos garçons, eu e a Gil – apoiadas pela Dea, que torce pelo Kimi desde criancinha, mas que ontem se juntou à nossa torcida – só queríamos que as coisas ficassem exatamente como estavam: Massa em primeiro, Hamilton em quinto. Um venceria em casa, outro levaria o título. Ambos merecedores.

Mal sabíamos nós o que viria pela frente, muito embora eu e a Gil tenhamos experiência com Interlagos sob chuva, onde tudo pode acontecer, e acontece – estávamos lá em 2003, quando o dilúvio interrompeu a corrida na 52ª volta, quando Alonso, terceiro colocado, não subiu ao pódio porque tinha ido pro hospital, e quando o vencedor Kimi teve que ceder o troféu a Fisichella no GP seguinte por causa daquelas regras complicadas que a FIA inventa. Ontem não foi diferente. E se eu não enfartei naqueles 38 segundos finais, meu cardiologista pode ficar descansado, porque eu não vou precisar mais dos serviços dele.

38 segundos. Quando o Vettel ultrapassou a McLaren – que visivelmente já não se aguentava muito bem na pista encharcada – eu apertei a mão da Gil e pensei “acabou”. O Hamilton não ia conseguir passar o alemão na subida. O carro não tinha condições. O restaurante inteiro aos berros, e eu parada em pé em frente à TV, incrédula. Mas enquanto todos comemoravam, eu e as meninas estávamos de olho na classificação. Massa em primeiro. Alonso em segundo. Não conseguíamos ouvir a narração da TV porque o barulho da torcida em volta era ensurdecedor. Kimi em terceiro (Dea, de tão nervosa, nem comemorou). Vettel em quarto. Hamilton em quinto… e minha ficha caiu: cadê o Glock? Eu poderia jurar que tinha visto o Hamilton ultrapassar alguém, e cheguei a achar que tinha sido o próprio Vettel, mas a Gil tinha apontado pro carrinho azul na frente da McLaren. Só que eu tinha me esquecido de que o Glock estava com pneus secos. No final das contas, a única pessoa da mesa que viu o que aconteceu foi o Expe, noivo da Gil, que assegurava que o Glock tinha errado ou escorregado – e não aberto pro Vettel e pro Hamilton passarem.

Justiça seja feita: Massa fez uma corrida impecável. Mas Hamilton provou, principalmente nas etapas finais do campeonato (se descartarmos aquela largada afobada no Japão), que amadureceu com o golpe do ano passado. Ter o título na mão e perdê-lo – logo no primeiro ano de F1 – deve ter ensinado ao inglesinho que às vezes esperar e ter paciência é a chave; e ontem, com um desempenho burocrático que passa longe, muito longe do estilo dele, Hamilton provou que aprendeu a trabalhar melhor sob pressão – embora ainda lhe falte um certo auto-controle. Mas ele só tem 23 anos. Isso foi só o começo.

E faltam 146 dias pra tudo começar de novo. E 2009 promete. Massa não vai deixar passar essa fácil, eu presumo. Kimi, espero, vai parar de hibernar. Alonso, ao que tudo indica, não está contente só com dois títulos. E com Kubica, Vettel e, possivelmente, Bruno Senna no grid, a temporada do ano que vem deve ser de arrepiar.

38 segundos. Um ponto. Uma curva. E é por isso que a gente ama tanto esse esporte fantástico.


A dor e a delícia de ser torcedor

02/11/2008

Quando você não tem condições de estar presente em um autódromo na corrida decisiva, você improvisa. No caso da gente que compõe a sucursal recifense das F1 Girls, a nossa arquibancada foi em uma das mesas em frente a uma das telonas do restaurante Estrela do Mar, na beira-mar de Olinda. Dea, vestida com a versão 2006 da camisa do nosso antigo blog; Viviane com uma blusa comemorativa da McLaren em homenagem a seus grandes campeões (e no caso dela, era a do Senna) e eu com aquela camisa branca com o duplo S do Ayrton.

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(Dea, apesar de torcedora de Kimi, hoje estava com a cabeça na McLaren)

Ao redor da mesa onde estávamos dividindo com Expe (meu noivo) – mas a uma certa distância – todo o restante da torcida brasileira. Nós não estávamos torcendo contra o Massa. Estávamos torcendo pelo Hamilton. No meio disso tudo, a Globo Nordeste para fazer matéria sobre a decisão do campeonato, e aquele nervosismo típico que bate na gente quando nós estamos ansiosos.

O toró que caiu minutos antes da largada foi comemorado por nós, porém porque acreditávamos que a largada seria com o Safety Car e a probabilidade de alguém botar o Hamilton pra fora de propósito chegava a zero. Mas o SC não foi necessário e prendemos a respiração quando todos os carros chegaram pela primeira vez no S do Senna.

Vimos que a corrida ia ser limpa ali, quando o Alonso meio que se afastou do inglês como quem quisesse deixar claro que ele não tinha a menor intenção, na prática, de ser pivô de algum lance decisivo para o campeonato. Algumas voltas depois, lá estava o Hamilton brigando com Fisichella (!!!!) pelo quinto lugar. Fomos só nós ou mais alguém também achou que os pneus dos carros de ambos iriam se enroscar e o pupilo de Ron Dennis ia cair fora da prova?

Depois disso, a corrida se arrastou. Sejamos honestos: a movimentação maior estava na cabeça dos torcedores e dos pilotos que podiam ser campeão. Quem estava “do lado do” Massa imaginava se algo não ia mesmo acontecer para que o Hamilton perdesse o título, garantido naquela sua quinta colocação. Quem “estava com” o Hamilton pensava faltava pouco para a consagração final. Na pista mesmo, não houve nada que me pareceu digno de registro além das saídas de Coulthard e de Nelsinho Piquet.

