Cinco estranhas no ninho

Aproveitando que em março comemora-se o Dia Internacional da Mulher, resolvi falar um pouco da história das mulheres na F1. Mas antes que a Fórmula 1 sequer existisse, já havia corridas de automóveis. E foi justamente nessas corridas que Mariette Heléne Delangle (nascida na França, em 1900), mais conhecida como Hellé Nice, disputou, em 1929, sua primeira corrida (que era apenas para mulheres). Em 1931, ela começava a competir com os homens, sem perder sua feminilidade, o que a destacava, naquele universo que, antes dela, era 100% masculino. Uma acusação de ter colaborado com o nazismo encerrou a carreira de Hellé Nice, embora ninguém tenha conseguido qualquer evidência que pudesse comprovar o fato. Ela disputou mais de 70 corridas e morreu sozinha aos 84 anos.

Maria Theresa de FilippisDepois que a categoria da F1 foi criada, em 1950, cinco representantes do sexo frágil já competiram. A italiana Maria Theresa de Filippis, nascida em 11 de novembro de 1926, em Nápoles, entrou para a história da F1 como pioneira, porém participou de cinco GPs, classificando-se apenas em três (Bélgica, Portugal e Itália, em 1958). Destes, Maria Theresa completou apenas o GP da Bélgica, em 10º lugar.

Lella LombardiMaria Grazia Lombardi, conhecida como Lella Lombardi, foi a segunda mulher a pilotar um F1 e a que teve o melhor desempenho. Estreou no GP da Grã-Bretanha de 1974 aos 33 anos e participou de 17 GPs em 3 temporadas. Lella cruzou a linha de chegada em 6º lugar, marcando 0,5 ponto no caótico Grande Prêmio da Espanha de 1975, onde apenas oito carros (dos 25 que largaram) terminaram a prova. (Devido à prova ter sido finalizada com menos da metade das voltas, foram atribuídos apenas metade dos pontos). Morreu em 03 de março de 1992, devido a um câncer.

Depois de Lella, ainda tivemos mais três representantes femininas na Fórmula 1, mas nenhuma delas teve resultados expressivos.

Divina Galica estava inscrita em 3 GPs (Inglaterra em 1976, pela equipe Surtess, e Argentina e Brasil em 78, pela Hesketh), mas não se classificou para nenhum deles. Desireé Wilson estava inscrita apenas no GP da Inglaterra de 1980 (pilotando uma Williams particular) e também não se classificou.

Giovana AmatiNos três primeiros GPs de 1992 (África do Sul, México e Brasil), tivemos a oportunidade de ver a última mulher que teve a chance de tentar alinhar no grid, mas como Giovana Amati não conseguira classificar o Brabham-Judd, foi, então, substituída pelo futuro campeão mundial de 1996, Damon Hill, nas etapas restantes. E adivinhem? O carro era tão bom que ele também não conseguiu classificá-lo em seis das etapas seguintes.

Além das cinco citadas, também tiveram a oportunidade de guiar um F1: a americana Sarah Fisher, em 2001, num evento da McLaren em Indianápolis, e a inglesa Katherine Legge que fez 27 voltas em um teste da Minardi, em Vallelunga, 2005.

Há os que aprovam a presença de mulheres no automobilismo, como Niki Lauda, mas também há aqueles que não vêem com bons olhos, como o inglês Jenson Button: “As mulheres começam a correr nas fórmulas menores com 16 ou 17 anos. Elas não terão chance começando assim. Eu e a maioria dos outros pilotos iniciamos com oito anos. O desgaste físico é muito grande e há esportes nos quais a mulheres não correm bem: o automobilismo é um deles”, declarou à rádio BBC, em 2003.

Resta-nos imaginar o que aconteceria se houvesse igualdade de condições, se elas começassem com a mesma idade que os homens, ou se tivessem oportunidade de disputar provas com carros competitivos, pois todas cinco representantes femininas na F1 disputaram provas com carros bastante inferiores aos dos rivais masculinos.

Tudo na base de puro achismo meu. Já que o Jenson não é mulher e acha que nós não seríamos capazes de resistir ao desgaste físico do automobilismo, por que não podemos achar justamente o contrário?

Imagens:
StatsF1, Wikipedia e Rainer Nyberg (Atlas F1 Autosport).

