Do Flavio Gomes, com colaboração do blogueiro Alan Clinton.
Os pilotos mais uma vez sofreram com a instabilidade climática de Spa-Francorchamps. Melhor para os fãs de Fórmula 1 que puderam ver, depois de três semanas sem o barulho dos motores dos carros da categoria, um treino cheio de opções. Webber se saiu melhor e ainda foi beneficiado com a chuva que piorou as condições da pista ao final do Q3. O atual líder do campeonato deixou para trás Lewis Hamilton, mais rápido em outros trechos da sessão de qualificação, é conquistou sua sexta pole position.
Em terceiro, ficou Robert Kubica e sua Renault. Vettel só aparece em quarto. Massa seria o quinto colocado, mas foi ultrapassado por Jenson Button, mesmo quando a pista parecia pior. O brasileiro e Alonso ainda tentaram se manter na pista e melhorar o tempo, mas Felipe deu uma escada e abortou a última volta e o espanhol não conseguiu acelerar a ponto de superar a 10ª colocação.

Barrichello 300
Rubens Barrichello vai comemorar seu 300º Grande Prêmio largando da sétima posição. Sutil e Hulkenberg ficaram com oitavo e o nono lugares respectivamente. Já Michael Schumacher, punido pela manobra contra Rubinho na última prova, perdeu 10 posições e é o 21º do grid. O alemão só larga na frente de Pedro de la Rosa (22º), Lucas di Grassi (23º) e Vitaly Petrov (24º).
Rosberg também sofreu penalizações. Por ter trocado a caixa de câmbio perdeu cinco lugares e é o 17º. Bruno Senna chegou a ter esperanças de se classificar para o Q2 e ficou até perto do final do Q1 entre os 16 melhores tempos, porém acabou sendo superado e vai largar da 19ª colocação.
Se a Bélgica continuar sua tradição de tempo instável, amanhã poderemos ter uma corrida onde os nervos e o talento dos pilotos poderão ser melhor testados.
Quando a F1 entra em férias e na mesma época rolam aqueles assuntos chatos fora da pista – quando o campeonato deveria ser decidido somente dentro dela – e quando posso acordar mais tarde aos domingos, repenso se gosto mesmo desse esporte. É que tem hora que fica tão chato… Aquele carrossel, jogos de equipe, punições malucas… Isso cansa.
Vou confessar que sempre chego à mesma conclusão – afinal, estou aqui num blog de F1, conversando com vocês, heheheh.
Tem outras coisas legais e são elas que me seguram há anos e anos e anos.
Poucos tempo atrás, a F1 virou sexagenária, e postamos durante alguns dias no nosso Twitter (o @f1girls) 60 frases com o assunto “Amar F1 é…” Reproduzo a lista abaixo. Assim, você também pode ler e se convencer que vale à pena acompanhar novamente Alonso, Hamilton, Massa e cia a partir da próxima sexta-feira.
