“Pilotar depende muito dos sentidos. Você precisa sentir o carro dentro de você. O que ele faz. E então, quando o carro te transmite uma sensação específica, você pode fazer o que quiser com ele. Você e o carro são um só. Você não pilota rápido, você acelera o máximo. Você não força o carro; pilotar é natural, é quase automático. É a soma de toda a sua carreira – toda a sua experiência pilota o carro para você. E quando você pensa na volta a seguir – ela vem inteira para você” (Mika Häkkinen)
O maior rival de Michael Schumacher na F1. É assim que a maioria dos fãs se lembra de Mika Pauli Häkkinen, bicampeão da categoria pela McLaren em 1998 e 1999. Nascido em Vantaa, na Finlândia, em 28 de setembro de 1968, Mika teve o primeiro contato com o mundo da velocidade aos cinco anos, quando seus pais alugaram um kart para que o garoto desse umas voltas na pista próxima à casa da família. Mika sofreu um acidente na primeira volta, escapou ileso, e se apaixonou pelo esporte; insistiu para que seu pai lhe desse o próprio kart até que Harri Häkkinen, um modesto motorista de táxi, cedeu e comprou um modelo de segunda mão. Em 1986, aos dezoito anos, Mika já tinha cinco títulos na categoria, chamando a atenção do conterrâneo Keke Rosberg – vencedor do título da F1 em 1982 – que, além de conseguir patrocínio para o jovem piloto, atuou como uma espécie de mentor durante os primeiros anos de sua carreira.
A escalada em direção à F1 foi rápida. Mika Häkkinen venceu três campeonatos distintos de Fórmula Ford na Escandinávia em 1987, conquistou a Opel Lotus Series européia em 1988 e, finalmente, obteve o título da Fórmula Três inglesa em 1990. Em 1991, o “finlandês voador” já ocupava o cockpit da Lotus 102B, estreando em Phoenix e marcando seus primeiros pontos em Ímola. Ele terminaria o campeonato daquele ano em 15° lugar.
Correndo ao lado do inglês Johnny Herbert em 1992, Mika conquistaria o 8º lugar na classificação geral de pilotos, chegando à zona de pontuação em seis oportunidades e chegando por duas vezes na quarta colocação – nos GPs da França e da Hungria.
1993 seria um ano decisivo na carreira do futuro campeão. Mika foi contratado como piloto de testes da McLaren, e a promoção a titular da escuderia viria bem rápido – o chefe da equipe, Ron Dennis, perdeu a paciência com Michael Andretti, que fazia uma temporada desastrosa, e demitiu o norte-americano. Mika estrearia de forma impressionante no GP de Portugal, no circuito de Estoril, permanecendo durante grande parte da prova na zona de pontuação até que escorregou no lado sujo da pista e atingiu o muro na reta dos boxes. Mas o finlandês subiria ao pódio no fim de semana seguinte, em Suzuka, no Japão, onde obteve o terceiro lugar, 15 segundos atrás do companheiro de equipe – ninguém menos que o tricampeão Ayrton Senna.
Quando Senna foi para a Williams, em 1994, Mika assumiu o posto de primeiro piloto da escuderia de Woking, com Martin Brundle completando o time. A McLaren também trocaria de motor aquele ano – o Ford daria lugar ao Peugeot. Mika terminaria o ano na quarta colocação no campeonato, com seis pódios, inclusive um segundo lugar na Bélgica. O ano seguinte seria um marco na história da McLaren – começava a parceria da equipe inglesa e da fornecedora de motores alemã Mercedes, que dura até os dias de hoje. Mika conquistaria mais dois pódios – dois segundos lugares, em Monza e Suzuka. E aí veio Adelaide.