Faltando 23 voltas, pedimos suco de maracujá. No meu caso, porque os guardanapos já estavam acabando de tanto que os picotei. O zum zum zum de que a chuva viria começou a aumentar.

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(Tomando suco de maracujá para nos acalmar, perto do fim da prova)

19 voltas…

15 voltas….

10 voltas…

A chuva veio, sim, eu achei que Massa não conseguiria voltar em primeiro. Achava ser essa a melhor chance pro Hamilton, porque eu o via totalmente passageiro no carro. Mas o brasileiro tinha uma boa vantagem e não saiu da posição que lhe foi sempre de direito durante toda a corrida. Massa não tomou conhecimento dos demais adversários, guiou como campeão hoje e só não o foi por um quase.

Um detalhe.

Uma coisinha que foi deveras corriqueira ao longo da temporada: o erro.

Vettel, que passeou em Interlagos como se veterano o fosse, empurrou para o inferno o sonho de Hamilton a uma volta e meia do final (eu aliás, achei que aquela já era a última volta e aqueles os últimos metros).

Por todo o restaurante ouviu-se o grito de euforia da torcida brasileira, tão contido durante as 70 voltas anteriores.

“Brasil!”

“Massa!”

“É campeão!”

A vibração chamou a atenção dos cinegrafistas da Globo que focalizaram aquele pessoal e depois viraram-se para o nosso lado, onde, atônitas, tentávamos entender o que havia acontecido.

Não vou esquecer nunca da comemoração do cinegrafista quase que tirando onda da gente (o pessoal ficou meio indignado com nossa torcida), maaaaaaaaas… quando Massa passou em primeiro, todos enlouqueceram, nós ainda continuamos acompanhando a tela, porém incrédulas ainda. Eis que Expedito grita do meu lado que o Hamilton tinha acabado em quinto. Todas nós começamos a gritar quase ao mesmo tempo quando vimos a relação da posição de chegada dos pilotos e o restante do restaurante se calou.

Eu confesso que, por muito tempo depois, eu acreditei que o Glock abriu pro Vettel e pro Hamilton como se não tivesse a menor vontade de se meter na briga, quase tomando uma posição de retardatário na pista. Fiquei com a sensação de que se alguém me perguntasse: “você viu a decisão do campeonato?”, eu diria não. Porque realmente, eu não vi.

Você viu?

Focalizaram o Felipe Massa, a família dele enlouquecida e de repente aparece o Hamilton em quinto. Acho que ficamos tão entorpecidos pelo inesperado da situação ali, no finalzinho, que não vimos mais nada, como se os carros que ainda estavam na pista já estivessem volta de desaceleração.

Vibramos.

Comemoramos muito.

Mas deu pena do Felipe Massa.

O título do Hamilton veio da pior forma possível. Se ele não tivesse sido ultrapassado pelo Vettel teria sido menos dolorido pro brasileiro.

Mas o “se” não joga e quis o destino hoje, este sim, jogar com as emoções de todos que estavam acompanhando o GP Brasil.

Tanto todos nós que respiramos Fórmula 1 durante todo o ano como aqueles telespectadores de plantão.

Achei justíssimo o título do Hamilton, principalmente porque eu não ia aceitar o fato do Massa ser campeão por conta de ter uma vitória a mais, pelo simples motivo de que ia sempre fazer referência à vitória retirada de Hamilton e dada ao Massa.

Que eu acho o Hamilton melhor piloto que o Felipe, eu acho, contudo Massa deu a volta por cima este ano e se começar a temporada melhor em 2009 que foi este ano e em 2007, tem muitas chances de conquistar o título ano que vem.

A todos nós coube a felicidade de termos vivenciado um dos momentos mais emocionantes da história da Fórmula 1 seja em um restaurante, seja lá em Interlagos, seja na própria casa, na casa do vizinho, em cima de uma laje perto do circuito, seja no trabalho.

O resultado da prova foi ótimo para quem venceu (afinal, ri melhor quem ri por último), mas acho que vencemos todos nós que mesmo depois de anos e anos de marasmo sempre mantivemos nossos olhos atentos às pistas dos quatro cantos do mundo.

Que venha 2009, com muito muito mais!

Como o coração ainda está acelerado e está prestes a começar o replay da prova em compacto no Sportv, vocês me dão licença, mas vou dar uma saidinha.

Nos próximos dias, a gente vai publicar o histórico resumido da temporada deste ano para completar a seção História da F1, que temos aqui no site, entre outros tópicos.

Afinal, acaba de começar o período de abstinência e carros na pista agora só no final de março:(


Interlagos/2006

02/11/2008

A essa hora, em 2006, estávamos lá em Interlagos eu, Gil e Elo. Foi a primeira vez em que assisti um GP no autódromo.
Confesso que a experiência de madrugar, ir pro autódromo, voltar (putz, que lugar longe!!) foi bem cansativa (né, Elo? :P ), mas depois que você vai, a vontade é de sempre ser espectador.

Em 2006, vimos a aposentadoria do alemão…
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… vitória do Massa, sei lá depois de quanto tempo que um brasileiro não vencia por essas bandas. Mesmo não torcendo pra ele, foi legal ver um pivetinho pulando desesperadamente na minha frente.
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… e o, bastante comemorado por nós, bicampeonato do Alonso.
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Autoracing

Essa era a minha vontade hoje: estar lá. De preferência, com as garotas! ;)

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F1Girls em Interlagos/2006

Mas como esse ano não pudemos estar lá, a trupe de Recife estará reunida por aqui mesmo para conferir a última etapa do mundial. Por isso, não teremos atualizações logo após o GP (a não ser que a parte paulista ou árabe do blog dê algum sinal), só mais pro fim do dia! ;)