A história da Fórmula 1 é feita por grandes carros e homens. Alguns deles sequer são pilotos. É o caso de Enzo Ferrari, que morreu há exatos 20 anos. Fundador da mais famosa escuderia, detentora de uma verdadeira legião de fãs ao redor do mundo, única remanescente das equipes que participaram do primeiro campeonato, disputado em 1950, e que leva seu sobrenome. Seus carros de corrida e de passeio despertam paixão, dão status e são cobiçados não apenas por amantes do automobilismo. Não conseguimos preparar um especial extenso sobre o fundador da Ferrari, mas fizemos uma pequena biografia do Comendador.
Enzo Anselmo Ferrari nasceu em 18 de fevereiro de 1898, na cidade de Modena, na Itália. Em seu livro Le Mie Gioie Terribili, Enzo conta que também pensava ser jornalista, cantor de ópera ou piloto quando era criança. Alfredo Ferrari, pai de Enzo e Alfredo Jr, levou os filhos para ver uma corrida de automóvel em 1908, em Bologna. Esse foi seu primeiro contato com o mundo da velocidade. Depois trabalhou como mecânico de carros até a I Guerra Mundial, quando serviu no Exército italiano.
Em 1916, seu pai e seu irmão morreram vítimas da gripe que assolou a Itália. Ferrari também foi contaminado e acabou sendo liberado do front de batalha. Com o fim do confronto armado, entrou para a Contruzioni Mecaniche Nationali (CMN) ao tomar parte da situação financeira da família, cuja empresa havia falido. Primeiro, foi responsável por redesenhar o “corpo” de caminhões usados e transformá-los em pequenos carros de passeio. Depois, passou a fazer testes de carros e, em seguida, transferiu-se para a Alfa Romeo em 1920, já como piloto de corridas locais.
Em 1923, ganhou da mãe do piloto de avião italiano Francesco Baracca, que serviu e morreu na I Guerra Mundial, o símbolo que virou ícone de sua empresa: o cavalino rampante. No dia 01 de dezembro de 1929, Enzo Ferrari fundou a Escuderia Ferrari, em Modena, que era uma equipe esportiva que se propunha a participar do maior número possível de corridas com o maior número de carros. A Alfa Romeo fornecia os automóveis que eram, então, modificados pela oficina de Ferrari (o suporte durou até 1933). Somente em 1932, Enzo passou a usar o “mimo” de Baracca em seus carros. Neste mesmo ano, nascia seu filho, Alfredo, mais conhecido como Dino Ferrari. O nascimento de seu primogênito o levou a parar de correr.
Em 1937, a Alfa Romeo reduziu a participação de Ferrari na empresa e o restringiu a Diretor de Esportes, função subordinada ao Diretor de Engenharia. Enzo não agüentou muito tempo a situação e saiu da firma. Por questões contratuais, no entanto, ficou impossibilitado de correr e projetar carros por quatro anos. Criou a Auto-Avio Costruzioni, que dava suporte a outras equipes. Três anos depois, a empresa construiu dois carros para competir, que foram pilotados por Alberto Ascari e Lotario Rangoni.
Em 1938, Enzo Ferrari deu fim a sua escuderia, pois tinha sido convidado a dirigir o recém-criado departamento esportivo da Alfa Romeo. Porém, o italiano entrou em atrito com o engenheiro chefe da Alfa Romeo, Wilfredo Ricart, o que levou Enzo a fundar em 1939 sua própria fábrica, com sede em Modena. No ano seguinte, Enzo fabricou seu primeiro carro, mas não lhe deu seu próprio nome, por estar ainda vinculado à Alfa Romeo. O carro recebeu a marca Auto Avio Contruzioni, nome da fábrica fundada por ele.
Quando estourou a II Guerra Mundial, a vida de Enzo foi afetada mais uma vez. Sua empresa se envolveu na produção de bombas e acabou sendo transferida de Modena para Maranello. Em 1947, ele fundou a Ferrari que nós conhecemos hoje. Nos anos 60, o italiano precisou ofertar à Fiat, permitindo que a montadora ficasse com uma parte da compania. No final da década, a participação Enzo já havia “cedido” 50% da empresa para a Fiat. Em 1971, ele deixou o cargo de diretor da Ferrari, porém permaneceu sendo influente até o fim da vida. Em 1980, por exemplo, houve a possibilidade de a Ferrari criar um modelo quatro-portas, mas Enzo teria vetado o projeto.