Era o último GP da Austrália a acontecer no circuito – a partir de 1996, a prova seria disputada em Albert Park, em Melbourne. Durante a sessão de treinos livres, o pneu esquerdo traseiro da McLaren estourou – provavelmente por causa de algum tipo de detrito na pista – e o carro descontrolado atingiu o muro a uma velocidade calculada em 180 km/h. O piloto bateu a cabeça na lateral do cockpit e desmaiou. Ao chegar ao local do acidente, a equipe médica constatou que Mika não respirava e foi obrigada a realizar uma traqueotomia de emergência. O finlandês foi levado para o Royal Adelaide Hospital, em estado de coma, mas em situação estável. Ele acordaria na manhã seguinte, e segundo Ron Dennis, teria perguntado quando poderia voltar a correr.
A recuperação do piloto foi espantosa. Apenas 87 dias depois, ele disputava a prova de abertura da temporada 1996, o mesmo GP da Austrália, agora em Melbourne, chegando em quinto lugar. Com o escocês David Coulthard como segundo piloto, Mika terminaria o ano na quinta colocação na classificação geral, com mais quatro pódios, estabelecendo uma reputação de regularidade nos resultados e trabalhando fora das pistas em favor da maior segurança na categoria.
O ano seguinte ficou na memória dos torcedores da McLaren como o ano em que a companhia de cigarros West substituiu a Marlboro como principal patrocinador da equipe, e o tradicional vermelho e branco dos carros deu lugar ao preto e prateado – o que gerou o apelido “flechas de prata”, já que coincidentemente a escuderia voltaria a vencer na F1. Depois de um longo jejum de vitórias, Coulthard iria ao alto do pódio no GP da Austrália e Mika finalmente chegaria à sua primeira vitória no GP de encerramento da temporada 97, em Jerez, na Espanha.
1998 seria um ano dourado para o piloto, pessoal e profissionalmente. Em 30 de maio, ele se casaria com Erja Honkanen (com quem mais tarde teria dois filhos – Hugo Ronan, nascido em 11 de dezembro de 2001, e Aina Julia, nascida em 12 de maio de 2005). A McLaren havia contratado Adrian Newey, o projetista-estrela da Williams, para desenhar o modelo MP4-13, que se revelou um sucesso nas mãos do finlandês – depois de oito vitórias, dois segundos lugares e um terceiro lugar, Mika Häkkinen conquistaria seu primeiro título mundial.
O ano seguinte seria mais difícil. A McLaren não tinha um carro tão confiável, e Häkkinen enfrentou alguns problemas no início da temporada, abandonando os GPs da Austrália e San Marino (mas vencendo em Interlagos). Em Silverstone, quando Michael Schumacher quebrou a perna em um acidente durante a corrida, o finlandês já liderava o campeonato. Eddie Irvine, companheiro de Schumacher na Ferrari, tirou proveito da inconsistência da McLaren – e de alguns erros de Häkkinen, especialmente em Monza, onde o então campeão bateu o carro quando a vitória parecia certa – e levou a disputa pelo título até a última prova, o GP do Japão. Mas a superioridade do finlandês era incontestável em 1999 – ele não só venceu a corrida que lhe assegurou o título, mas recebeu a bandeirada com quase uma volta inteira de vantagem em relação a Irvine.
Em 2000, o vice-campeonato seria o resultado de um ano complicado, mas que os fãs de Mika Häkkinen lembram como o ano da ultrapassagem histórica em Spa-Francorchamps, considerada a manobra mais brilhante de toda a carreira do piloto. Já nas últimas voltas do GP, Schumacher liderava a prova e se preparava para ultrapassar o retardatário Ricardo Zonta, tomando a esquerda do piloto brasileiro. Häkkinen acelerou pela direita, mergulhou na Les Combes e deixou os dois para trás – um momento mágico da F1, e uma belíssima vitória do bicampeão mundial.
Em seu último ano na F1 – sempre defendendo a McLaren – Häkkinen venceria os GPs da Inglaterra, em Silverstone, e dos Estados Unidos, em Indianápolis, terminando a temporada na quinta colocação. Ao final do ano, ele anunciava que tiraria um ano de férias – mas já em meados de 2002 sua aposentadoria era dada como certa. Ele permaneceria longe das pistas até 2005, quando foi para a DTM alemã depois de negociações frustradas com a Williams.
