Um dia histórico
Enviado em 14 de Setembro de 2007
Publicado por Gil | Enviar por e-mail
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Em poucas horas o título deste post mudou um monte de vezes. E o próprio texto que virá a seguir também. Pela manhã, houve toda aquela ansiedade na espera pelas notícias. E vou te contar uma coisa: me senti na sala de espera de um hospital aguardando a notícia do médico. De repente, na hora do almoço (e óbvio que isso tinha que acontecer quando se está longe de um computador com acesso à Internet), chega a notícia bomba: A MCLAREN HAVIA SIDO EXCLUÍDA DOS CAMPEONATOS DE 2007 E 2008!

Liguei na mesma hora pra Andrea, que tinha me mandado um torpedo (tudo a ver esta palavra “torpedo” diante de tal contexto, não acham?). A ligação estava ruim, mas deu pra entender que ainda não havia notícias sobre os pilotos, mas que havia mesmo sido divulgada esta notícia. Fiz novo contato telefônico e meu noivo, o Expe, falou que os sites brasileiros estavam reproduzindo a informação da Autosport. Pô, era a Autosport!!! Não podia ser barriga, isto é, não podia ser uma notícia falsa.
O pessoal que estava na mesa comigo (comemorávamos o aniversário de uma amiga do trabalho) quis saber o que houve e também ficou estupefato. Saí do restaurante ainda com esta notícia em voga. Depois que me despedi deles e fui ao banco, peguei-me por várias vezes imaginando como seria ver a Fórmula 1 sem a McLaren. Entendam: não é uma questão de ser fã desta ou de outra equipe, mas é que a equipe na qual Emerson Fittipaldi conquistou seu segundo título e Ayrton Senna havia sido tri estaria fora.
Tem noção do que é isso? Eu não tinha a mínima. Na minha cabeça, comecei a redigir um texto no qual eu colocava o Stepney e o Coughlan na mesma categoria do Mark Chapman e do Márcio Rossini (se você não sabe, o primeiro matou John Lennon e o outro quebrou o joelho do Zico). Em outras palavras, eles já tinham um lugar de honra no meu caderninho preto, na boca do sapo e, com certeza, no inferno. Afinal, eles teriam conseguido fazer o que ninguém poderia imaginar: tirar a McLaren das corridas por mais de um ano!!! Era a minha segunda coisa impensável de acontecer em termos de Fórmula 1 (a primeira, óbvio, era ver aquilo que aconteceu com o Senna em Ímola).
Coisa de uma hora depois (ainda no banco), Expe liga dizendo que a Autosport e os outros sites tinham tirado do ar a notícia da exclusão. Opa, isso aí já era uma surpresa em si. Porque, pra Autosport fazer isso, é porque a barriga havia sido grande, ou seja, eles se precipitaram em querer dar a notícia e… voilà, ela não estava confirmada. Declaradamente torcedora para que a punição fosse apenas individual (pro Stepney e pro Coughlan), passei a pensar em como escrever sobre uma possível “passada de mão na cabeça da McLaren”. Confesso que não pensei muito tempo nisso. Eu estava (e ainda estou) feliz com isso. Era uma chance do Hamilton fazer história ainda (sim, eu tô torcendo por ele).
Depois, Expe liga novamente e Dea manda avisar: multa de $100 milhões, além da cassação dos pontos do mundial de construtores e aquele lenga-lenga burocrático de apresentar o carro 2008 antes de que o danado vá pra pista. Arrumei um cybercafé pra poder ver e ler as notícias de todo o dia e confirmar que este dia realmente aconteceu (você viu a manchete do site Grande Prêmio aí em cima e que deixou fãs da McLaren no Brasil de cabelo em pé e olhos arregalados e inchados de chorar, não é?).
O que não dá pra não dizer é que, apesar de ter gostado da decisão da FIA, a decisão é mais uma prova do jogo político dentro da Federação Internacional de Automobilismo. Afinal, se ela foi multada porque foi comprovado o uso das informações a McLaren deveria ter sido excluída ou eu tô doida? De toda forma, a entidade garantiu que amanhã vai divulgar tin tin tin por tin tin tin porque a pena para a equipe inglesa foi essa.
A nós nos resta a constatação de que acabamos de viver um dia realmente histórico.