Aproveitei o final da manhã para dar uma longa caminhada pelo lado oeste do circuito, com direito a passar pela porta do Yas Marina Hotel. Entrar só é permitido para hóspedes, que têm de passar por uma máquina de Raio X; ou seja, ficarei sem relatar o cheiro de tinta ou a breguice que deve imperar por lá.

De qualquer forma, no caminho deparei com a constante evolução da obra. O que ontem ainda tinha plástico, hoje já estava arrumado. Mesmo assim, encontrei um banco já instalado, mas ainda embrulhado, e um que sequer havia sido colocado – sinal de que ainda há muito por fazer. Como disse ontem, o que importa – a pista, os pits, o paddock- estão todos prontos. Mas, reparem em uma vista aérea: vão ver guindaste e mais guindastes por todas as partes. Sorte dos organizadores que os pilotos não precisam conviver com o caos que cerca a ilha.

As arquibancadas no final da reta são elevadas, com direito a uma visão privilegiada da área de escape, algo como as arquibancadas no final da reta dos boxes em Interlagos. A semelhança termina ai. A West Grandstand (Arquibancada Oeste) é coberta, tem elevadores de acesso, um estacionamento a poucos passos, três restaurantes com ar-condicionado, mesas e opções de pratos quentes; ou seja: quem comprou o da Main Grandstand (Arquibancada Principal) deve estar se roendo de raiva que só tem Gyro e Sorvete. O ingresso dá acesso a qualquer portão, mas o calor e as longas distâncias devem desencorajar vários. E os corajosos chegavam do F-1 Village e Oasis com as compras já feitas.
Falando no Oasis, hoje estavam oferendo manicures de graça! “Pinte suas unhas com as cores da sua equipe”, oferece o cartaz. Na mesa, unhas postiças pintadas mostravam as opções. Nada de novos restaurantes ou estandes, mas eles prometem que amanhã abrem o bar. Agora, teremos espectadores uniformizados, com fome e bebâdos.

Espectadores que hoje foram poucos. Onde olhamos, vimos alguns gatos pingados. Sexta-feira aqui é o primeiro dia do fim de semana e, mesmo assim, o público foi fraco – arrisco dizer que apenas os que vieram ontem voltaram. De qualquer forma, em menos de meia hora já não havia ninguém – devem ter corrido todos para o show do Jamiroquai. Eu sei que é maldade, mas se não começar a ver as arquibancadas cheias, vou começar a achar que, de duas, uma: ou os organizadores, para causar buxixo, anunciaram que estavam sold out e não estavam; ou realmente tinha muita gente disposta a gastar para ver a Beyoncé e o Aerosmith.
De qualquer forma, como diz o ditado, a esperança é a última que morre. E hoje tive prova disso, quando, durante os treinos livres, encontrei com uma jovem árabe assistindo o treino atentamente e maravilhada com o que via. Me aproximei e perguntei se já tinha visto alguma corrida, e ela me respondeu que nunca, que era a primeira vez que ouvia um carro tão alto. “E gostou?”, perguntei. “Mais do que eu imaginava”, me disse, voltando a prestar atenção ao que estava acontecendo na pista.

Essa última foto ficou muito boa!!