Competindo pela equipe Mercedes na DTM, ele venceu em Spa em seu ano de estréia e em 2006 continuou a obter bons resultados, embora, segundo alguns críticos, seu estilo não fosse tão favorável à categoria. Naquele ano, ele também voltaria ao volante de uma McLaren, no Goodwood Festival of Speed, pilotando o modelo do ano anterior, o MP4-20 – o que gerou boatos sobre uma possível volta do piloto à F1 em 2007, especialmente depois dos testes que Mika fez com a McLaren em Barcelona, em novembro. Contudo, no início deste ano, Mika confirmou que participaria de mais uma temporada na DTM, e conquistaria mais duas vitórias.
Em 4 de novembro deste ano, aos 39 anos, Mika Häkkinen anunciou sua aposentadoria definitiva do automobilismo, afirmando porém que “correr está no meu sangue, e esta decisão não significa que vou deixar de pilotar por prazer”. Ele permanece, entretanto, bastante ligado à McLaren, participando nas decisões da equipe como conselheiro. Além disso, tem trabalhado junto à destilaria Johnnie Walker – um dos patrocinadores da equipe inglesa – como embaixador para o consumo responsável de álcool. O piloto reside em Monte Carlo, com a esposa e os dois filhos.
A coluna de hoje é dedicada à Dea, fã incondicional do Mika (como eu). E podem acabar com a greve, suas dramáticas. Haja pressão, hein?
Escrito por f1girlsonline
A imagem da Ferrari de Niki Lauda envolta em chamas no GP da Alemanha de 1976 está entre uma das mais dramáticas da história da Fórmula 1. Desde o acidente, de sua inesperada recuperação e da mais incrível ainda volta às pistas, o austríaco se tornou sinônimo de superação e coragem.
As conexões familiares garantiram a Niki Lauda uma vaga na March para disputar a Fórmula 2 em 1971. O piloto fez um grande empréstimo bancário – que dificilmente teria sido concedido se não fosse pelo seu sobrenome – e deu seu seguro de vida como garantia, assegurando a vaga na equipe inglesa para a temporada.
Em 1985, depois de uma falha nos freios de sua McLaren durante o GP de encerramento em Adelaide, Lauda deixou as pistas definitivamente – mas sua história na F1 estava longe de terminar. Ele é um renomado comentarista do esporte, e no início da temporada de 2007 gravou um especial para o site oficial da categoria (www.formula1.com). Além disso, dirigiu a Jaguar durante as temporadas de 2001 e 2002.
Joseph Gilles Henri Villeneuve nasceu na pequena cidade de Richelieu, na província francesa do Québec, Canadá, em 18 de janeiro de 1950, e cresceu na cidade vizinha de Berthierville. Filho de um afinador de pianos e de uma dona de casa, desde muito cedo se interessou por esportes de velocidade, começando a carreira em corridas de snowmobile. O orçamento familiar apertado foi determinante na carreira do jovem piloto, que se profissionalizou ainda adolescente; o sucesso rápido lhe permitiu viver exclusivamente do esporte.
A primeira vitória viria em casa, no GP disputado em Montreal, no circuito que hoje leva seu nome. As grandes atuações do canadense, contudo, nem sempre o levaram ao alto do pódio; ele será sempre lembrado pela disputa pelo segundo lugar no GP da França de 1979, em Dijon, com o francês René Arnoux. Os dois brigaram pela posição durante as três últimas voltas, no que alguns jornalistas depois descreveram como “um desafio às normas de segurança”. Villeneuve, que conseguiu impedir que Arnoux o ultrapassasse na última curva, disse apenas que tinha sido divertido.
Mas talvez a prova mais famosa de Gilles Villeneuve tenha sido o GP do Canadá de 1981, quando, sob uma tempestade, o piloto danificou seu aerofólio dianteiro, que entortou. Villeneuve ignorou o risco de receber uma bandeira preta e pilotou várias voltas com a visão obscurecida pelo aerofólio, que terminou caindo; ele não voltou aos boxes para colocar um novo e chegou em terceiro, sem o auxílio aerodinâmico do equipamento.