O fã de automobilismo que ficou acordado no meio da madrugada foi devidamente recompensado: a corrida australiana foi um grande exemplar de emoção e competitividade! Completamente oposta ao marasmo visto na etapa inicial, no Bahrein, o GP desta noite foi temperado com chuva, batidas e aquela velha contabilidade de duração de pneus e combustível.
Já na largada, Massa pulou para frente e Alonso foi direto para o final da fila, com uma rodada que ainda danificou a asa do carro de Michael Schumacher, fazendo com que o alemão fosse para os boxes. Mais atrás, Kobayashi escapou da pista e levou junto Hulkenberg e Buemi. Assim, o safety car precisou entrar, mas ficou por pouco tempo. Mesmo com dois dos grandes campeões lá atrás, a emoção não diminuiu em nada, pois havia o dilema de trocar os pneus para pista seca ou arriscar-se por mais algumas voltas. Button teve coragem e quase pôs tudo a perder, pois ainda não era possível dominar o carro nos trechos molhados. Enquanto isso, Webber fazia ultrapassagens diversas sobre o brasileiro da Ferrari (várias mesmo, porque ora errou na pista e perdeu posições, ora foi trocar de pneus) e Hamilton foi impulsionado por uma vontade e arrojo quase beirando a fúria, conquistando uma posição atrás da outra e dando show nas ultrapassagens e também nas tentativas de ultrapassagens.
Lá no pelotão do fundo, a formação, que ainda contava com uma ineficaz Mercedes de Schumacher, que ficou muitas voltas sem conseguir ameaçar, foi se desmanchando: saiu Trulli, Petrov, Senna, Sutil, Di Grassi… E a corrida foi novamente apimentada quando Vettel perdeu a liderança quase óbvia (já que seu histórico ao largar da pole é bem favorável para ele) e abandonou.
Neste ponto, mais da metade das voltas já haviam sido completadas, mas para o espectador parecia que poucos minutos haviam se passado. O único ponto ruim de GPs disputados é este: vai muito rápido.
Então, entrou naquela fase em que todo mundo começa a poupar o equipamento para resistir até o final. Daí o fã pensa: “Não tem jeito, ficou sem graça de novo. É sempre assim”. Mas Hamilton não nos deixou com essa impressão por muito tempo: encostando no seu grande rival, Alonso, tentou a ultrapassagem, escapou, e ainda atrapalhou Webber, que vinha em seguida.
Até aí, parece que a atração era o inglês do carro número 2, o australiano ou o espanhol, que havia conseguido ótima recuperação, mas lá na frente, Button tinha uma consolidada liderança, com tranqüilos segundos à frente do segundo colocado, que era, para surpresa de quem acompanha esta temporada, o polonês da fraca Renault: Robert Kubica. No contraponto, apagado, estava Schumacher, que finalmente conseguira ultrapassar Alguersuari – na disputa entre o piloto mais jovem e o mais velho da categoria, registremos. E ainda um sobrevivente Chandhok levava seu carango até quase o final da prova, faltando apenas cinco voltas.
E o pódio ficou com uma combinação bem inusitada, formada por Button, Kubica e Massa. Com o novo esquema de pontuação, 11 dos 24 pilotos já saíram do zero, sendo que Alonso, Massa e Button estão acima dos 30. Entre os construtores, a Ferrari abre 16 pontos de vantagem sobre a McLaren e 31 sobre a Mercedes. Em seguida, vem a Renault empatada com a tão aparentemente superior RBR.
E que fique o exemplo da etapa na Austrália, pois assim é bem mais fácil levantar no meio da noite!
Escrito por Pit 