Amar F1 é…
1. Achar normal a distância em segundos quando o resto da humanidade acha normal medir em metros.
2. Acompanhar mesa-redonda sobre a última corrida.
3. Acordar de madrugada para ver a corrida.
4. Agendar a visita do técnico da TV a cabo para fazer o reparo de alguns canais depois da corrida.
5. Ajoelhar p/ tirar foto junto à zebra, no circuito de Monte Carlo, e colocar as mãos nas marcas dos pneus no asfalto
6. Alugar um carro e sair dirigindo no meio do deserto para chegar a Abu Dhabi
7. Andar nas ruas e apelidar os mais lentos com nome de pilotos ou carros retardatários.
8. Anotar o calendário das corridas e treinos na agenda, assim como se faz com os aniversários da família.
9. A maior prova de todas: Aguentar o Galvão Bueno.
10. Antes de trocar de TV a cabo, checar se eles têm o canal que passa a corrida
11. Assinar revistas de automobilismo só pra ler as paginas relacionadas a F1.
12. Saber que o pneu biscoito não é de comer.
13. Brincar de vrum-vrum com miniaturas no tapete.
14. Acordar de ressaca pra assistir treino/corrida
15. Caminhar pelo circuito de Valência em um dia que a temperatura estava em torno de 5° C.
16. Comprar o carrinho do piloto querido e o do oponente só pra refazer o duelo em casa, privilegiando o seu favorito.
17. Levantar de madrugada para ver treinos.
18. Comprar um aparelho de celular com TV para assistir às corridas quando não se está em casa
19. Continuar gostando e acompanhando as corridas mesmo quando seu piloto favorito não está mais na categoria
20. Ficar muda na frente da televisão na hora da largada
21. Dar-se de presente de Natal, todos os anos, o DVD com os melhores momentos da temporada
22. Durante a corrida, deixar o telefone no modo silencioso e só atender ligações relacionadas à F1.
23. Mesmo avessa a tietagens, esperar uma tarde inteira por um autógrafo e uma foto do piloto do coração.
24. Estar num hotel em um domingo e ver se tem algum canal passando a corrida
25. Fazer uso da amizade c/ o guarda da residência estudantil p/ poder abrir a sala de TV à noite e assistir a corrida.
26. Ficar plantada por horas num saguão de hotel, esperando seus pilotos preferidos
27. Fingir que está trabalhando enquanto acompanha um simples treino livre pela Internet
28. Guardar dinheiro o ano inteiro para poder ir na corrida
29. Ir até Monte Carlo e se aventurar contra o tráfego só para tirar fotos nos lugares mais conhecidos do circuito
30. Magoar-se quando falam que F1 são carrinhos dando voltas e não tem graça.
31. Ir para Montreal e caminhar os 4km do circuito na ilha de Notre-Dame
32. Madrugada, festa na casa de amigos, e você escapa da muvuca para ligar a TV e ver a corrida.
33. Morrer de inveja de quem tem o álbum da Copa, já que não existe álbum de figurinhas da F1.
34. Ficar catatônica ao estar na frente de um piloto querido
35. Não marcar compromisso nas manhãs de domingo para não perder a corrida.
36. Pagar um ingresso caro e sentar a bunda no cimento só para ficar em frente à largada.
37. Pagar uma fortuna em merchandising e achar que valeu cada centavo.
38. Tentar passar o seu amor pela F1 às crianças da sua família
39. Pedir para a amiga colocar a webcam para poder ver a corrida
40. Faltar aula aos sábados para ver o treino.
41. Sair da própria festa de aniversario para assistir um GP.
42. Planejar os fins de semana consultando o calendário da F1, principalmente nas corridas noturnas.
43. Proibir o marido de usar um casaco da McLaren porque é uma relíquia
44. Receber ligações dos amigos, preocupados em você não infartar durante uma corrida de decisão do campeonato.
45. Remarcar o encontro porque à noite tem primeira sessão de treinos livres de algum GP na Ásia.
46. Ter uma foto com o piloto favorito na mesa de cabeceira.
47. Ter carrinhos em casa e não deixar as crianças chegarem perto.
48. Saber que o pneu slick não está careca.
49. Sair correndo do trabalho, subir num avião, chegar à outra cidade no meio da noite e às 6am estar no circuito
50. Sofrer de abstinência profunda durante o off-season.
51. Ter uma bandeira de outro país em casa porque seu piloto preferido é de lá
52. Sentar durante horas numa arquibancada, sob chuva forte ou sol escaldante, e achar o maximo.
53. Tolerar comerciais durante a transmissão ou ver o treino com horas de atraso.
54. Vibrar com cada vitória do seu piloto favorito como se fosse gol da Seleção brasileira na Copa.
55. Xingar seu piloto na frente da TV quando ele comete uma barbeiragem.
56. Saber de cor todos os campeões dos últimos 30 anos.
57. Tentar convencer os amigos de que F1 é, sim, um esporte
58. Tratar como assunto seríssimo o conflito entre a programação das Olimpíadas ou da Copa e o calendário da F1.
59. Rir de quem vai na corrida e põe protetor de ouvido
60. Ver a corrida inteira e não perceber que nem tomou o café da manhã ainda.
Há 25 anos no calendário da Fórmula 1, o GP da Hungria disputado neste domingo não teve a mesma emoção em termos de ultrapassagens como a primeira edição mas nem por isso passou em brancas nuvens no quesito de lances inesquecíveis. E nem foram na largada, que notabilizou-se pelo ganho de posições de Barrichello (subiu de 12º para 9º), de Alonso (conquistou a vice-liderança) e de Kobayashi (de 23º para 16º). Massa, Schumacher e Button não tiveram o que comemorar quando as luzes se apagaram. O brasileiro permaneceu no 4º lugar, o alemão caiu uma posição e o inglês, quatro.
