“Estou muito desapontado em ter perdido a segunda colocação, mas tenho certeza de que há muita gente se sentindo pior do que eu neste momento”.
(Ron Dennis, em entrevista pós-GP)
A temporada 2008 começou melhor do que muita gente esperava. Depois do treino de classificação tira-fôlego da madrugada do sábado (três pilotos disputando a pole position até o último instante), a corrida de hoje em Albert Park foi daquelas que deixa qualquer fã de F1 sem unhas. Talvez seja ainda muito cedo para aplaudir as mudanças no regulamento, mas o fato é que a proibição do controle de tração e de outras engenhocas eletrônicas tornou a categoria mais competitiva e mostrou que o braço e a cabeça do piloto é que fazem mesmo a diferença. Vejam o caso do estreante Sébastien Bourdais, que vem de quatro títulos nos Estados Unidos e corria o risco de ficar perdido em meio ao pelotão intermediário se não estivesse disputando a prova em uma situação um pouco mais equilibrada. Acredito mesmo que vamos ver talentos reais emergindo (Kubica já é uma realidade; Rosberg também; minhas fichas este ano vão para Vettel, Glock – mesmo com a lambança – e Bourdais). E aqueles que não nasceram pra pilotar um F1 (Nakajima, alguém?) vão deixar isso cada vez mais claro…
Hamilton me deu um presentão de aniversário (e ao Gabriel, nosso leitor, ontem) com uma prova redondinha, sem manobras espetaculares mas com uma condução precisa. Heidfeld e Rosberg mereceram o pódio com honras e devo concordar com o Galvão Bueno desta vez: linda a cena da comemoração do Hamilton e do Nico. Estavam honestamente felizes e compartilhando o momento da vitória. Que diferença do vexame Alonso-Massa ano passado, hein? E quem diria que Rubens Barrichello conseguiria me surpreender com uma performance digna dos tempos dele na Stewart? Não fosse a burrada homérica do Ross Brawn e o surto do homem do pirulito (apelido dado ao mecânico da Honda pelo Expe, namorado da Gil), ele poderia ter chegado a disputar o pódio… mas acabou desclassificado. Pena. Ele não merecia. Como Bourdais também não merecia ter ficado parado no meio da pista, ao invés de receber a bandeira quadriculada em sua prova de estréia. Coisas da F1.
Menções honrosas de braço-duro pro sr. David Coulthard e pro sr. Kazuki Nakajima. O primeiro, porque já deu um baita prejuízo pra sua equipe ao arrebentar o carro todo; e o segundo, porque fez lambança, tirou da prova o coitado do Kubica, que fazia uma corrida excelente, e ainda voltou pra pista pra tirar ponto dos outros! Fiquei com um aperto no coração quando vi a expressão desolada do polonês nos boxes da BMW. Ver a equipe comemorando o pódio do companheiro quando ele poderia ter chegado lá também deve ter sido difícil.
E a Ferrari, hein? Cruzes! Kimi Raïkkönen e Felipe Massa devem esquecer este final de semana. O brasileiro especialmente, que fez uma corrida desastrosa. A coisa deve ter ficado bem feia em Maranello hoje, especialmente porque a McLaren abre uma boa vantagem logo de saída no campeonato de construtores. Já em Woking o pessoal deve estar enchendo a cara até agora – depois do pesadelo que foi 2007, Ron Dennis, Martin Whitmarsh e cia. têm bons motivos pra comemorar. E quem disse que Ron Dennis ia abandonar a F1? Lá estava ele abraçando o seu pupilo após a vitória, o que me trouxe lembranças de um certo moço de macacão vermelho…
Começamos bem. E que a corrida da Malásia também nos mantenha bem acordados!
sei que vão me jogar um tamanco na cabeça,mas o Coulthard já devia estar cuidando de seu hotel e iate em monaco a muito tempo.
Largue o osso Coulthard!
Resposta:
Olha eu não vou te jogar o tamanco não porque concordo em número, gênero e grau!
