Ok, eu sei que tô atrasada na publicação da coluna deste mês. Mas vai dizer que você nunca perdeu um prazo? Pois é. Contudo, cá estou para falar de mais uma corrida inesquecível. Com o campeonato sendo decidido quase no photo sharp e a volta do circuito de Fuji ao calendário da Fórmula 1, achei melhor pesquisar sobre como foi a primeira corrida com esses carrinhos que a gente tanto ama lá em solo japonês. Então, voltemos a 24 de outubro de 1976, data da estréia de Fuji e do Japão na F1.
O grid tinha Mario Andretti (de Lotus) na pole, Hunt em segundo e Lauda na terceira posição (José Carlos Pace era o sexto com sua Brabham e Emerson Fittipaldi o 23º com a Copersucar). Tal qual muitas corridas de hoje em dia, aquela também foi decidida logo no começo. Tudo graças a um dilúvio e meio que caía no autódromo naquela tarde. Além da tempestade, havia neblina e a pista estava alagada.
O zum zum zum foi grande entre pilotos e dirigentes antes da prova começar por conta disso, com o agravante de que aquele Grande Prêmio decidiria o título do Campeonato de Pilotos da temporada. Até ali, depois de 15 etapas, Niki Lauda (Ferrari) liderava com três pontos de vantagem em relação a James Hunt (McLaren). Mas, você sabe, o show tem que continuar, e foi decidido que havia condições da corrida ser realizada.

Na largada, Hunt e John Watson (da Penske, que havia alinhado em 4º) ultrapassaram os pilotos que estavam imediatamente à sua frente (Andretti e Lauda, respectivamente) e tomaram a dianteira. Andretti havia caído para 3º e Lauda era o 10º. Na primeira volta, Larry Perkins (da Brabham) deu início às desistências da prova. Depois dele, mais três acharam melhor guardar os carros na garagem, sendo que um deles foi ninguém mais ninguém menos que Niki Lauda (os outros dois foram Fittipaldi e Pace).
O austríaco, campeão do mundo no ano anterior e vivo por um desses milagres que ninguém consegue explicar após ter sofrido o mais grave acidente de sua carreira, entrou nos boxes e desistiu de correr naquelas condições. “A Ferrari me paga para guiar, não para me jogar pela janela”, explicou tempos depois. O pessoal de Maranello não gostou muito disso não e alguns tifosi chegaram a acusa-lo de “covarde”, mas só Lauda, convenhamos, tinha noção do quanto valia a pena arriscar o pescoço outra vez.
A corrida seguiu seu curso. James Hunt a liderou por 61 das 73 voltas. O tempo melhorou e a pista secou. Na 62ª, ele foi ultrapassado por Patrick Depailler (Tyrrel) e por Mario Andretti. Sabia que, com o abandono de Lauda, só precisava chegar em 4º. Seus planos, com perdão do trocadilho, quase foram por água abaixo na volta 64, quando começou a ter problemas com o pneu esquerdo traseiro, que passou a se esvaziar. Foi para os boxes e terminou na quinta posição ao fim da 69ª.
A três voltas do final, o título estava nas mãos de Lauda. Contudo, Hunt ultrapassou Alan Jones (Surtees) e Clay Regazzoni (Ferrari) na 70ª, conquistando o terceiro lugar no pódio. Reza a lenda que ele, ainda assim, terminou o GP de número 280 da história da Fórmula 1 crente que havia perdido o campeonato. Para a alegria de seus fãs, ele estava enganado. James Hunt consagrava-se ali o campeão de 1976, o único título de sua carreira seis anos na Fórmula 1. Morreu em Londres, de problemas cardíacos, aos 45 anos no dia 15 de junho de 1993.