Na volta 16, a corrida mudou de cenário com a entrada do Safety Car. O ocorrido serviu para levar lambanças aos boxes de novo. Pior para Kubica, Sutil e Rosberg. O polonês já havia feito sua troca de pneus quando foi liberado antes de a Renault perceber a Force India de Sutil se aproximando. Resultado: os dois bateram. O primeiro ainda conseguiu seguir na prova por algumas voltas mais, porém Sutil abandonou depois do enrosco.
Já Rosberg deu tchau para a prova em Hungaroring quando uma das rodas de sua Mercedes se soltou e por pouco não atingia mecânicos de outras equipes preparados para os pit stops naquela hora. Felipe Massa também não se deu bem com a parada. Ainda no pitlane foi ultrapassado e perdeu sua posição para Lewis Hamilton. Sorte do brasileiro que oito voltas depois o inglês abandonou a prova com problema em sua McLaren e entregava ali a liderança do campeonato.
Com os comissários mais rápidos em dar punição aos pilotos, Vettel acabou se dando mal por ter colocado uma distância maior que 10 carros em relação ao Safety Car (!!!). Na volta 32, o alemão precisou fazer um drive through. Ciente de que sua chance de brigar pela vitória estariam sendo jogadas fora ali, o alemão não escondeu sua revolta e seu descontentamento. Tirou as mãos do volante e gesticulou para a direção de prova e comissários como se não aceitasse a penalidade. Por causa disso, o astro da Red Bull segue sob investigação e deverá sofrer alguma punição neste período pós-corrida.
Melhor para Mark Webber, que assumiu a ponta do Grande Prêmio da Hungria, e não foi mais ameaçado. Mais que isso: o alemão só fez seu pit stop obrigatório na volta 43 para trocar os pneus. Rubens Barrichello foi além e só parou nos boxes na volta 56!
Rubinho acabou perdendo sua ótima posição na pista (era 5º), mas protagonizou as últimas emoções da prova ao retornar à pista em 11º e duelar contra Michael Schumacher pela 10ª colocação. Mais rápido e bastante determinado, o brasileiro encarou as manobras do alemão e se safou de uma espremida no muro que Schumacher lhe deu na reta dos boxes. Barrichello ultrapassou o desafeto dos tempos de Ferrari na volta 66, tirando do alemão a possibilidade de marcar pontos na Hungria. O episódio gerou uma troca de farpas após a prova e aplausos do fã do automobilismo que gosta de ver as coisas decididas na pista.
Os demais brasileiros terminaram no final do pelotão, com Bruno Senna em 17º e Lucas di Grassi em 18º.
Confira abaixo a classificação final da prova:
1 – Mark Webber
2 – Fernando Alonso
3 – Sebastian Vettel, dono da melhor volta com 1min22seg362
4 – Felipe Massa
5 – Vitaly Petrov
6 – Nico Hulkenberg
7 – Pedro de La Rosa
8 – Jenson Button
9 – Kamui Kobayashi
10 – Rubens Barrichello
11 – Michael Schumacher
12 – Sebastien Buemi
13 – Vitantonio Liuzzi
14 – Heikki Kovalainen
15 – Jarno Trulli
16 – Timo Glock
17 – Bruno Senna
18 – Lucas di Grassi
19 – Sakon Yamamoto
Abandonaram:
20 – Lewis Hamilton
21 – Robert Kubica
22 – Nico Rosberg
23 – Adrian Sutil
24 – Jaime Alguersuari
O resultado deixou Mark Webber como novo líder do campeonato, com 161 pontos; Lewis Hamilton segue com 157, Sebastian Vettel com 151 e Jenson Button tem 147. A briga pelo título do Mundial de Construtores tem a Red Bull com 312 pontos, a McLaren com 304 e a Ferrari com 238.
A Fórmula 1 volta no dia 29 de agosto, com o GP da Bélgica.