Elo
Também concordo, Diego! Tem gente que não vê que tá na hora de pendurar as sapatilhas…
Vi
V, o apelidado não foi criado por Expe, o próprio Formula1.com usa o termo. Também morri de dó do Kubica e o Rosberg, com o qual eu nunca fui com a cara, conquistou minha simpatia ontem com a clara alegria estampada no rosto. Há 3 anos ele não subia no pódio e o abraço emocionado, de moleque que ganhou o melhor presente, ao lado do Hamilton de fato foi a imagem pós-corrida.
Tenho que defender o Ross Brawn, ele já havia deixado o cargo de estrategista para Luca Baldisserri na Ferrari e na Honda, ele disse que não assumiria este cargo. E acho que este foi um dos principais motivos dele ter deixado a Ferrari, ele não queria mais ser diretor técnico.
Acredito sim que o carro foi chamado por motivo de pane seca caso permanecesse na pista. O problema foi a saída…
A performance da Honda foi excente tanto na qualificação quanto na corrida vista aos resultados anteriores. É bom dar bastante crédito a Ross Brawn por essa motivação que ele trouxe à equipe. Segundo palavras de Pat Symonds que trabalhou com ele na Benetton: Ross é um engenheiro que lida com gerenciamento, ele preenche os possíveis defeitos dos outros, sem ao menos criticá-los.
vou tacar o tamanco é no coulhard.
kazu subiu no meu conceito, bateu 2 vezes mas não abandonou, juntou vários pontinhos e ainda nocauteou uma bmw. assim é que se faz!
Oi, meninas!
Aline, como assim o “Kazu” subiu no seu conceito? Ele mandou dois mecânicos pro hospital ano passado, dessa vez mandou o Kubica pra fora da prova, e você acha bom? :O
Larissa, não estou ignorando todos os méritos do Ross Brawn, mas que a equipe destruiu todo o trabalho do Barrichello nessa corrida, não dá pra discutir, né? Mesmo os melhores chefes de equipe cometem erros (lembram da estratégia desastrosa da McLaren pro Hamilton em Interlagos ano passado?), e dessa vez o Brawn pisou na bola…
Beijo pras duas!
(atrasadão)
Ae Vi!!! Parabéns pra nós. Adorei o presente do Hamilton! Hehe!
O destaque da corrida foi mesmo a dificuldade nas freadas e a falta de sutileza com o acelerador que alguns demonstraram. O Massa é um grosso e eu já havia comentado com amigos que ele não tem talento pra correr sem eletrônica, o cara é um cavalo com o carro, sempre brigando e corrigindo, na primeira curva da corrida já errou na dose e rodou. Bem diferente da tocada suave do Hamilton, por exemplo.
É… Ainda vai levar um tempo para alguns se acostumarem com as mudanças… Arrisco até dizer que alguns nem vão se acostumar, heheheh!
[]s, Pit
Eu só não entendi a solução, deixar o carro sem combustível na pista? Na minha opinião eles sabiam o que estavam fazendo quando o chamou para reabastecer (recebendo a penalização de 10 segundos por isso), o problema foi a sair do pit fechado (o que resultou na desqualificação). E de quem é a culpa por isso? Ano passado tudo mundo meteu o pau no Fisichella e no Massa, não foi? E nesse ano é Ross que leva pau, mesmo sem ele ser o ‘estrategista’ da equipe? Para mim isso só tem um nome: galvanice.
Não estou colocando culpa no Rubens e tirando a culpa da equipe. Mas todos erraram no episódio e não somente uma pessoa chamada Ross Brawn.
Larissa,
Não estou jogando a culpa somente no Ross Brawn – leia acima “a equipe” destruiu o trabalho do Rubinho – mas cálculos de combustível, na minha opinião, fazem também parte da estratégia. E se o Brawn, escolado como é, não previu possíveis bandeiras amarelas com toda a mudança de regulamento, ele errou feio também.
Novamente, não tiro os méritos dele. Como não tiro os do Kimi, que é um piloto espetacular que fez uma corrida horrorosa.
Um abraço, Vi