Não sei exatamente por onde começar esse texto. Se pela parte tomara-que-caia, se pela bate-que-eu-gosto ou se pela vai-com-calma, garoto. Na dúvida, deixa dizer que quem viu a entrevista coletiva dos pilotos que chegaram ao pódio lá em Fuji percebeu: a cara do Hamilton, com aquele sorriso mal contido, dizia quase tudo. E ele mesmo verbalizou depois: “estou próximo de um momento maravilhoso na minha vida!” Eu também acho, Lewis, eu também acho, e estou torcendo desesperadamente para que isso se concretize na China semana que vem. Fazia tempo que não sentia isso. Thanks!
Bom, mas.. voltemos à corrida e deixemos de lado minha euforia (antes que a Pit ponha meu nome na boca do sapo).
Vou te contar uma coisa: esse negócio de largada em movimento eu acho um pé no saco (e olha que pra gente sentir dor em canto do corpo que nem tem é porque isso incomoda mesmo). Se você já teve o prazer de ficar na arquibancada em frente ao grid e de ouvir aquele “barulhinho” dos motores roncando enquanto aguardam as luzes se apagarem para a corrida começar, você compreende muito bem o porquê estou dizendo isso. Pior que isso só passar 18 voltas com o danado do Safety Car na pista e numa corrida realizada DE MADRUGADA. É aí que entra a parte tomara-que-caia que eu falei lá no primeiro parágrafo. O negócio tava chato que chegou uma hora que eu pedi logo para piorar de tal forma o tempo que a forma fosse interrompida por ali mesmo para poder ir dormir (e isso não tem nada a ver com o fato de que o Hamilton conquistaria os pontos da vitória, até porque a diferença pra Alonso permaneceria a mesma).
Felizmente, o cenário começou a mudar quando a Ferrari foi obrigada pela organização da prova a botar pneus pra chuva. Massa e Raikkonen entrarem nos boxes nas duas primeiras voltas foi um troço assim de cair o queixo até mesmo daqueles que viram o Prost rodar e sair em uma volta de apresentação em 1991. Ou seja, a Ferrari teve mais medo da bandeira preta do que das informações que o Stepney passou pra McLaren. O interessante é que, enquanto estava aquela brincadeira de “siga aquele carro” (o Safety Car), Kimi e Massa entraram novamente nos boxes na 14ª e 15ª voltas, respectivamente, desta vez pra reabastecer. E o brasileiro ainda “fez o favor” de ser punido por ultrapassar outro carro enquanto o Safety Car ainda estava na pista – Alô, alô, Massa, durante a pré-temporada releia as regras do campeonato para não cometer outro erro (já basta ultrapassar o sinal vermelho no pit lane).
Quando as condições da pista ficaram menos ruins e o SC voltou pros boxes, impressionou-me o fato de Kimi cruzar a primeira volta em 14º. O problema dele é que, como tava dizendo para Miss Pitlane, o friozinho o deixava com vontade de tirar uns cochilos, aí quando a chuva apertava mais ele despertava e ficou oscilando, como de costume, durante o restante da corrida. Fez boas ultrapassagens como aquela em cima do Coulthard a 11 voltas do fim, mas dava umas saídas da pista na seqüência que me faziam lembrar o saudoso narrador de vôlei Marco Antônio, que sempre dizia em casos como esse: é uma no cravo, outra na ferradura. Terminou em terceiro e ficou de bom tamanho a julgar o começo desastroso da equipe.
Massa pagou pelos erros próprios e coletivos. Bom mesmo só naquele vale-tudo final contra o Kubica nos últimos metros da prova. Nos replays, eu até fiquei me perguntando se a manobra dele que lhe rendeu a quinta colocação não teria sido imprópria e passível de punição, apesar de ali não ser uma chicane e de ele não ter feito a saída de propósito para se beneficiar, mas talvez isso seja apenas efeito do sono acumulado. Felipe deixou o polonês para trás, contudo acho que dificilmente deva ultrapassar Kimi Raikkonen no Mundial de Pilotos, terminando mesmo em quarto lugar na classificação geral.
Agora, vamos ao que interessa. A briga pelo título entre aqueles que têm mais pontos. A coisa que mais me desagradou quando vi que a previsão de tempo ruim se confirmara foi que isso anulava a disputa que a gente tanto queria ter visto entre Hamilton e Alonso logo ali na largada. Daí, tivemos que nos “contentar” com aquele acelera-e-diminui do inglês na frente do espanhol com horas que, não sei quanto a vocês, faziam-me rir imaginando o que o bicampeão do mundo pensava agüentando aquele joguinho do líder do campeonato. Porque ele sabia que não podia passar e devia estar morrendo de vontade de bater nele pros dois saírem e ele encher Lewis de catiripapos. Duvida? Eu não!
Pois bem. Quando o Safety Car se retirou e o pega-pra-capá teve início, afinal, secretamente eu torci pro Alonso estrear no Master of Disaster das F1 Girls. Eu já tava comemorando o fato dele ter voltado bem lá atrás depois da parada nos boxes enquanto fazia contas e mais contas de, estando Hamilton cinco posições na frente dele, quanto ele precisaria marcar para receber o troféu de campeão já na China. Ok, é feio dizer isso, antidesportivo até, mas… eu confesso: pulei do sofá para comemorar a batida dele a 25 voltas do final.
Eu posso estar comemorando antes do tempo e isso pode até trazer má sorte pro garoto, todavia para quem está torcendo pelo novato vai ser difícil se conter, ao menos hoje, de tirar um sarro da cara dos fãs de outros pilotos. E Hamilton pode até se dar mal nas duas últimas corridas do ano, mas depois de pilotar como pilotou debaixo daquele aguaceiro todo calou mais uma vez a boca daqueles que dizem que ele só está conseguindo o que fez até agora por causa do carro. Arrisco dizer que ele derrubou de vez as chances dos adversários depois dessa e, leia-se, principalmente de Alonso. Espero não estar enganada, repito, ele merece o título. Assim como o Vettel merecia ter terminado a prova como o fez o Kovalainen (o sorriso franco dele na coletiva e o gesto no pódio pedindo para que lhe entregassem o troféu mostram bem qual o sentimento de um piloto quando ele alcança algo tão almejado). A Fórmula 1 que a gente tanto ama é assim: alegria de uns, tristeza de outros. Numa mesma prova.
Por vezes, no mesmo instante.