Vendo Lewis Hamilton ser o mais rápido do terceiro treino livre para o GP da Alemanha agora há pouco, eu lembrei que esqueci de comentar o aniversário de 25 anos de uma imagem clássica na história da Fórmula 1. Pela foto, você já tem uma ideia, não é? Sim, a famosa “chegada” do Leão no final do GP dos Estados Unidos de 1984, realizado em Dallas.
Por muito tempo, sempre que empurrávamos Sansão, o Fusca que foi o primeiro carro da família, lá pelo início dos anos 90, movido a álcool, eu lembrava do esforço do inglês tentando fazer com que sua Lotus cruzasse a linha de chegada. Não sei quanto a vocês, mas toda vez que lembro desse episódio eu tenho a certeza de que houve uma inversão de papéis aí entre o homem comum e a Fórmula 1. Sim, porque todos falam que a Fórmula 1 apresenta as novas tecnologias que serão usadas por nós, pobres mortais, no futuro; porém, naquele já distante 8 de julho de 1984 aconteceu o contrário: foi a “técnica” de nós, povão, que foi utilizada na Fórmula 1.
A diferença é que ninguém podia ajudar o Mansell a empurrar o carro e nós vimos um momento histórico acontecer bem ali diante dos nossos olhos.
Salve, Mansell!
Pois é, grande Mansell! Interessante notar que ele usou uma técnica já antiga, visto que Jack Brabham empurrou seu carro em 59, para ganhar seu primeiro mundial, e também desmaiou. Por sorte dele, depois de cruzar a bandeirada.
Sob um calor infernal também, acho que Moss fez o mesmo naquele mesmo ano, também desmaiando e sem conseguir cruzar a linha de chegada (mas isso eu teria que confirmar).
Pore minha vez, lembrei dos 25 anos do GP de Dallas por um enfoque diferente, mas é legal pensá-lo através de uma imagem. O que Mansell estirado no chão representa hoje, e por que tal imagem (como você mesma disse, muito acertadamente) é clássica? Se eu fosse chutar, entre outras razões, acho que ela mostra um esforço manual que os 847 ângulos de câmera da F1 atual não conseguem mostrar atualmente. A imagem que a F1 passa hoje é de talentosíssimos apertadores de botões (e não estou desmerecendo eles), mas a pilotagem cai para segundo plano. Hoje vivemos um grande triunfo da engenharia no esporte, e antes que alguém venha com aquela história de que isso é inevitável etc etc, acho que é muito mais um efeito desse reglamento complicado que de outro fator. Quando vemos Mansell no chão ao lado do carro é como se víssemos um corpo que emergiu da máquina, que tentou submetê-la ao poder humano – se obteve suceso ou não, não vem tanto ao caso.
Pois é… Eu não me recordava de nada desta corrida, mas lendo o blog do Daniel Médice as coisas foram voltando a mente.
Foi um treco absurdo demais aquilo e esta cena contribuiu para que nunca mais se corresse lá.
Grande Nigell, quem disse que ele não contribuiu com nada de bom, hehehehe
Mansell foi um piloto singular. Ninguém, mas ninguém mesmo, corria com a sede de vitória que ele tinha. Declarou várias vezes que, numa corrida, nem pensava em campeonato (vai falar prá ele entregar uma corrida em nome de “teamwork”…); queria vencer, corria pra vencer, sempre.
Não consigo me lembrar de outro piloto com tanta garra, consistente, nem de longe parecia inglês. Senna era perfeito, Schumacher era perfeito, por isso foram nosso idolos. O Mansell porém, era humano, como nós; brigava por posição como muita gente aqui já brigou por vaga em shopping.
Prá mim, Mansell continua insuperável.