O dia em que Senna passou por baixo da arquibancada

Adelaide, 198503 de novembro de 1985. Circuito de Adelaide. A Fórmula 1 chegava, pela primeira vez, na Austrália, terra do campeão de 1980, Alan Jones_ que completava seu 100º GP. Ao contrário do que ocorre atualmente, o GP não abria a temporada e sim a encerrava. Alain Prost já havia conquistado o título do mundial de pilotos daquele ano duas corridas antes, no Grande Prêmio da Europa, realizado em Brands Hatch. Os ingredientes indicavam a receita de uma prova naturalmente morna. Entretanto, o fã que assistiu ao GP foi presenteado com uma corrida emocionante!!!

Nos treinos para a aquela que foi a última prova da carreira de Niki Lauda, Senna conseguiu a pole position com sua Lotus (1’19’’843). Mansell, guiando uma Williams, largou em 2º; Keke Rosberg, na outra Williams, e Alain Prost, de McLaren, vinham logo a seguir. Um bom indício de que aquela seria uma boa corrida já surgiu na largada. Senna e Mansell bateram na primeira disputa pela liderança.

O choque não prejudicou o desempenho do carro de Senna, mas Mansell precisou ir para os boxes com problemas de transmissão e abandonou a prova. Na pista, Senna acelerava tentando recuperar a posição, agora nas mãos de Rosberg, tendo na sua cola o italiano Michele Alboreto, pilotando uma Ferrari.

No calor australiano, os pneus sofreram bastante e obrigaram os pilotos parar para trocas. Foi em uma dessas que Prost tomou a 3ª colocação de Alboreto. Enquanto isso, Senna e Rosberg duelavam pelo 1º lugar. Na volta 26, o esforço de Senna foi recompensado: o brasileiro acabava de tirar os nove segundos de vantagem do finlandês, deixando-os 10 segundos à frente dos demais pilotos em uma espécie de corrida particular dos dois.

No pelotão que vinha atrás, Elio de Angelis recebeu bandeira preta por ter queimado a largada e foi desclassificado, enquanto Prost abandonou com problemas no motor de sua McLaren. Lauda, tentando se despedir da Fórmula 1 com uma grande performance, aproveitou e pulou para o 4º lugar, logo à frente de Alboreto (5º) e Philippe Streiff, da Ligier, em 6º.

Na briga particular entre Senna e Rosberg, o finlandês havia cedido a liderança ao entrar nos boxes. Sem folga de tempo suficiente, Senna tentou acelerar para evitar que Rosberg voltasse do pit à sua frente. Para delírio dos fãs de um bom pega, o brasileiro não conseguiu seu intento. Rosberg surpreendeu Senna na saída dos boxes. Senna acabou batendo na Williams de Keke e sua Lotus quebrou o bico.

Senna tentou continuar e foi aí que ele deixou o mundo de boca aberta, sem acreditar em certas coisas que viu. Sem o controle do carro, mas sem diminuir tanto a velocidade, ele saiu da pista, pulou por cima da zebra e o mais incrível: passou por baixo da arquibancada!!! Mais tarde, Senna diria: “como era madrugada no Brasil, fiz aquilo pra deixar todo mundo acordado.”

Depois de duas voltas, parou no boxe e contou com o abandono de Marc Surer, da Brabham, para voltar em 3º, logo atrás do vice-líder Niki Lauda. Senna seguiu no encalço do austríaco até que Lauda foi trocar pneus. Na seqüência, foi a vez de Rosberg também fazer o pit. Para a sorte de Senna e Lauda, a Williams cometeu alguns erros e Rosberg acabou voltando em 3º. Na volta 58, chegava ao fim a carreira nas pistas do bicampeão Niki Lauda. Com problemas nos freios de sua McLaren, ele abandonou a prova.

Três voltas depois, Senna também saiu. Seu carro começou a fumaçar e o motor Renault pifou. Alboreto abandonou na mesma hora com problemas na caixa de câmbio. Rosberg, então, liderou tranqüilo até receber a bandeirada na 82ª volta. Completaram o pódio os dois pilotos da Ligier: Jacques Laffite em 2º e Philippe Streiff, 3º. Apenas cinco pilotos terminaram a prova além dos três primeiros colocados: Ivan Capelli (Tyrrell), Stefan Johansson (Ferrari), Gerhard Berger (Arrows), Huub Rothengotter (Osella) e Pierluigi Martini (Minardi). Aquela foi a última vitória do finlandês.

Adelaide foi sede do GP da Austrália até 1995 e viu outros pegas inesquecíveis.

3 respostas para O dia em que Senna passou por baixo da arquibancada

  1. Valdemar disse:

    Oi, Gil.
    Uma particularidade daquela prova foi a insistência de Phillippe Streiff em tomar o segundo lugar de Jacques Laffite, o que era absurdo, dado o pódio para os dois quase certo, aliado à sofrível temporada da Tyrrell naquele ano. O resultado de segundo e terceiro era fenomenal. Mas Streiff, então calouro na categoria, ignorou tudo isso e partiu pra cima do companheiro. Laffite, já macaco velho, ficou no “nem-te-ligo”. Quando, a três voltas do final, Streiff encosta no francês e tenta uma ultrapassagem por dentro. Laffite fez a curva na tangência certa e, sem recolher, bateu em Streiff, que fez as duas últimas voltas com o bico do carro avariado. Chegou em terceiro, é verdade. Mas levou uma senhora bronca de Ken Tyrrell, foi demitido e nunca mais subiu ao pódio.

  2. Valdemar disse:

    Errata
    A equipe em questão, de Streiff e Laffite, não era a Tyrrell, e sim, a Ligier. E onde escrevi Ken Tyrrell, leia-se Guy Ligier.

  3. Renato Cremonini Júnior disse:

    Gostaria de receber imagens desta façanha do sena em Adelaide/85, obrigado………Renato.

    Foi simplesmente o maxímo………….

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