24 respostas para Cinco estranhas no ninho

  1. Valdemar disse:

    Oi, Dea.

    Muito legal essa coluna. E propício também falar na história das mulheres, não só na F-1 como também no automobilismo em geral. Se as coisas ocorressem da forma com Jenson Button diz, não teríamos Danica Patrick na Indy e nossa Bia Figueiredo (andando muito bem, diga-se de passagem) na Indy Lights. Aliás, já venho acompanhando essa menina desde a Fórmula Renault, se não me engano o nome da categoria que ela competia, e sempre andou muito bem, inclusive vencendo corridas. É arrojada, ousada, veloz e vai pra cima mesmo. Certamente, vai muito em breve estar num cockpit da Indy. E vai andar muito mais que muito barbeiro que tem na categoria americana.

  2. Dea disse:

    Oi, Valdemar!
    Não acompanho outras categorias de automobilismo, só a F1 mesmo, mas tenho visto alguns comentários do pessoal da imprensa especializada sobre a Bia Figueiredo… tomara que a moça vá longe!
    Eu queria ter inspiração pra escrever outra coluna dessa, hahahha! Mas tô com umas idéias aqui… qualquer dia desses sai outra. =)
    abraço

  3. Maurício disse:

    Saiu à algum tempo um boato na rádio paddoc q a Danica poderia ir para a F1, mas pelos resultados em circuitos misto da Indy é quase impossível, acho q a Bia teria mais condição, pela formação em circuitos mistos q ela teve por aki, já a Danica, teve a clássica formação americana, em ovais.

  4. Sens disse:

    Dea, excelente estudo, só agora tive a oportunidade de ler. Quando você comenta “não se classificaram” você quer dizer que nem chegaram a largar? por ter limites de carros no grid ? Até quando teve isto na Formula 1?
    Se é isto, então oficialmente tivemos apenas 2 mulheres a participar de algum GP de formula 1 correto ? tendo em vista que a FIA considera participação apenas depois de completar 1 volta.

    []s

    Resposta:

    Olá! Obrigada!
    Sim, só duas das aventureiras efetivamente participaram de GPs. ;)
    Com relação a até quando houve limitação no grid, vou ficar te devendo, mas vou procurar e te aviso se encontrar qualquer coisa ;)

    abraço

    Dea

  5. Rafael disse:

    Primeiramente, parabéns! Seu blog é incrível! Você realmente conhece do assunto!

    Quanto aos comentários do Button, um machista idiota, apenas vejam as temporadas pífias que ele fez. Elas falam por ele. Já o Niki Lauda, que tem três títulos e sempre pilotou muito, discorda dele, não é? Quem será que sabe mais de automobilismo? Quem será que está certo?

    No mais, aconselho você, Dea, a acompanhar outras categorias. A F1 tem um charme especial indiscutível, mas as outras categorias também empolgam muito. Você vai perceber até que sua forma de ver a F1 vai mudar e seu o prazer em assistir corridas vai aumentar muito.

    Abraços!

  6. Fernando disse:

    Valeu Dea, Grande matéria(a melhor das que eu ví aqui).

    É claro que a mulher tem condições físicas de competir na f1, mas ela terá que fazer uma preparação física maior que os homens porque sabemos que o desgaste físico é mesmo grande. Lembro de Senna no grande prémio do Brasil(não lembro o ano) que ganhou a corrida e quase desmaiou antes de sair do carro. Não acho que sou machista, mas sim realista(até rimou!!!), acho que as mulheres deviam ter uma categoria feminina, isto sim seria mais justo. A ideia está lançada. Espero as críticas, se houverem.

    • Dea disse:

      Obrigada, Fernando! E concordo em tudo! :)
      A pergunta é: será que teria mulher suficiente pra formar um grid? rs

      []‘s

  7. Mas a Danica, Bia e Sarah começaram cedo…
    mas claro que é verdade, quem começa com 17 anos não tem o mesmo rítmo não vale por genero nem raça, mas sim a idade.
    Mas a própria Danica indo pra F1, vai se queimar e queimar as mulheres…se formar a USF1 mesmo, e indo Danica e Marco (2 USA) será um fracasso…e o seu Marco é pior ainda que a Danica.

  8. Rogerio Pinto disse:

    Realmente não consigo torcer para o Rubens Barrichello. O cara só corre por dinheiro. Quem é que não vê que ele é o mesmo escudeiro do ano passado. Só que agora o Button é o Schumacer da vez. Rubinho é um MERCENARIO.