Uma semana depois de conseguir a pole no polêmico GP da Alemanha, Vettel volta a conquistar o primeiro lugar no grid e largará na frente no GP da Hungria amanhã. O alemão da Red Bull pulverizou o antigo recorde da pista (1min19seg071, que era de Schumacher desde 2004) e deixou para trás seu principal concorrente ao posto de número 1 na pista hoje em Hungaroring: seu próprio companheiro de equipe. Webber havia sido o mais rápido no Q2 e Vettel no Q1. Na hora que realmente mais importava, a estrela da escuderia se saiu melhor com o tempo de 1min18seg773.
A segunda fila é toda da Ferrari com a pior configuração para os fãs de Felipe Massa. O brasileiro não conseguiu superar Fernando Alonso e os dois largam na 4ª e na 3ª colocações respectivamente. O atual líder do campeonato empurrou sua McLaren até o quinto lugar, o que já foi uma proeza se for levada em conta a posição de largada do outro carro da equipe de Woking. Button é apenas o 11º do grid.
Time que vive situação parecida é a Mercedes. Enquanto Rosberg é o sexto, Michael Schumacher também ficou no Q2 e é o 14º. Rubens Barrichello voltou a fazer um bom treino, mas desta vez vai largar da 12ª colocação graças a um erro que o fez perder décimos preciosos. Já a outra Williams, de Nico Hulkenberg, é o 10º do grid.
A Renault comemora o bom desempenho de seus dois carros na Hungria com o 7º e o 8º lugares de Petrov e de Kubica, respectivamente. É a primeira vez que o polonês larga atrás do russo. Além de Petrov, quem deve comemorar bastante hoje é o espanhol Pedro de La Rosa. O veterno é o nono, igualando sua melhor posição de largada na BMW Sauber em 2010 no GP da Inglaterra.
Bruno Senna e Lucas di Grassi tiveram mais um treino típico e vão larga do 22º e 23º respectivamente.
Confira o grid completo com os respectivos tempos dos pilotos (atualizado):
1 – Sebastian Vettel: 1min18seg773
2 – Mark Webber: 1min19seg184
3 – Fernando Alonso: 1min19seg987
4 – Felipe Massa: 1min20seg331
5 – Lewis Hamilton: 1min20seg499
6 – Nico Rosberg: 1min21seg082
7 – Vitaly Petrov: 1min21seg229
8 – Robert Kubica: 1min21seg328
9 – Pedro de la Rosa: 1min21seg411
10 – Nico Hulkenberg: 1min21seg710
11 – Jenson Button: 1min21seg292
12 – Rubens Barrichello: 1min21seg331
13 – Adrian Sutil: 1min21seg517
14 – Michael Schumacher: 1min21seg630
15 – Sebastien Buemi: 1min21seg897
16 – Vitantonio Liuzzi: 1min21seg927
17 – Jaime Alguersuari: 1min21seg998
18 – Timo Glock: 1min24seg050
19 – Heikki Kovalainen: 1min24seg120
20 – Jarno Trulli: 1min24seg199
21 – Lucas di Grassi: 1min25seg118
22 – Bruno Senna: 1min26seg391
23 – Kamui Kobayashi: 1min22seg222 (punido)
24 – Sakon Yamamoto: 1min26seg453

Vermelho-vergonha, mais uma vez
Como estarão reagindo neste dia de ressaca os torcedores do Felipe Massa? É, Brasil, que filme repetido…
Mas, se o Massa afirmou que não houve ordem do box, que a decisão foi dele, qual a razão da revolta? Alguém me explica?
É apenas um esporte, disse Flávio Gomes. De fato. Mas tem graça acompanhar um esporte sem torcer? Eu torço até em futebol de botão. Nem sempre para os brasileiros. Na F1 mesmo por um bom tempo minha torcida foi de finlandeses (Hakkinen – Raikkonen). Alemã mais recentemente (ô Vettel, querido, aprende a largar, por favor?!!)
Acredito que depois de ontem nunca mais terei que responder à pergunta “porque você não torce para um brasileiro?”, até que realmente apareça um brasileiro que mereça torcida. Até lá, vou aprender o hino alemão…