Diário das Arábias – Parte 4

by F1girls - Eloisa

Hoje as arquibancadas ficaram cheias e o que previ, aconteceu: um dos restaurantes no F-1 Village ficou sem comida. Também reparei que existem quatro pontes que saem de lugar nenhum e chegam a parte alguma, e várias da minhas famosas barreiras continuam cobertas com plásticos. De qualquer forma, as pessoas estavam contentes de estar aqui e aproveitaram bem o sábado ensolarado. E foi nas minhas andanças do dia que achei o foco deste relato.

O caráter global da F-1 faz dela a categoria mais famosa do automobilismo mundial e a faz ser considerada um dos esportes mais exclusivos que existem. Em qualquer GP, podem ser hasteadas uma de dez bandeiras ou entoados um de onze hinos. Nas equipes, ouvimos vários idiomas. Nas arquibancadas, espectadores de todas as partes do mundo se reúnem, vestindo e mostrando as cores de seus pilotos de escolha.

Em Abu Dhabi, podemos dizer que a globalização foi levada um passo adiante. A equipe de segurança é austríaca; a de contato com o cliente têm membros australianos, ingleses e alemães; o centro médico conta com suecos, escoceses, árabes e até um dominicano. Para ter certeza que o GP fluirá sem problemas, a organização do evento não poupou esforços _pois dinheiro já sabemos que foi uma desforra_ para se cercar de anos de experiência. Só um exemplo: Anne Bradshaw, que por anos foi a Chefe de Relações Públicas da Williams _inclusive um certo 1° de maio de 1994_, é a responsável pelo centro de imprensa do circuito.

Desde quinta-feira, tenho visto um casal de japoneses passeando pelo circuito. Eles chamam a atenção pelo chapéu de aba larga e o broche de diamantes que a senhora não abandona. Ontem, por coincidência, estava dentro da Toyota quando vi membros da equipe presenteando o casal com um volante assinado por Jarno Truilli, e isso só fez crescer minha vontade de saber mais sobre o simpático casal. E hoje fui lá conversar com eles.

by F1girls - Eloisa

Os Kidosaki são de Tóquio, onde têm um escritório de arquitetura. Há 20 anos são fãs de F-1 e já foram a mais de 130 GPs. Desde que a Toyota entrou na F-1, eles adotaram a escuderia como a sua preferida. Na palavra deles, “a Toyota é um dois times que desenvolve seu próprio chassis e motor, o que a faz especial; e a Toyota é japonesa como nós”. Apoio que fica evidente no chapéu mencionado, com uma fita vermelha bordada “Toyota Racing”, que aliás foi idéia da Sra. Kidosaki. Me contaram que todos os anos invariavelmente vão a pelo menos cinco GPs, os fixos no calendário são Mônaco e Japão, e já são praticamente considerados parte da equipe, o que ficou evidente com o presente que receberam esta semana. Aliás, o volante irá fazer companhia a um capacete autografado que eles compraram recentemente em um leilão beneficente, por 40 mil dólares.

Perguntei o que acharam do circuito: “Muito bonito, mas para o espectador, Suzuka, Istambul e Mônaco são muito mais espetáculo.” Quem melhor que eles, veteranos do circo, para dar esse veredicto?

Fiquem de olho nas imagens do circuito. Quem sabe vocês não os vêem?

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