A caminho do PAN e da primeira parte das minhas férias, minha cabeça anda bem longe. Mas, enquanto eu estiver na minha cidade do coração, ocorrerá o GP da Europa. Daí, surgiu o tema para a coluna deste mês. É que basta mencionar essas três palavrinhas que minha mente vai direto lá para trás. Para aquele 11 de abril de 1993 em Donington Park.
Depois da emocionante vitória de Senna em Interlagos, 15 dias antes, o cenário já estava todo montado na sala da casa dos meus pais. O sofá de um lugar em frente à TV, a bandeira do Brasil presa na estante com o peso de algum enfeite e o apito amarelo bem ao lado. Entretanto, quando acordei por volta das 6h30 – como de costume – eu torcia, obviamente, por outro domingo fenomenal de Ayrton nas pistas, mas com ele largando em 4º lugar (atrás de Prost, Hill e Schumacher) as coisas poderiam não sair como o esperado. E não saíram mesmo. Foram muito melhores!
Choveu forte no circuito na sexta, fez sol durante os treinos de sábado, mas a largada foi debaixo d’água. Schumacher bloqueou Senna, o que permitiu a Karl Wendlinger (da Sauber) ultrapassar os dois e pular para 3º. Com a manobra, o brasileiro tinha caído para a quinta colocação. Eu não faço a menor idéia do que passou na cabeça dele naquela hora, porém o fato é que antes daquela primeira volta acabar ele já tinha deixado todos eles para trás.
Na saída da curva Redgate, ele passou Schumacher. Logo depois emparelhou com Wendlinger na Craner e assumiu a terceira posição. Na subida, Senna se aproximou de Hill e ultrapassou o filho de Graham na Coppice. No hairpin, o brasileiro já estava no encalço de Prost. Ele mergulhou por dentro e tomou a liderança do francês, cruzando em primeiro para abrir a segunda volta!!!!
No bloco de trás, a rotina continuou para um dos maiores destruidores de carros da história da Fórmula 1. Michael Andretti, até então companheiro de Ayrton na McLaren, e filho de Mario Andretti (campeão da categoria em 1978), envolveu-se em mais um acidente (o terceiro consecutivo) com Wendlinger e ambos abandonaram a prova.
Alheio à pífia apresentação do norte-americano que pilotava (?) a outra McLaren, Senna abriu uma vantagem de sete segundos e a administrou pelas voltas seguintes. Com a pista secando, os pits começaram. Prost assumiu o primeiro lugar quando Senna parou na 19ª volta para botar os pneus slicks, mas sua posição não durou muito tempo. Na 20ª, o brasileiro voltava a liderar a prova.
Quando a chuva resolveu apimentar de novo a corrida, Prost e Hill entraram nos boxes para trocar novamente os pneus. Senna não. O chove-e-estia continuou e todos foram para os pits a fim de pôr os pneus de pista seca. Durante sua troca, os mecânicos da McLaren tiveram problemas e a parada de Senna durou 20 segundos, o que possibilitou a Prost tomar a liderança de novo.
A alegria do piloto da Wililams novamente teve vida curta. Depois de quatro voltas, a chuva recomeçou. Prost e Hill botaram, de novo, pneus para pista molhada. Senna não. Apostando que o asfalto secaria, o brasileiro manteve-se com os pneus slick. Sua aposta mostrou-se sábia. Sem precisar entrar mais uma vez nos boxes, Ayrton partiu para a vitória enquanto seus adversários faziam uma nova troca.
O curioso é que Senna chegou a entrar nos boxes quando a chuva apertou mais um pouco, mas a equipe não estava pronta e ele passou direto – e ainda assim marcou nessa a volta mais rápida da prova!!! Como o aguaceiro diminuiu de intensidade no seu retorno para a pista, ele decidiu não fazer o pit naquele momento.
A poucas voltas do final, adivinhem o que aconteceu.
Mais chuva.
Dessa vez, Senna não teve dúvidas. Precisava parar. Todos fizeram o mesmo. E as posições se mantiveram até o fim, com o brasileiro conquistando sua 38ª vitória, a 101ª da McLaren e a 162ª dos motores Ford Cosworth. Apenas nove carros acabaram a prova, incluindo aí as duas Minardis (Fabrizio Barbazza, em 6º, e Christian Fittipaldi, em 7º) e a Larrousse de Eric Comas, em 9º.
O show de Barrichello – O que pouca gente lembra é que outro brasileiro foi muito bem naquela prova (confesso que nem eu recordava isso). Rubens Barrichello, que havia largado em 12º com sua Jordan, passou em 4º ao final da primeira volta!!! Ganhando aí, pelo menos seis posições no braço. Durante toda a corrida, Barrichello manteve-se entre os primeiros.
Sua posição variava entre o terceiro e o quarto lugares. E só nas voltas 29 e 30 que ele caiu para 5º. No seu ápice na prova, foi vice-líder (atrás de Ayrton), da volta de número 49 a 55. A surpreendente performance de Rubinho, que teve problemas no carro a seis voltas do fim quando estava em terceiro, acabou sendo ofuscada pelo brilho de Senna.
28/01/2009 às 6:10 PM |
Nos tempos em que Barrichello aparentava que poderia ser um piloto decente…