Como funciona: 2008 e o fim do controle de tração
Enviado em 14 de Março de 2008
Publicado por Elo | Enviar por e-mail
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Para ser muito honesta, eu mesma já estava começando a esquecer o que era ver uma corrida de F1 onde os carros não estivessem cheios de parafernálias eletrônicas. O GP do Japão com aquele mundaréu de água me fez sentir saudades das largadas legendárias da década de 80, inesquecível o GP da Hungria que teve 3 delas, ou o GP da Austrália de 91, que por sinal teve que ser interrompido.
Sob escrutínio dos espectadores, que clamam por uma categoria mais emocionante onde os pilotos são realmente recompensados pela sua capacidade, e na tentativa de diminuir os custos astronômicos da categoria a FIA sancionou algumas mudanças.A primeira é a caixa de câmbio, que agora deve ser a mesma durante 4 corridas, a penalidade neste caso serão 5 posições no grid. A segunda é que a terceira parte do treino classificatório, a infame super pole, agora não vai ter a parte de queima de combustível (o meio ambiente e os espectadores agradecem); os pilotos vão começar a corrida com a quantidade de combustível restante, o que promete ser uma jogo de estratégia de primeira categoria. Em terceiro fica a nova regra para troca de motores, a partir de agora podem trocar de motor 1 vez sem penalidade, mantendo a punição de 10 colocações para as mudanças subseqüentes. A quarta, é a proibição do sistema de freios automático (engine-braking systems), que era usado para evitar que as rodas traseiras travassem quando ocorria uma freada brusca; a ironia neste item está no fato que o equipamento a ser instalado nos carros para impedir o uso desse sistema é produzido pela McLaren (Thiessen e companhia devem estar a ver conspiração em tudo). A última, e talvez a mais comentada, é a proibição do controle de tração.
O controle de tração é um dos filhos pródigos da Formula 1, entre 1994 e 2002 o mesmo esteve proibido, mas a impossibilidade de controlar quem o estava usando ilegalmente levou a FIA a traze-lo à legalidade. Sua função é manter aumentar a aderência dos pneus à pista, evitando que o pneu gire em falso. Apesar da força resultante da aerodinâmica avançada, os carros de F1 sofrem com as curvas e a falta de aderência que ocorrem nos pneus. Existem dois tipos de aderência, a direta (relacionada com a direção na qual o carro se encontra e determinada pela aceleração e frenagem) e a lateral (nas curvas), ou uma combinação das duas. De qualquer forma é difícil para um piloto determinar exatamente qual a aderência dos pneus o que muitas vezes o leva a perder a traseira, balançar, deslizar, etc. E nesses momentos era onde o controle de tração ajudava, já que o mesmo era capaz de calcular a aceleração necessária para que o carro não deslize, e ele automaticamente corrigia o excesso de aceleração por parte do piloto. Agora tudo volta a depender da habilidade do piloto. E quem sabe nos traz um pouco mais de emoção, afinal categorias como a GP 2 não usam controle de tração, e contam com mais ultrapassagens que a F1 (repeteco da ultrapassagem do Sato no Alonso pleaaasee!!!)
No paddock as opiniões são mistas, a grande maioria recebe a mudança de braços abertos. Rubens Barrichello, que no GP da Turquia comemorará o recorde de GP disputados, diz que se sente como “ uma criança que acaba de ganhar um brinquedo! Depois de tantos anos dirigindo sem controle de tração durante a década de 90 não foi difícil se re-acostumar”, ele menciona que o maior desafio vai ser realmente nas corridas sob chuva. Hamilton e Fisichela fazem coro ao mencionar que a ausência do controle de tração é sem dúvida difícil, mas ao mesmo tempo os leva a trabalhar mais e a se concentrarem em não errar a saída da curva.
Kimi enfatiza que as largadas também verão o impacto da proibição, sem o controle de tração as chances de perder posições aumentam. “Antes era mais ou menos automático. A diferença entra uma boa largada e uma não tão boa era praticamente imperceptível”, eu vou ter que discordar, por que o que teve de gente o ano passado que desperdiçou largadas não está no gibi, “mas agora se você errar vais ter que sair do grid muito devagar”, completa o atual campeão do mundo.
