Mansell em seu momento Gabrielle Andersen-Scheiss
Enviado em 8 de Agosto de 2007
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Eu ia fazer este mês uma volta aos anos 70, mas não resisti a prestar uma homenagem a Nigel Mansell no mês em que ele comemora os 15 anos de seu único título na Fórmula 1. Eu juro que tentei escolher alguma etapa da categoria na qual não tivesse uma daquelas coisas que pareciam só acontecer com o Leão inglês, porém eu não consegui. Então, relembremos o GP dos Estados Unidos de 1984, lá em Dallas. O Grande Prêmio da imagem marcante de Mansell empurrando seu carro para cruzar a linha de chegada.
Dá pra entender o desespero do Leão se a gente levar em consideração que ele foi o pole e que ele liderou mais da metade da prova em um ano que as coisas não iam muito bem para ele. Até ali haviam sido oito etapas e Mansell só pontuara duas vezes: no Canadá, ele fora o sexto e na França, o terceiro; o que lhe garantira modestos cinco pontos e a 10ª posição no mundial de pilotos – 30,5 pontos atrás do líder Alain Prost. E o pior: seu companheiro na equipe Lotus, Elio de Angelis, estava em terceiro na classificação geral, com 22 pontos.
Naquele 08 de julho, o calor era forte no circuito de rua de Dallas. Na largada, o inglês manteve a liderança enquanto De Angelis e Warwick tentavam alcança-lo. Senna, que alinhara em sexto, pulou para quarto, mas bateu no muro e caiu para penúltimo na segunda volta. Outro que saiu da cola do Leão logo cedo foi Warwick, na volta seguinte também graças a uma batida. Depois, o calor começou a fazer efeito nos pilotos e nas máquinas.
Keke Rosberg aproveitou-se para ultrapassar De Angelis na volta 19, que foi superado por Prost 11 voltas adiante. Na 25, Patrick Tambay, de Renault, envolveu-se em um acidente e saiu. Nas voltas 33 e 34, Rosberg e Prost duelaram pelo segundo lugar e o sueco não só levando a melhor pra cima do francês como ainda tirou a liderança de Nigel Mansell. Com os pneus desgastados, o inglês aproveitou para fazer seu pit stop.
Voltou e ficou lá atrás. Sétimo, sexto, sétimo, oitavo, sétimo, sexto e, finalmente, quinto. Mansell não teve mais meios de se aproximar dos líderes. Enquanto Prost batia e Rosberg ganhava o primeiro lugar de bandeja, com René Arnoux (Ferrari) e De Angelis em segundo e terceiro, respectivamente, o Leão protagonizou uma das cenas mais marcantes de sua carreira e da própria história da Fórmula 1. Com pane seca e problemas na caixa de marchas, o carro parou. Bem ali. A poucos metros da bandeira quadriculada ser agitada pro bravo piloto. E aí entrou em ação o Mansell que a gente se acostumou a ver. Sem se fazer de rogado, o inglês desceu de sua Lotus e, para espanto de todos, simplesmente começou a empurrar o carro. Debaixo daquele solzão, sem tirar o capacete ou afrouxar um pouco que fosse do macacão, ele seguiu firme até receber a bandeirada e garantir mais um pontinho.
Logo depois, ele desmaiou tamanha exaustão. Esta cena sempre me faz lembrar de outra parecida que ocorreu também nos Estados Unidos, no dia 5 de agosto daquele mesmo ano. Nas Olimpíadas de Los Angeles, a suíça Gabrielle Andersen-Scheiss emocionou o mundo com sua obstinação embaixo do sol, sem aceitar ajuda médica, para conseguir terminar a maratona – cuja vencedora havia cruzado a linha de chegada mais de 20 minutos antes. Terá o Mansell feito escola?