Depois de uma semana inteira indo trabalhar a pulso por causa de uma gripe e de quase desmaiar na rua por conta da fraqueza (eu perco a fome quando estou resfriada), decidi que estava mais do que na hora de comprar um possante pra mim. Mesmo ainda doente, passei o sábado inteiro vendo carro.
Vai numa concessionária aqui, faz test drive ali, calcula o prejuízo acolá, negocia as cortesias e… lá pelas 17h, sem almoçar, eu já não agüentava mais ver números na minha frente nem escutar conversa de vendedor no meu ouvido.
Vimos logo o Voyage. Lindão, paixão à primeira vista.
- Tem vermelho, moça?
- Talvez só daqui para 60 dias, senhora, e não garantimos o mesmo preço, mesmo que a senhora feche negócio hoje.
Eu achei que não tinha entendido direito, mas duas concessionárias depois descobri que vermelho não é uma cor muito acessível dependendo do modelo de carro que você quer.
- Fiesta Sedan vermelho para fechar o negócio agora, tem?
- Só temos preto e prata, senhora. Vermelho não existe.
Apelamos para nossa amiga gerente de vendas na Peugeot:
- Renata, eu quero um carro vermelho.
- Ah, que pena, vendemos o último na quinta.
Com os efeitos da gripe e o desânimo tomando conta de mim, fomos para a última concessionária.
E eis que a vendedora na Renault me faz despertar do meu estado de letargia quando diz:
- Nós temos um Logan vermelho, sim. Vermelho Ferrari.
Meus olhos saltaram, eu dei um pulo na cadeira e comecei, de fato, a prestar atenção ao que ela falava.
Quer dizer, não por muito tempo, porque eu fiquei repetindo pra mim mesma, enquanto tentava visualizar a cor, as palavras “vermelho Ferrari” “vermelho Ferrari” “vermelho Ferrari” “vermelho Ferrari” “vermelho Ferrari”.
Claro que acabei optando por ele:P