Ronnie Peterson
Enviado em 29 de Maio de 2007
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“Quando o fim chegar, espero que seja espetacular. Eu prefiro deixar esta vida em alta velocidade do que dormindo. Se não há coragem, não há glória; é isto que o automobilismo significa” (Ronnie Peterson)
Muitos especialistas em automobilismo consideram que Stirling Moss, Gilles Villeneuve e Ronnie Peterson são os três maiores pilotos que nunca conquistaram um título na Fórmula 1. Apesar do currículo modesto em termos de números, o tempo e os torcedores se encarregaram de fazer justiça a eles – que permanecem na memória de qualquer apaixonado por corridas de carros como modelos de talento, arrojo e determinação.
Bengt Ronnie Peterson nasceu em Örebro, na Suécia, em 14 de fevereiro de 1944. Como Gilles Villeneuve, vinha de família humilde – o pai era padeiro – e começou muito cedo no Kart, rapidamente chegando ao topo da categoria na Europa. Não demoraria para que ele chegasse à Fórmula 3, aos 24 anos, em 1968 – pilotando um carro adaptado de uma Brabham que ele mesmo projetou, juntamente com o pai.
O piloto começou a chamar a atenção ao vencer o GP de Mônaco de F3, em 1969, em um combate roda-a-roda com o também sueco Reine Wisell que durou boa parte da prova. Peterson conquistaria o título da categoria naquele ano, pela equipe italiana Tecno.
Em 1970, Peterson estreou na F1 pela equipe March, e permaneceu na escuderia pelas três temporadas seguintes. Era comum na época que pilotos de F1 participassem de GPs em outras categorias, e em 1971 ele venceu o Campeonato Europeu de Fórmula 2, também pela March; na F1, ele obteve cinco segundos lugares, que lhe valeram o vice-campeonato. Em 1973, Colin Chapman contratou Peterson para formar a dupla da Lotus com o brasileiro Emerson Fittipaldi, estrela da equipe e campeão mundial de 1972 – o novato não se intimidou com a presença de Emerson, conquistando no mesmo ano a sua primeira vitória na F1, em Paul Ricard, na França. Ele ainda subiria ao alto do pódio três vezes na temporada: na Áustria, na Itália e nos Estados Unidos, terminando o campeonato em terceiro lugar.
Três outras vitórias aconteceriam em 1974 – França, Itália e Mônaco.
Em 1976, depois de uma temporada complicada, com um carro mal projetado (o Lotus 76), o sueco voltaria para a March, vencendo mais uma vez o GP da Itália, disputado em Monza. Ironicamente, o circuito onde Peterson obteve três de suas dez vitórias seria também o cenário de seu acidente fatal.
Em 1977, Peterson foi para a Tyrrell, que apresentava o polêmico modelo de seis rodas, o P34B; foi um desastre, porque o sueco não era um bom piloto de testes e não se entendia com o carro. Seu melhor resultado foi um terceiro lugar, na Bélgica. Em 1978, ele voltou para a Lotus (assinando um contrato considerado controverso, que determinava que ele seria o segundo piloto), onde venceria seus últimos GPs, na África do Sul e na Áustria. Em Monza, viria a tragédia.
Peterson já havia enfrentado problemas nos treinos, ao danificar o carro e machucar as pernas – não havia carro reserva para ele, apenas para o companheiro Mario Andretti, muito mais baixo; o sueco não conseguia sequer entrar no carro direito. A outra opção disponível era um modelo do ano anterior.
No início da prova, perto da primeira chicane, vários carros brigavam por posições ao mesmo tempo, o que causou um efeito “funil”. James Hunt bateu em Peterson, e Riccardo Patrese, Vittorio Brambilla, Didier Pironi, Clay Regazzoni, Hans-Joachim Stuck, Patrick Depailler, Derek Daly e Brett Lunger também se envolveram na confusão. O carro de Peterson atingiu as barreiras de proteção e pegou fogo. O piloto ficou preso às ferragens, mas Hunt, Depailler e Regazzoni conseguiram resgatá-lo antes que ele sofresse queimaduras graves. Apesar de consciente, Peterson tinha lesões graves nas pernas, mas a preocupação geral era com o italiano Brambilla, atingido na cabeça por uma roda, inconsciente e provavelmente em coma. Depois de cerca de 20 minutos, o socorro médico chegou e os pilotos feridos foram levados para um hospital em Milão. A corrida recomeçou normalmente.
Brambilla se recuperaria, e voltaria a correr. Peterson não teve a mesma sorte. Depois de uma cirurgia para reparar dez fraturas nas pernas, a medula óssea do piloto vazou para a corrente sanguínea, provocando glóbulos de gordura em órgãos vitais. Ele foi declarado morto pela manhã. Sua vida teria sido salva se ele tivesse recebido cuidados médicos imediatamente depois do acidente, mas a demora do atendimento e a prioridade dada a Brambilla selaram o destino do sueco.
O drama de Peterson se estenderia à sua família. Em 1975, ele havia se casado com a modelo Barbro Edwardsson, com quem teve uma filha, Nina Louise. Barbro jamais se recuperou da morte do marido, e cometeu suicídio em 1987.
Ronnie Peterson entrou para a história do automobilismo não apenas pela sua velocidade impressionante, mas pela personalidade fora do cockpit. O piloto que todos admiravam pela agressividade nas pistas era um homem tímido e introspectivo, de uma lealdade rara em um mundo tão competitivo, que pode ser exemplificada na sua declaração, pouco antes de morrer, ao ser questionado sobre os motivos porque não deixava sua posição de segundo piloto da Lotus e disputava abertamente o título com Andretti: “Eu vou para a McLaren no ano que vem. Não foi anunciado ainda, mas Mario sabe. Essas pessoas que dizem que eu deveria esquecer nosso compromisso agora… eu não as entendo. Eu tinha meus olhos bem abertos quando assinei o contrato, e dei minha palavra. Se eu a quebrar agora, quem vai confiar em mim?”
Voces estão de parabens, é uma exelente página, bem completa, que só vem a comprovar a inteligencia e o estigma bem como o lado detalhista da mulher, contiinuem assim. Bjs
Agradecemos o comentário, Charles!
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Abs,
Pit