Diário das Arábias – Parte 2

Entrar no circuito é fácil, se considerarmos normal passar quatro pontos de revista com o carro e dois a pé. No caminho, cresce a certeza de um projeto monstro, onde dinheiro não foi objeção.

O Yas Marina Hotel no horizonte e as coberturas das arquibancadas destoam do resto da paisagem; ou melhor, da falta dela. Areia por todos os lados, pó e construção, esta é a norma. Sim, a poucas horas de receber mais de 60 mil espectadores, o que mais se vê são cones e barreiras de sinalização, como se tivessem começado a construir da pista para fora e não tivesse dado tempo de terminar.

O F-1 Oasis está mais para miragem do que outra coisa. Como eles pretendem que a arquibancada inteira, que fica na reta dos boxes, se alimente apenas tendo dois estandes de sanduíches e sorvete? Pode ser que nas próximas 12 horas eles instalem três outros, mas, pelo andar da carruagem, o que vai ter de fila não está no gibi. Em compensação, há pelo menos sete estandes de produtos. As pessoas passarão fome, mas devidamente uniformizadas.

Lojas no circuito

Lojas no circuito

Ontem estava na dúvida sobre o que havia provocado tamanho interesse do público local pelo GP. O pit walk estava lotado, e o curioso era que não havia um público especifico. Vi de europeus a indianos, de casais com filhos pequenos a grupo de amigas, alguns marinheiros de primeira viagem e outros macacos velhos, todos aproveitando ao máximo a oportunidade de ver os carros de perto. Essa presença em massa me encheu de esperança, a mesma que se foi esvaindo com a proximidade do show da Beyoncé.

Caminhar dos pits até a Arena, onde acontecem os concertos, não é para os fracos de pernas e preguiçosos de plantão. O suposto sistema de ônibus que levarias as pessoas do ponto A ao B não funcionou muito bem (nas palavras exatas de um membro da equipe do circuito foram “falhou terrivelmente”). No caminho, fui acompanhada por uma horda, infelizmente não consigo usar nenhum outro coletivo. Eram milhares de pessoas com só um destino. E não quero chegar a conclusões com apenas um dia de evento, mas a variedade de saltos altos, saias curtas e cabelos engomados me levam a crer que a grande maioria não está nem ai para o que está acontecendo na pista. Vou dar um desconto por hoje ser dia útil. Não preciso nem dizer que a pulga da dúvida não foi embora.

Trocando radicalmente de assunto: a pista esfria num piscar de olhos. Enquanto eu ainda estava a me adaptar aos 35°C, que persistiram mesmo após o anoitecer, a pista foi perdendo calor muito rápido. A verdade é que, quando o sol se põe, o circuito fica espetacular. A iluminação artificial é monstruosa. Tudo que de manhã destoa se destaca à noite. O hotel, que lembra e muito a Allianz Arena de Munique, troca de cor. Os holofotes iluminam todo o complexo e afastam qualquer comentário negativo sobre uma corrida noturna. No escuro, todos os gatos são pardos e o Yas Marina Circuit é deslumbrante.

Abu Dhabi à noite

Abu Dhabi à noite

Uma resposta para Diário das Arábias – Parte 2

  1. Fernandes disse:

    Oh inveja!!! kkkkkkkk

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