Para Robert Kubica “o controle de tração mascara erros, a saída que antes de custava dois décimos de segundo, agora vai custar no mínimo o dobro”. Até o hepta-campeão Michael Schumacher disse que está gostando de estar num carro sem controle de tração, mas ele enfatizou que os antigos V10 eram muito mais difíceis de controlar que atuais motores V8, limitados a 19,000 rpm (mas por favor, que se limite a só testar…)
No seleto clube dos que não vêem muito impacto na mudança, David Coulthard acredita que a única diferença vai ser nas corridas sob chuva, para o escocês todos os pilotos já têm um sistema inerente de tração, e a ausência do computador não vai ser tão grande. Nico Rosberg concorda com Coulthard. Jenson Button, recentemente condenou a mudança dizendo que o esporte deveria ser mais seguro e não mais perigoso, inclusive citou o GP do Japão de 2007 como um exemplo, que o mesmo sem o controle de tração teria sido muito pior.
Quem deveria estar preocupado é Felipe Massa, que na imprensa internacional é mencionado como o melhor exemplo de quem vai sofrer com a ausência do controle de tração.
E Kimi na sua frieza nórdica de pouquíssima palavras resume: “Claro que os carros ficarão mais difíceis de controlar, especialmente em condições de chuva, mas a maioria vai se adaptar”.
Nós ficamos na expectativa de uma temporada melhor que a de 2007, não que tenhamos ficado decepcionados com a mesma, mas estas mudanças devem refletir na pista, em carros mais difíceis de controlar e consequentemente os erros serão mais freqüentes e custosos, e os pilotos que se aventurarem a entrar em uma curva com mais velocidade que o normal vai ter que assegurar no braço o carro, e aposto, que vocês tal como eu já estão fazendo apostas de quem vai comer grama, ou para ser maldosa, seguir os passos do pai…
Fontes: CNN.com; Autosport; International Herald Tribune; Sydney Morning Herald; Telegraph.com.uk; F1Racing
hahahahahahahah adorei a parte do repeteco da ultrapassagem do Sato no Alonso hahahahahhahaha
Mas, voltando ao assunto principal, tá certo que é corrida de carro, porém eles só andam por conta de quem os guia e é o modo que eles guiam que nos fascinam, portanto… esse ano eu quero ver como os pilotos vão se comportar no carro meeeesmo!
O que me chateia é que durante a prova, ou melhor, durante as primeiras provas, teremos que continuamente ouvir falando a mesma coisa, o tempo todo a respeito das novas regras… Só ontem no treino transmitido pela Sportv isso foi comentado umas 15 vezes…
Resposta:
melhor assim, devíamos ter avisado o Massa, quem sabe dessa forma ele não faz burrada como no ano passado
“a ironia neste item está no fato que o equipamento a ser instalado nos carros para impedir o uso desse sistema é produzido pela McLaren (Thiessen e companhia devem estar a ver conspiração em tudo). ”
Eu nao acho q seja conspiração.O Theissen tem toda a razão ao dizer que a mclaren teve uma pequena vantagem no desenvolvimento por justamente produzir a ECU em parceria com a microsoft.
Confesso que estou ansioso,doido (por ser da área de informatica) para ver essa ECU da mclaren e da microsoft exibir na tela do volante : “Seu programa efetuou uma operação ilegal e será fechado”
Resposta:
Como usuária de Mac a quase 2 anos eu já esqueci o que é isso! hahaha
Mas teoria de conspiração foi jeito de dizer. Jean Todt também estava com a pulga atrás da orelha.
Agora é esperar para ver.
Comecei a ler, mas logo notei um deslize nas primeiras linhas. O GP da Hungria nunca teve três largadas. Talvez você esteja se referindo ao GP da Bélgica de 1987 ou ao GP da Áustria do mesmo ano. Entretanto, nenhuma das duas provas ocorria com pista molhada.
Agora, se você se refere ao GP da Bélgica com três largadas e pista molhada, esse ocorreu em 1998.
No mais, parabéns. Muito elucidativo o texto, além de contar com comentários dos pilotos
Vale distacar uma coisa, pela primeira vez na F1 será realizado um GP a noite o de singapura. Será muito interessante