Quatro e trinta e nove da manhã, e espero que o meu computador (que anda mais pra Ferrari do que pra Brawn, se me permitem a piada infame) aguente o suficiente para o primeiro post da temporada. QUE CORRIDA!!!!!
Polêmicas à parte, o GP da Austrália de 2009 foi uma das melhores provas de abertura de que me lembro em muitos anos. Eu estava meio sonolenta no começo, mas dei um pulo da cama assim que vi o imbróglio que tirou o Kovalainen da prova (e posso parecer perversa, mas alguém sentiu falta dele? Definitivamente, a McLaren precisa de um segundo piloto com mais atitude), e acordei de vez quando vi o Nelsinho sendo arremessado pra fora da pista (aparentemente, por ele próprio).
Com uma McLaren fora e a outra se arrastando no final do grid, me conformei em engolir a torcida e me divertir com as disputas. E como é bom ver a F1 voltar a ser um esporte competitivo! Fazia muito tempo que eu não via tanta briga roda a roda, e embora aquele acidente entre o Kubica e o Vettel tenha sido causado por uma manobra precipitada do polonês, bato palmas pra um piloto que tem a coragem de colocar um terceiro lugar garantido em risco pelo simples desafio de ultrapassar. No começo da temporada, é um risco aceitável. E o momento Gilles Villeneuve do Vettel, tentando levar o carro de volta pro box com a roda quase caindo? Sensacional =D
O melhor de tudo: semana que vem já tem motores roncando de novo, na Malásia, que teoricamente favorece a Ferrari – mas a julgar pela performance nada merecedora de elogios da equipe de Maranello hoje, dá pra imaginar que Domenicalli e sua turma vão sofrer um bocado tentando chegar ao nível do time recém-nascido comandado pelo seu ex-diretor técnico. Aliás, não acredito em falcatruas da Brawn, não. Acho é que eles deram um golpe de sorte, herdando um carro que já estava em desenvolvimento pela Honda desde meados do ano passado, quando os engenheiros devem ter percebido que aquela carroça não prestava pra mais nada e jogado a toalha – e começado a pensar no modelo de 2009 muito antes de Ferrari e McLaren, preocupadas com o título. A propósito, também não acredito que a FIA vá proibir os difusores (se fizer isso, vai ser a burrada do ano, porque as coisas praticamente vão voltar ao que eram no ano passado, com ou sem KERS).
Quanto aos pilotos, embora eu não consiga evitar uma pontinha de curiosidade sobre como o Bruno Senna teria se saído na corrida de estreia caso tivesse sido confirmado, confesso que me emocionei com a alegria do Barrichello (que eu já xinguei muito na vida, mas que merece respeito, afinal tem o mesmo vice-campeonato que o Massa), e com a expressão de incredulidade do Jenson Button no pódio – um cara que apesar de ter sido considerado uma estrela no início da carreira, nunca agiu como tal e talvez agora, com um equipamento decente, tenha o talento reconhecido. Lewis Hamilton fez o que podia fazer com uma McLaren com claros problemas aerodinâmicos, mas mostrou que não está conformado com a inferioridade do carro e que não tem o número 1 por acaso. Com uma grande prova de recuperação, depois de passar várias voltas pra lá do décimo lugar, ele acabou sendo um dos melhores da prova, depois de Button – perfeito – e juntamente com Trulli e Alonso, outro que sofreu com as limitações da Renault, mas que jamais pode ser subestimado. Tanto Hamilton como Alonso teriam terminado na zona de pontuação mesmo sem a lambança Kubica & Vettel. E a conversa no paddock, nos últimos dias, era que Kimi Raïkkönen anda mais motivado, perdeu peso e diminuiu o ritmo das baladas – e ele realmente me pareceu mais focado na corrida de hoje do que nos últimos GPs de 2008, mas ainda está muito aquém de sua capacidade.
Resumindo a ópera: a temporada 2009 promete. Descartando a dupla da Force India, acho que em um momento ou outro todos os pilotos podem acabar surpreendendo (até mesmo o Nakalouco, como a Miss Pitlane chama o Kazuki, se a Williams mostrar serviço), e vai ser divertido. Como deveria ser sempre, não é?
Até o fim de semana que vem!
P.S.: Pra quem curte estatísticas, esta é a terceira vez que uma equipe estreante faz dobradinha – a primeira aconteceu em 1950, em Silverstone, com a Alfa Romeo, e a segunda na França, em 1954, com a Mercedes. E Sebastien Buemi começou a carreira na F1 já marcando seu primeiro pontinho.
P.P.S.: Para o Fernando, a matéria que você pediu sobre mulheres nas pistas está saindo do forno, ok?
Update: Lewis Hamilton acabou sendo o terceiro colocado na prova – Jarno Trulli foi punido pelos diretores do GP da Austrália em 25 segundos por ultrapassar o piloto inglês enquanto o safety car estava na pista. Confiram como ficou a classificação:
1º Jenson Button (Brawn GP), 1h34min15s784
2º Rubens Barrichello (Brawn GP), a 0s8
3º Lewis Hamilton (McLaren), a 2s9
4º Timo Glock (Toyota), a 4s4
5º Fernando Alonso (Renault), a 4s8
6º Nico Rosberg (Williams), a 5s7
7º Sébastien Buemi (Toro Rosso), a 6s0
8º Sébastien Bourdais (Toro Rosso), a 6s2