A manhã começou com todos os olhos voltados para a recuperação da McLaren: com apenas sete corridas restantes, o campeonato estava cada vez mais embolado e terminou com a bandeira brasileira no alto do pódio. Acho que a única pessoa que acreditava em uma vitória do único brasileiro no grid era o próprio.
Uma largada sem grandes destaques nos levou a pensar que esta seria uma vitória fácil de Hamilton e a matemática colaborava: boa quantidade de gasolina, escudeiro por perto (se bem que Heikki cada dia prova mais que não serve nem para isso) e circuito de rua. Tudo apontava para esse resultado. Vettel, para colaborar com a teoria, ficou na mão de seu motor Ferrari Renault; Button, nem trabalho começou a dar. Foi aí que, a 20 voltas do final, tudo mudou…
E um pit stop falho custou a Lewis 5 segundos. 5 segundos que fizeram toda a diferença. Teria Hamilton chegado aos boxes sem avisar? Dificilmente. Então, a síndrome do mecânico embasbacado está tomando conta do paddock pior que a gripe suína no Brasil. Só pode ser!
Pelo rádio, Ross Brawn avisava a Barrichello que ele teria que manter um ritmo de treino, que era possível manter a primeira colocação, mas que dependia dele. Convenhamos, esse texto ele já tem decorado, afinal deve ter sido repetido inúmeras vezes na era Schumacher, e ainda bem que Rubens prestou atenção e mostrou serviço. Eu, pessoalmente, admiro o Brawn e este ano ele está esfregando na Scuderia a falta que faz.
E nas próximas 19 voltas, Rubens seguiu as instruções de Brawn à risca e o resultado foi sua primeira vitória em quase cinco anos. Muitos vão passar os próximos dois dias especulando o que deu errado, e sem dúvida haverá aqueles que vão diminuir o valor da vitória de Rubens dizendo que ele só ganhou porque a Mclaren errou, afinal de contas para toda história sempre há duas versões. Hamilton e Raikkonen completaram o pódio.
Alonso não fez feio e conquistou mais três pontos, numa corrida que ele não ia sequer disputar. Button marcou dois pontinhos, e Paquito, ops… NIco Rosberg chegou em quinto e manteve sua posição no campeonato, que continua tão embolado quanto estava. A seis corridas de Abu Dhabi, a diferença entre Button e Barrichello agora é de apenas 18 pontos (improvável talvez, impossível, não). Webber perdeu a chance de marcar pontos e de se adiantar nessa disputa. Mas em uma temporada em que a BrawnGP saiu dos boxes para 6 vitórias em 7 corridas e em que a Red Bull tem mais pontos que McLaren e Ferrari juntas, tudo, repito, tudo pode acontecer.
E antes que eu me esqueça… que jogue a primeira pedra quem não apostou que o Grosjean ou o Vovô Badoer iam causar um engarrafamento monstro na largada. Bom, a verdade é que eu esperava até uma bandeira vermelha. Um parece um personagem dos Simpsons, o outro entrou de gaiato depois que Schumacher foi traído pelo seu pescoço envelhecido. Para surpresa de todos, os dois terminaram a corrida sem maiores incidentes. Que foi uma corrida tosca, foi, mas fizeram melhor que muitos que terminam na brita – se bem que tem coisas na vida que nunca vamos entender (coisas intangíveis ou controversas, como a teoria do Big bang ou porque o céu é azul), mas porque o Badoer deu passagem para a Renault no final do pitlane, assim bem no estilo “Não, não! Por favor, passe adiante. Eu sou um cavalheiro e você tem jeito de ser mais rápido. Então, passe…”, está seriamente concorrendo ao título de mistério de 2009. Verdade que ele abocanhou um drive-through por passar na faixa branca após sair dos boxes e rodou no comecinho da prova, mas pelo menos não bateu no muro ou em outros carros.
Nakajima foi traído por um pneu furado, que escapou no meio da pista, mas felizmente não causou problemas aos demais.
E assim, Rubens Barrichello entra para a história com a 100ª vitória de um piloto brasileiro (na nossa frente, apenas a Alemanha, com 106 vitórias, e a Inglaterra, com 206) – provavelmente, o maior jejum entre vitórias na F1. Carreiras duraram menos que os 82 GPs que ele ficou sem vencer e, não, ele não é o piloto mais velho a ganhar (digamos que se ele quiser bater esse recorde, meus futuros filhos serão adolescentes!).
Até domingo que vem, em Spa!
Errata: Eloisa Tomou o remédio e estava grogue, por isso pede desculpas pela troca de motores da RBR-RENAULT !
A corrida do Rubens foi fenomenal. Quando ele deixou o Kovalainen pra trás já acreditava que algo de bom iria acontecer.
O Badoer, coitado, última corrida dele foi em 94, e com uma Minardi ainda mais… Sejamos mais justos
Estou ansiosa para Spa, apesar de não poder ver a corrida desta vez – vou estar voando.
Sempre lembro que a primeira pole do Rubinho foi lá em 94 com pneus de pista seca em pista molhada com uma Jordan. Histórico
Hm, o motor da Red Bull é Renault não é? Ferrari é o motor da Toro Rosso não?
Que corrida e que dia esse!
Foi uma grande vitória. É impossível não estar alegre hoje!
Go Barrichello!
Bom…
Eu, e eu disse EU, não gosto do 1B, assim como sendo santista não gosto do Corinthians, ou São Paulo ou Palmeiras, e não vou ficar feliz por suas vitórias.
Por mais justas que sejam.
E esta até foi, pelos proprios méritos de ter feito o que dele se espera: Acelerar.
E pelos outros que se embananaram, leia-se Hamilton já que Kova é um daqueles pilotos que não fazem diferença nenhuma em nada…
A Mc Laren me mata de vergonha. A única coisa positiva no boxe da equipe foi a Nicole. Que carrão! Coisa linda! A próxima é SPA e é pra “cachorro grande”. Só ganha quem acelera. Ainda bem que já é no próximo final de semana. Pra nós que acompanhamos detalhes, pegou mal instalarem um motor Ferrari no carro do Vettel. É Renault. Sabe o que é pior? Hoje convidei um amigo meu pra ver o blog e falei um monte pra ele tipo: Cara! Essa você nunca viu: mulheres que acompanham F1. E ele: Você tá brincando! Me mostra já essa maravilha: velocidade e mulheres. Saiu de casa falando do motor do Vettel…
Somos mulheres, acompanhamos F1 e erramos às vezes, como qualquer ser humano…
Agradecemos recomendação ao seu amigo, de qualquer forma.
Abs.
Já consertamos o erro, Gilberto! A pobre da Elo, que é mais workaholic que eu (se isso é possível) tava grogue e trocou os motores. Dê um desconto a ela…
Até eu, McLaren vermelha e prateada, tive raiva da equipe hoje. Fazer o quê?
Abs, Vi
Elo, tava com saudades dos seus textos.
Pit complementando seu comentário. Vocês são mulheres, acompanham F1 e, só por esse fato, já são maravilhosas. Imaginem então as demais características das “fichas técnicas”. Um abraço masculino em cada uma de vocês!!!