Bruno, Lewis, chuva e um domingo inesquecível – parte 1

Aqui é a Vi, a torcedora mais que feliz da McLaren, escrevendo diretamente de Praga, a linda capital da Republica Tcheca. Nunca imaginei que fosse mais fácil arrumar uma conexão decente – e barata – em Praga do que em Londres, mas é a vida…

Então, peço desculpas a todo mundo que estava esperando pela minha matéria sobre o GP da Inglaterra. Mas, sinceramente, depois de ver o Bruno Senna vencer a preliminar da GP2 e da vitória espetacular da McLaren, se eu tivesse tentado escrever no domingo mesmo não ia dar certo… o que posso dizer e que depois das quase QUATRO HORAS de viagem de volta a Londres, mesmo destruída de cansaço, fui uniformizada com minha camiseta oficial Vodafone McLaren Mercedes pra um pub no SoHo e bebi um Cosmopolitan pelo Bruno e pelo Hamilton. Cheers!

Bem, eu havia perdido o treino da sexta porque só cheguei em Londres quase ao meio-dia, então fiquei sabendo do pancão do Massa quando li os emails das meninas. Sexta-feira o tempo estava bem bom – deu ate pra pegar um solzinho na Oxford Street e ir na London Eye. O sábado amanheceu nublado em Londres, e a meio caminho de Silverstone despencou o toro. Bem previsível.

Aliás, uma dica pra quem quiser se arriscar no ano que vem, provavelmente o ultimo GP da Inglaterra a ser disputado em Silverstone: há algumas agências de viagem que fazem pacote de transporte pro circuito, saindo de Victoria Station e voltando também para a estação, no centro de Londres. Sai um pouco caro, mas e seguro e confiável, e você não encara o transito absurdo para e do autódromo dirigindo (na mão inversa, lembre-se), nem anda quilômetros na chuva tentando achar um táxi pra ir pra Milton Keynes ou Northampton, já que Silverstone e no meio do nada e não tem trem nem ônibus direto de e para lá. Eu comprei o pacote da Thomas Cook, e gostei muito. Vale a pena.

Mas voltando ao toro, já desci do ônibus debaixo de uma chuva gelada e de um vento assustador. O portao por onde entrei era bem na frente do meu setor, o Woodcote A (visão privilegiada do fundo do grid e da curva Luffield, onde nosso amiguinho Massa resolveu brincar de pião durante a corrida). Aproveitei que estava cedo e ainda faltava uma hora pra primeira sessão de warm-up para fazer umas comprinhas na lojinha da McLaren. Estou com medo da minha fatura do cartão de crédito…

O ronco dos motores em Silverstone e uma coisa indescritível. Meu coração parecia que ia sair pela boca. A atmosfera no autódromo e bem semelhante a de Interlagos – os ingleses são totalmente apaixonados por automobilismo, e 90 por cento do público estava vestido de McLaren da cabeça aos pés. Aliás, o público de domingo bateu os 90 mil espectadores. Imagine o que deve ter sido pro Hamilton vencer ali…

Então, entre o warm-up e a classificação teve o treino de Porsches, e como a chuva tinha dado uma trégua, resolvi dar uma volta no circuito… a pé. Não lembrei dos quase três km de extensão da pista e levei umas duas horas pra chegar de volta a Woodcote, mas valeu a pena porque dei de cara com uma McLaren exposta em um stand (aguardem as fotos), alem de uma Ferrari e de uma Toyota. Ver os carros tão de pertinho assim e maravilhoso. Dá pra sentir o cheiro da borracha dos pneus…

Surpresas na classificação com a primeira pole do Kova (que e super querido pela torcida da equipe), e com o Mark Webber largando em segundo. Claro que todo mundo saiu do autódromo meio decepcionado com o quarto lugar do Hamilton, mas as coisas iriam melhorar no domingo!

Fiquei pasma de ver que muita gente foi embora logo depois do treino, já que a primeira prova da GP2 viria em seguida, mas acredito que o pessoal estivesse querendo fugir do trânsito. Perdi o final da corrida, infelizmente, porque precisava estar de volta ao ônibus as quatro horas, mas a emoção que me bateu ao ver o Bruno passando bem na minha frente, com o Senninha pintado na lateral do carro… meus olhos se encheram de água, confesso. O menino e talentoso de verdade. E a imprensa e o público ingleses parecem adorá-lo, o que não é surpreendente levando em conta a quantidade de camisas com a marca Senna e com o rosto do Ayrton que vi no circuito. Fico um pouco apreensiva com a pressão que ele deve enfrentar, mas ele me parece bem centrado – e aquela altura eu mal imaginava (embora estivesse torcendo desesperadamente para isso) que ele fosse vencer na pista em que o tio reinou absoluto.

Bem, a segunda parte do texto será publicada em breve. Aviso logo que esta primeira parte esta sujeita a alterações de acordo com a volta progressiva da minha memória e do meu estado de espírito :)

Até breve, Vi

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