  9. Gustavo Guedes Vargas disse:

    A formula 1 sem a Ferrari na briga perdeu o ar de uma competição de clamur como sempre foi!!!Fuerza Felipe e KImi o homem gelo vcs são os melhores! Sou fam das vermelhinhas do asfalto….”Adelante, fuerza,Ferraritas”

  10. Eliana Jornalista disse:

    oi Dea, tudo bem.

    eu achei que era fã de automobilismo, mas eu sou é apaixonada por F1, acho as outras bem chatinhas, tento assistir, mas da um sono.

    concordo com vc Rogério, o Barrichelo deveria ter dado adeus a muito tempo, ele sempre foi um piloto razoável, desculpa quem gosta dele, mas é minha opinião.

    Vamos Ferrari, pelo amor de deus, ganhar amanhã, para ser a primeira de muitas, Ice man sou sua fã, te acho ótimo…

  11. Francisco disse:

    Penso que as mulheres podem pilotar F1, quando bem treinadas, porque é uma questão de resistência física e não força física, uma maratonista está exercitando sua resistência e não sua força como um tenista com seus golpes ou alterofilista ao levantar pesos, é um esporte que não exige explosão como uma corrida de 100 metros, se parece mais com uma corrida de 10 mil metros. Mas, talvez eu esteja enganado.

  12. Ébom demais,ter a mulheres da f1,será excelente as mulheres entrarem na autobilismo,as mulheres correm melhores do que os rapazes,seria ótima ideia.

  13. Laryssa disse:

    Amei a matéria muito interessante falar sobre essa participação tão importante da mulher na F-1 . Isso mostra que nois mulheres temos a capacidade de também pegar num volante é mostra do que somos capazes de fazer , e fazer ver esses homens que mulher no volante não é perigo constante , embora ainda é muito presente esse tipo de preconceito com as mulheres . Seria interessante também falar sobre a mulher em outras corridas não so na F-1.

    Parabéns Dea sua matéria foi ótima .

    Beijos e um grande abraço .

  14. Parabéns pela matéria. Inclusive copiei e postei no meu blog, claro que citei vcs como fonte, e ainda elogiei.
    grande bjo

    Graça
    http://mggmarinho.blogspot.com
    http://0.gravatar.com/avatar/26910f992f59a041f17e607b4f9a8295?s=32&d=identicon&r=G

  15. Josele Garza disse:

    Muito boa a matéria sobre as mulheres na F-1. Além das cinco que disputaram a categoria e das duas que testaram: a Sarah Fisher e a Katherine Legge, tivemos outras duas que também já guiaram carros de Fórmula 1: a irlandesa Sarah Kavanagh competiu num Jordan que era do Rubens Barrichello na EuroBoss inglesa, uma categoria que usa Fórmula 1 antigos e em 2004, a inglesa Jodie Hemming testou um Jordan Mugen que era do Heinz Harald Frentzen. Ela atualmente também está na EuroBoss.
    Sobre o futuro, muitos querem porque querem a presença de Danica Patrick na F-1, encantados com a beleza, o marketing e as corridas dela, mas a mesma já recusou dois testes que a Honda queria fazer (um em 2005 e outro em 2007) e recentemente disse Não à proposta da USGP, equipe nova que vai estrear ano que vem.
    Prestem atenção nesse nome: Natacha Gachnang. Ela é suíça, prima do Sebastian Buemi e está atualmente na Fórmula 2. Ela tem como padrinhos os ex-pilotos Jean Alesi e Niki Lauda. Ele mesmo, que deseja ver uma mulher novamente na F-1. A Natacha já se ofereceu para testar um Fórmula 1 e está à disposição de algumas equipes novas. Só falta ela trazer patrocínio.
    No mais, é isso. Valeu!!!!

  16. Fred Filho disse:

    Temos que lembrar da Bia Figueiredo! Foi excelente kartista e neste ano vai estreiar na Indy! Quem sabe, mais tarde na F1 ?

  17. Sim, viva as mulheres.

    A Bia é nossa atual representante, deve dar certo, parabens a ela e a este blog.

    Estou escrevendo um livro sobre a Formula 1 vista por um espectador fanatico, breve.

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