Em 1956, Alfredino Ferrari, filho de Enzo morreu vítima de uma distrofia muscular progressiva. Tinha apenas 26. Isto fez com que seu pai se tornasse uma pessoa amarga e, desde então, Enzo nunca mais pisou numa pista de corrida. Além disso, passou a usar os inseparáveis óculos escuros em sinal de respeito ao filho.
Autodidata em mecânica, recebeu em 1960, da Universidade de Bolonha, o título de doutor honoris causa em Engenharia, e mais tarde, em Física. Ganhou do governo italiano o título de Comendador. Faleceu enquanto dormia, no dia 14 de agosto de 1988. Enzo foi enterrado San Kenta Cemetery, em Modena. Em frente à fábrica de Maranello, o Ristorante Cavallino até hoje mantém reservada a mesa na qual Enzo Ferrari costumava almoçar. Em sua homenagem, o Autódromo de Ímola passou a se chamar Autódromo Enzo e Dino Ferrari.
Em 1994, foi conduzido postumamente ao International Motorsports Hall of Fame.
Frases ditas sobre o comendador:
“Ele tinha caráter forte, carisma e idéias claras. Decidia tudo sozinho. Havia quem o amasse e quem o odiasse”, revelou certa vez Maria Teresa de Filippis, primeira mulher a disputar a Fórmula 1, em 1958.
“Como homem de negócios, era excelente. Como ser humano, era um zero” – Mauro Forghieri, engenheiro-chefe da Ferrari até 1984.
“Enzo Ferrari de estar querendo manipular de má-fé a F-1 e prejudicar as equipes inglesas”, Colin Chapman sobre uma declaração de Enzo Ferrari referentes a mudanças no regulamento da Fórmula 1 na temporada de 1961.
14/08/2008 às 7:07 PM |
Parabéns Gil, excelente post. Informações valiosas. Não sabia da história de ferrari e nem que uma mulher já havia pilotado um f1
15/08/2008 às 8:49 AM |
Otimo post….
eu como um bom fa de Ferrari… lembrar um dia desses as origens dessa marca e mto bom….
Q mtos titulos ainda venha pela frente…..
15/08/2008 às 10:22 AM |
Gil, sabe dizer quantas mulher já correram na F1? além desta citada acima ?
[]s
Oi, Victor, sabemos sim. A Dea fez uma coluna sobre isso. No total, foram cinco. Eis o link para você conferir a coluna dela, ok? http://blog.f1girlsonline.com/2007/03/19/cinco-estranhas-no-ninho/
Um abraço
Gil
15/08/2008 às 3:41 PM |
Como disse Francisco Santos no seu anuário Fórmula 1 daquele ano, e como eu reproduzi em meu blog, muitos dos homens mais próximos a Enzo Ferrari só ficaram sabendo de sua morte dois dias depois, quando o enterro já havia ocorrido.
Mais: esse era um desejo sigiloso expresso em testamento!
Enzo i suoi macchine…
Pois é, Daniel, ele fez isso pra compensar o atraso no registro de seu nascimento.
Um abraço
Gil
16/08/2008 às 6:39 AM |
OBRIGADO COMENDADOR ,,,,,,,,,por criar uma jóia chamada FERRARI!
16/08/2008 às 8:12 PM |
Grande Enzo!
Não sabia que era autodidata em Mecânica!
estranho né?
17/08/2008 às 11:42 AM |
A historia da Ferrari se confunde com a historia deste homem, que naturalmente tem amigos e inimigos de monte….
Belo post Gil… muito bom.
19/08/2008 às 4:33 PM |
Morreu e o mundo nem sentiu. A Ferrari até melhorou depois do seu passamento. Wilson Fittipaldi fez mais pela F1.
20/08/2008 às 10:41 AM |
Preciso de um link para assistir a f-1 no em velência!!1
Alguém conheçe algum?
[]s
Resposta:
Rede Globo?
Andrea.
20/08/2008 às 6:09 PM |
Gil
Obrigado pela resposta ao meu comentário acima! Excelente estudo.
[]s
05/06/2009 às 7:08 PM |
o meu sonhe é ter uma ferrari
01/10/2009 às 1:22 AM |
Parabens, fiquei pasmo com toda história.